Foto: Reuters / Sérgio Moraes
Mostrando postagens com marcador Estatística Criminal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Estatística Criminal. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

IBGE: Um a cada 2 brasileiros se sente inseguro mesmo em casa

Estudo do Pnad 2009 revela que 77 milhões de pessoas têm medo de andar pelas ruas por causa da violência

15 de dezembro de 2010 | 11h 34
Luciana Nunes Leal e Felipe Werneck - O Estado de S.Paulo
RIO - Apenas 52,8% dos brasileiros, pouco mais da metade da população do País, com 10 anos ou mais se sentem seguros nas cidades onde vivem, revela o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Suplemento de Vitimização e Justiça da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2009, divulgado nesta quarta-feira, 15. São 77 milhões de pessoas com medo de andar pelas ruas por causa da violência.
A sensação de segurança aumenta gradativamente quando a referência é o bairro de residência, onde 67,1% declararam se sentir seguros, e o domicílio (78,6%). Ou seja: à medida que a população se afasta do local onde mora, o sentimento de insegurança aumenta. Mas, mesmo em casa, quase um em cada cinco brasileiros se sentia inseguro.
Os menores porcentuais de sensação de segurança foram registrados na Região Norte: 71,6% no domicílio, 59,8% no bairro e 48,2% na cidade. O Estado do Pará lidera o ranking nacional de insegurança. Lá, apenas 36,9% se sentiam seguros nas cidades onde moravam. Já a Região Sul apresentou as maiores proporções de sentimento de segurança: 81,9%, 72,6% e 60,5%, respectivamente.
A maior sensação de segurança foi registrada em Tocantins. O estudo mostra que quanto maior é a renda das famílias, maior a sensação de segurança nos domicílios. Já para os bairros e cidades, a relação se inverte, com maior sentimento de segurança entre as famílias com menores rendimentos.
Moradores de áreas rurais se sentem mais seguros. Quando a referência é a cidade onde vivem, a diferença chegou a quase vinte pontos porcentuais em relação a moradores de áreas urbanas: 69,3% se sentem seguros em áreas rurais, ante 49,7%. Os homens se declaram mais seguros que as mulheres tanto em casa como no bairro e na cidade. A sensação de segurança estava mais presente na faixa etária de 10 a 15 anos.
Fonte: Estadão

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Minas tem a menor taxa de homicídios do Brasil, mostra estudo

Estado com a segunda maior verba de segurança registrou 7,1 mortes a cada 100 mil pessoas em 2009

14 de dezembro de 2010 | 11h 54


Ítalo Reis - Estadão.com.br
SÃO PAULO - O Estado de Minas Gerais teve a menor taxa de homicídios por 100 mil habitantes do Brasil em 2009, segundo dados do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Foram 7,1 mortes, um recuo de 33,2% em comparação com 2008, quando houve 10,7 assassinatos a cada 100 mil pessoas.
Pernambuco também registrou queda significativa no índice de homicídios. Segundo o documento, o recuo foi de 12,3% em 2009 ante 2008. Mas não há muito o que se comemorar, pois o Estado é um dos três mais violentos do Brasil. Com 42,6 mortes para cada 100 mil habitantes, ele só perde para o Espírito Santo (57,9/100 mil) e Alagoas (63,3/100 mil) no índice de mortes.
Estes números impulsionam a média nacional, de cerca de 25 homicídios para cada 100 mil habitantes. Maranhão, Goiás, Santa Catarina e Rio Grande do Sul foram os outros Estados que tiveram redução no número de assassinatos.
Em São Paulo, que recebeu a maior verba na segurança pública do País e tem mais que o dobro de habitantes, o número de assassinatos subiu 2,2%: foi de 10,8 mortes por 100 mil pessoas, em 2008, para 11,0 em 2009 - uma diferença de quase 3 homicídios a mais do que em Minas. No Rio, o indicador ficou em 33,2, leve oscilação de 0,7% em comparação a 2008.
O relatório aponta um dado semelhante nos Estados: as mortes causadas por armas de fogo se concentram entre jovens de 15 a 29 anos e o número de homicídios são maiores nessa faixa etária do que no restante da população.
"O que mais chama atenção é uma inflexão na tendência de queda dos homicídios cometidos por arma de fogo que vinha se desenhando desde 2000: enquanto a taxa média da população (todas as faixas etárias) manteve-se praticamente estável, verifica-se crescimento nas duas faixas etárias citadas", explica.
Investimento. De acordo com o levantamento do anuário, o Acre foi o Estado que teve o maior gasto com segurança pública por habitante do Brasil: foram gastos R$ 402,77 per capita. Amapá, Rondônia e Mato Grosso vêm em seguida, com R$ 399, R$ 376 e R$ 285, respectivamente.
Com o menor índice de mortes, Minas gastou R$ 280,51 em segurança por habitante em 2009, um aumento de 12,28% ante o investimento de 2008. O valor está um pouco acima da média nacional de gastos na área, que foi de R$ 238,29 no ano passado.
São Paulo destinou R$ 244,47 por habitante, alta de 11,93% em comparação a 2008, enquanto no Rio a despesa ficou em R$ 231,78, queda de 25,22%. A média de investimento repassado e investido pelo governo federal no ano passado foi de R$ 38,05 por pessoa.
Fonte: Estadão

Rio é o Estado que mais cortou gastos com segurança, aponta estudo

Enquanto o investimento do País no setor cresceu 15,4% entre 2008 e 2009, Rio reduziu verbas em 24,6%


Gabriel Pinheiro - Estadão.com.br
SÃO PAULO - Mesmo diante das estatísticas criminais em alta, o Rio de Janeiro foi o Estado brasileiro que mais cortou gastos com segurança pública. No ano passado, a área recebeu 24,6% menos recursos em comparação a 2008 - passou de R$ 4,9 bilhões para R$ 3,7 bilhões. No mesmo período, o País destinou R$ 45,6 bilhões ao setor, o que representa crescimento de 15,43%. Os dados são do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Apresentado nesta terça-feira, 14, o relatório mostra que o setor mais prejudicado com os cortes na segurança pública do Rio foi informação e inteligência - em 2008, a área teve investimento de R$ 70,5 milhões, contra R$ 26 milhões em 2009, uma queda 63,14%. No mesmo período, houve aumento nos índices de homicídio doloso (0,7%) e latrocínio (5,6%).
"Enquanto em 2008 o Rio de Janeiro gastava uma média de R$ 310,00 por habitante com segurança pública, em 2009 esse valor caiu para R$ 232,00, inferior aos R$ 270,00 observados em 2006, início da série histórica disponível neste Anuário", aponta o estudo.
Além do Rio, somente Roraima aparece na contramão da tendência nacional de aumento de gastos com a segurança, com uma redução de 7,6% nos investimentos nos dois últimos anos. Em 2008, foram destinados R$ 137 milhões à área, enquanto em 2009 o valor passou para cerca de R$ 127 milhões.
O estudo aponta que São Paulo segue como o Estado brasileiro que mais destina recursos ao setor. Entre 2008 e 2009, foi registrado crescimento de 12,96% nos gastos com a área, indo de R$ 8,9 bilhões para R$ 10,1 bilhões. Em seguida aparece Minas Gerais, que repassou R$ 4,9 bilhões à segurança pública em 2008 e R$ 5,6 bilhões em 2009, um crescimento de 13,32%.
"Em valores nominais, todos os Estados aumentaram suas despesas com a área acima da inflação acumulada nesse mesmo período (40,4% pelo IPCA). Entretanto, em termos relativos, municípios e União estão, proporcionalmente, investindo mais do que as Unidades da Federação em segurança pública", conclui a pesquisa.
Repercussão. À tarde, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PDMB), contestou a pesquisa. De acordo com o governador, em 2009 os gastos com inativos e pensões de policiais civis e militares passaram a ser contabilizados como custos de previdência, e não mais nas contas do setor de segurança. A mudança, segundo Cabral, justifica a redução nos números do setor.
Texto atualizado às 17h35.
Fonte: Estadão

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Brasil não gosta de punir crimes, diz especialista

Professor da Uerj realizou uma pesquisa sobre a impunidade e as taxas de homicídio no País

Cláudio Isaías

A sociedade brasileira, em todos os níveis, tem preconceito em relação à punição dos crimes. Os projetos da classe política priorizam a educação, a saúde e o transporte. Na realidade, a sociedade tem uma aversão ao tema segurança pública.

A opinião é de Paulo Nadanovsky, professor de Epidemiologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) que coordenou uma pesquisa sobre taxas de homicídio e impunidade entre os anos de 1990 a 2001. Para o docente, a sociedade brasileira é muito leniente com relação à transgressão. “Falar em punir as crianças é feio até na escola. As pessoas têm preconceito contra a punição”, comenta.

A mesma pesquisa foi realizada nos 26 estados brasileiros mais o Distrito Federal no período de 1996 a 2005. A constatação alarmante, segundo o professor, é de que a pobreza e a distribuição de renda nada influenciaram nos homicídios ocorridos no País. “O diferencial no estudo brasileiro, comparando os estados, foi a impunidade, que é alta em relação aos países desenvolvidos”, comenta.

Para o professor da Uerj, a pesquisa mostra uma realidade bem diferente do que apontam os criminalistas. “No Brasil, se prende muito pouco. Os Estados Unidos e todos os países da Europa efetuam mais prisões”, salienta.

De acordo com Nadanovsky, o problema é que o País possui uma população muito maior do que as dos países europeus e, por consequência, uma quantidade de crimes bastante superior. “As autoridades da segurança pública fazem a relação do número de presos por população”, ressalta ele, explicando que o número de prisões por crimes graves no Brasil é muito menor em comparação com os países desenvolvidos.

Segundo o professor, não existe no País punição para quem comete os chamados crimes de colarinho branco. “Passa batido um governador recebendo dinheiro ou um assessor escondendo dinheiro nas meias ou na cueca. Nos Estados Unidos ou na Europa a punição é implacável”, destaca.

Entre os anos de 1990 e 2001, foi realizado um comparativo entre as taxas de homicídio dos países da América Latina em relação aos mais desenvolvidos. De acordo com Nadanovsky, os índices são muito mais baixos nos Estados Unidos e no continente europeu do que nos países da América Latina. “Os fatores são velhos conhecidos de todos: a pobreza, o nível de educação das pessoas e a distribuição de renda.”

O professor da Uerj salienta que, quanto maior a impunidade, maior a taxa de criminalidade. Segundo Nadanovsky, o diferencial da pesquisa é que, ao contrário de outros estudos, este faz um comparativo internacional entre impunidade e distribuição de renda. “É fundamental distribuir a renda para diminuir a criminalidade nos países pobres. Além disso, é importante colocar os criminosos graves (homicidas e estupradores) na cadeia”, finaliza o pesquisador.

Prisões e combate ao crack reduziram homicídios nos EUA

O professor da Uerj explica que no caso norte-americano existe o consenso de que o aumento das prisões foi um fator importante para diminuir os homicídios nos anos de 1990. Outros fatores identificados foram o aumento no número de policiais, a redução no mercado do crack e a legalização do aborto.

Aspectos que foram avaliados, mas que tiveram um papel pequeno ou nenhuma influência na redução dos crimes dizem respeito à economia forte do país, melhores estratégias de policiamento, leis de controle de armas de fogo e o aumento no uso da pena de morte.

Nadanovsky ainda chama a atenção para a importância de tratar os crimes como uma estratégia de saúde pública. “A criminalidade é um tema bem estabelecido na Justiça. No entanto, seu papel na prevenção do assalto tem sido tratado com hostilidade na medicina”, salienta.

Para o pesquisador, a violência nas cidades brasileiras já atingiu níveis tão alarmantes que o governo federal deveria juntar esforços com criminologistas e economistas e também direcionar mais atenção às evidências sobre fatores associados à redução da criminalidade e do homicídio em outros países.

Fonte: Jornal do Comércio

terça-feira, 20 de julho de 2010

Belo Horizonte tem dois mortos a tiros por dia



Estudo da CNM aponta crescimento em homicídios por armas de fogo no Brasil; em Minas e na capital, números caíram

Augusto Franco - Repórter

Cerca de 70% de todos os homicídios cometidos no país entre 1996 e 2008 tiveram o envolvimento de armas de fogo. Em todo o país, nesse período, o uso de armas para cometer esse crime aumentou 12%. Apesar do crescimento nacional, os números em Minas e em Belo Horizonte vêm caindo. Na capital, em 2007, 939 pessoas morreram vítimas de tiros. Ou seja, 2,57 baixas por dia. Em 2008, foram 764 vítimas, ou seja, 2,09 mortos por tiros todos os dias.

Em 1996, 59,1% dos 38.894 homicídios registrados no país foram causados por armas de fogo. Em 2008, essa proporção representou 71,3%, o que corresponde a 34.678 das mais de 48 mil mortes ocorridas. Isso significa dizer que, no ano, praticou-se uma média de 95 homicídios com armas de fogo por dia. O índice é parecido ao de países em guerra, como Iraque e Afeganistão.

De acordo com especialistas, os crimes com armas estão, na maioria das vezes, ligados ao tráfico de drogas. Com estratégias de sucesso no combate ao tráfico na capital, como a implantação das polícias comunitárias e de projetos de inclusão social, o crime se “mudou” para cidades de grande e médio portes, mas menos vigiadas, como Betim e Governador Valadares, no Vale do Aço, que aparecem entre as 50 mais violentas.

O estudo foi realizado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), reunindo dados do Ministério da Saúde. De acordo com o presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, o crescimento do tráfico de drogas e o fácil acesso às armas demonstram que o estado é incapaz de fiscalizar, por exemplo, a entrada de armas no país.

Estatuto do Desarmamento em xeque

Apesar de bonito no papel, segundo ele, o Estatuto do Desarmamento, aprovado em 2003, também não melhorou muito a situação. O problema é mais grave entre os estados e capitais do Nordeste, e em cidades da fronteira do Paraná. “A partir de 2003, a cada dez mortes, sete foram causadas por arma de fogo”, ressalta. O levantamento revela ainda que homens entre 15 e 24 anos são as maiores vítimas das armas de fogo.

De acordo com o pesquisador Robson Sávio, do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp), ligado à UFMG, vários estudos apontam que Minas Gerais melhorou seus níveis de criminalidade a partir de 2003. Mas os números ainda assustam, e o Estado tem um longo caminho antes de comemorar os resultados alcançados.

Segundo ele, estratégias de inclusão social e a integração entre as polícias Militar e Civil em pontos com altos índices de criminalidade foram benéficas, mas pontuais. “Temos que elogiar algumas medidas, mas o que vemos é que os focos de criminalidade simplesmente migraram de local. Ou seja, aquelas ações que deram certo devem continuar. Mas novas ações devem ser realizadas nos outros pontos”.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado de Defesa Social afirmou que apenas a Polícia Civil poderia se pronunciar sobre o assunto. A Polícia Civil, por sua vez, disse apenas que não comentaria os dados da pesquisa.

Betim ficou em 22ª no ranking nacional

Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, é a única mineira que aparece entre as 30 cidades do país com maiores taxas de homicídios proporcionalmente à sua população. De acordo com o estudo realizado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), entre 2005 e 2007, a taxa média de mortos por armas de fogo na cidade foi de 62 para cada grupo de 100 mil habitantes.

O líder do ranking nacional é Guaíra, no Paraná, na divisa com o Paraguai (95 mortos por grupo de 100 mil), seguida pela vizinha Foz do Iguaçu(PR), também na divisa (88,3 mortos por 100 mil habitantes). Em seguida aparece Maceió, capital de Alagoas, com 79,4 por 100 mil. O ranking das 50 mais violentas conta com mais uma cidade mineira. Governador Valadares, no Vale do Aço, registra 53,2 mortos por grupo de 100 mil habitantes.

De acordo com o secretário de Governo de Betim, Renato Siqueira, os dados do estudo não mostram as mudanças desde 2009. Segundo ele, um conjunto de esforços entre a Prefeitura de Betim e Governo estadual permitiu a redução de 19,3% na taxa média mensal de homicídios na cidade entre 2008 e 2009.

A queda, afirma, foi fruto de parceria entre a prefeitura e as polícias Civil e Militar. O secretário acrescentou que a melhoria nos índices de segurança da cidade foi anunciada em maio deste ano, em um levantamento realizado pela Fundação João Pinheiro. “Em 2008, fomos um dos poucos municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte a reduzir a quantidade de homicídios”, ressaltou Siqueira.

Segundo dados da Prefeitura de Betim, enquanto entre os anos de 2007 e 2008 a taxa de homicídios cresceu 18,3%, em Betim, a redução foi de 13,7%.

No período, a cidade reduziu de 4,43 ocorrências de homicídios por grupo de 100 mil habitantes para 3,58 casos por igual número de pessoas, no comparativo com 2008. A reversão desse quadro, registrada no ano passado, é confirmada com a tendência de queda de 5,9% de homicídios já verificada no primeiro trimestre de 2010.

“Os dados também são positivos quando o assunto é taxa de crime violento contra o patrimônio”, afirma. Ainda de acordo com a Prefeitura de Betim, a taxa de crimes violentos, que é calculada a partir de ocorrências registradas de homicídios consumados, homicídios tentados, estupros e roubos, também teve queda de 15,4% na comparação entre os últimos dois anos.

Fonte: Blog do Cabo Cláudio Santos

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Os números da morte no ES



Eis uma reportagem do Gazeta online, escrito por uma das mais competentes repórteres do Espírito Santo, Anny Giacomin:

O placar da morte no Estado: desde janeiro, mil assassinatos

Estado não consegue diminuir número de homicídios e, no meio do ano, já chega à milésima morte.

O primeiro semestre ainda nem acabou, e o Estado já ultrapassou a triste marca de mil homicídios. Em 2009, nos seis primeiros meses do ano, 1.018 pessoas foram assassinadas. Neste ano, até o último domingo, 27 de junho, o número de vítimas chegava a 1.006, uma média de 5,65 mortes por dia.

No ano passado, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) chegou a divulgar que o número de homicídios de janeiro a junho havia sido de 999. Mas, depois de uma auditoria nos números, constatou-se que o dado correto era 1.018.

O adolescente Gilmar Buequer da Silva Júnior foi a milésima vítima de assassinato no Estado neste ano. Aos 15 anos, ele foi executado com 25 tiros na última sexta-feira, no bairro Jardim Guadalajara, em Vila Velha, depois de ter sumido de casa por um mês.

A morte de Gilmar não foi a primeira dor desse tipo por que passa a mãe do adolescente: cinco anos antes, ela teve outro filho assassinado. O garoto tinha 17 anos, era viciado em crack e deveria a traficantes. É esse o perfil de maioria das vítimas de homicídios no Estado: são jovens, do sexo masculino, que têm envolvimento com drogas. Por várias vezes, o governo estimou em 70% o número de crimes motivados por consumo e tráfico de entorpecentes.

Ciente dos altos índices de violência no Estado, o secretário estadual de Segurança Pública, André Garcia, que assumiu a pasta no fim de março, ressaltou que o grande desafio é construir uma estratégia que permita, a médio e a longo prazo, apresentar a redução desses números.

Garcia ressaltou que o que pode ser feito no que diz respeito à polícia está sendo realizado. "Há uma parcela de crimes que estão impermeáveis às ações policiais. Trata-se de crimes passionais ou motivados por vingança. São quase 30% do total do Estado. Podemos trabalhar o que for, mas sempre vamos esbarrar nesse percentual, que a polícia não tem como prever", disse.

Maioria

80% das vítimas - Esse é o percentual de vítimas de homicídios no Espírito Santo que são do sexo masculino.

Primeiro dia do ano teve quatro vítimas na Serra

Desde o primeiro dia de 2010, a Serra já dava indícios de que continuaria ocupando a primeira posição no ranking dos municípios onde ocorrem mais homicídios no Estado. Somente no dia 1º de janeiro, quatro pessoas foram assassinadas na cidade.

Em Vitória e Vila Velha, mais casos em 2010

Comparando o número de homicídios por município no primeiro semestre deste ano com o mesmo período de 2009, Vila Velha e Vitória foram os únicos da Grande Vitória que registraram aumento no número de mortes. Na Capital, foram 80 mortes no ano passado contra 85 em 2010. Já na cidade canela-verde, o número subiu de 130 para 143 casos este ano.

A Secretaria de Defesa Social de Vila Velha, em nota, informou que vem desenvolvendo ações em conjunto com as demais secretarias municipais para combater a violência na cidade. O secretário José Paulo Barcelos Rocha ressaltou, ainda, que as câmeras de videomonitoramento instaladas em pontos estratégicos da cidade contribuíram para reduzir o índice de violência nos três últimos meses, em relação a 2009.

Capital

Já o secretário de Segurança Urbana de Vitória, João José Sana, destacou que ainda não tinha um balanço do número de assassinatos na Capital neste ano. Disse também que o município tem discutido a questão da prevenção dos homicídios.

"Segurança não é somente assunto de polícia. A violência tem que ser tratada de forma intersetorial. Temos um número assustador de jovens, pobres e negros envolvidos com o crime. Por isso precisamos oferecer Educação em tempo integral. É uma forma de valorizar o jovem, valorizando a vida", disse Sana.

HOMICÍDIOS POR MUNICÍPIO, DE JANEIRO A JUNHO

Na Grande Vitória

2008: 677

2009: 641

2010: 635 (até dia 27)

No Estado

2008: 1.002

2009: 1.018

2010: 1.006 (até dia 27)

Fonte: Blog C4 Ciências Criminais

sábado, 26 de junho de 2010

Prevenção é a aposta mineira para o combate às drogas

Atividades culturais e esportivas marcam o Internacional Contra o Abuso e o Tráfico de Drogas Ilícitas

Luciane Evans - Estado de Minas

O consumo de crack e cocaína avança na América do Sul, como alertou nesta semana o Relatório Mundial Sobre Drogas 2010, das Nações Unidas. O Brasil é o maior mercado sul-americano, com 900 mil usuários. Nas universidades de 27 capitais brasileiras, inclusive em Belo Horizonte, 49% dos estudantes confessam ter experimentado drogas pelo menos uma vez na vida. Em Minas Gerais, somente no ano passado, dos 1.117 pacientes atendidos no Centro Mineiro de Toxicomania (CMT) da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), 39,21% eram viciados em crack. Os números são cada vez mais alarmantes e, neste sábado, dia Internacional Contra o Abuso e o Tráfico de Drogas Ilícitas, os esforços se concentram em mudar essa realidade, apostando na prevenção, com o esporte e a cultura como armas.

A Secretaria Estadual de Esportes e da Juventude (SEEJ) /Subsecretaria Estadual Antidrogas, em parceria com a Organização Não-Governamental (ONG) Terra da Sobriedade, promove, na Orla da Pampulha, um dia de atrações culturais e esportivas, entre elas a apresentação do Tambolelê. A expectativa é de que mais de 1 mil pessoas participem. Haverá também o terceiro passeio Pedalando Pela Vida, que espera reunir cerca de 100 ciclistas.

Nesta semana, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), em parceria com o Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), divulgou o 1º Levantamento Nacional sobre Uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas. Foram entrevistados 18 mil universitários, e 49% revelaram já ter experimentado drogas ilícitas alguma vez na vida. A pesquisa foi feita entre as universidades dos 27 capitais brasileiras. Em BH, participaram do estudo as universidades Federal de Minas Gerais (UFMG), Estadual de Minas Gerais (Uemg) e Fumec, além do Centro Universitário Newton Paiva.

Drogas ilícitas

Para lembrar a data, a Comissão de Controle do Tabagismo, Alcoolismo e Uso de Outras Drogas, da Associação Médica de Minas Gerais (Contad-AMMG) fez, nesta semana, um alerta contra o álcool e o fumo. Médicos da AMMG foram em um popular botequim da capital para medir o teor de álcool e monóxido de carbono no ar expirado por clientes e funcionários.


Segundo pesquisa divulgada na segunda-feira pelo Ministério da Saúde (Vigitel 2009), 15,5% da população brasileira fuma. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), 2,6 mil não fumantes morrem a cada ano no Brasil devido a doenças provocadas pelo tabagismo passivo. O número de brasileiros que admitem consumir álcool em excesso passou de 16,2% da população, em 2006, para 18,9%, em 2009. Entre os jovens de 18 a 24 anos, o percentual de abuso de bebidas alcoólicas é ainda maior: 23%.

Fonte: Portal Uai
 

terça-feira, 11 de maio de 2010

Número de homicídios sobe 22,6% em BH

Paulo Henrique Lobato - Estado de Minas


A violência avança em Belo Horizonte. Balanço parcial da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) mostra que o número de homicídios na capital subiu 22,6% na comparação entre o primeiro bimestre deste ano, quando 141 pessoas foram assassinadas, e igual intervalo de 2009, período em que 115 moradores foram executados.

O aumento dos homicídios em Belo Horizonte foi postado no site da secretaria (www.seds.mg.gov.br), onde também pode ser conferido um mapa mostrando os locais dos assassinatos. As imagens revelam que as ocorrências em bairros e vilas da Região Centro-Sul subiram de quatro para 18 (aumento de 350%). O órgão, porém, informou que nenhum diretor ou técnico vai se pronunciar sobre o assunto. Procurada, a Polícia Civil também se esquivou de analisar os dados. Por outro lado, representantes da pasta e da corporação vão se reunir, na quinta-feira, para divulgar o relatório da criminalidade em Minas Gerais em 2009.

O estudo deverá informar quantos casos foram desvendados pela Polícia Civil no ano passado. O levantamento também deverá confirmar que, mais uma vez, o tráfico de drogas é o principal fiador dos assassinatos no estado. Em abril, por exemplo, traficantes de Contagem, na região metropolitana, implantaram o toque de recolher nos bairros São Mateus, Estrela D’Alva e Tijuca, onde vivem perto de 60 mil pessoas. Durante nove dias, comerciantes não abriram as portas.

Os moradores precisaram se deslocar a outros bairros para comprar alimentos e remédios. Até escolas e postos de saúde atenderam a ordem dos criminosos. Na época, a PM informou que aquele era o toque de recolher mais longo da história da Grande BH. Mas os homicídios na capital não estão associados apenas ao tráfico de drogas.

Outros motivos, como ciúmes, também fizeram vítimas. Foi o caso da cabeleireira Maria Islaine Moraes, morta, em janeiro, quando tinha 31 anos. O covarde assassinato da mulher chocou o país, pois sua agonia foi flagrada pelo circuito interno do próprio salão. As imagens, que percorreram o país, mostram o ex-marido da vítima, o borracheiro Fábio Willian da Silva, de 30, se aproximando da ex-companheira e apertando o gatilho sete vezes.

“Era moça nova, que poderia ter um belo futuro. Seu erro foi tentar transformar um monstro num príncipe. Ela tentou fazer dele uma pessoa melhor, levando-o para terapia de casais, por exemplo. Saber que a Maria Islaine viveu ao lado de um monstro dói muito, assim como a ausência dela”, desabafa a cabeleireira Ronilda, de 39, irmã da vítima.

O assassinato ocorreu pela manhã, mas a maioria dos homicídios registrados em Belo Horizonte ocorreu depois das 18h. O balanço parcial da Seds revela ainda que cerca de 90% das vítimas eram homens e que a maioria dos crimes ocorreu no fim de semana.  

Fonte: Portal Uai
http://www.uai.com.br/htmls/app/noticia173/2010/05/11/noticia_minas,i=159186/NUMERO+DE+HOMICIDIOS+SOBE+22+6+EM+BH.shtml