Foto: Reuters / Sérgio Moraes

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Há um esforço de setores da sociedade em apagar a ditadura da história do país, diz filósofo em entrevista.

Safatle: O esforço para apagar a ditadura
Há um esforço de setores da sociedade em apagar a ditadura da história do país, diz filósofo
Gilberto Costa - Repórter da Agência Brasil
Brasília - Após a Segunda Guerra Mundial, os judeus sobreviventes revelaram que seus carrascos asseguravam que ninguém acreditaria no que havia ocorrido nos campos de concentração. A história, no entanto, não cumpriu o destino previsto pelos nazistas, muitos foram condenados e o episódio marca a pior lembrança da humanidade.
Crimes cometidos em outros momentos de exceção também levaram violadores de direitos humanos a serem interrogados em comissões da verdade e punidos por tribunais, como na África do Sul, em Ruanda, na Argentina, no Uruguai e Paraguai.
Para filósofo Vladimir Safatle, professor da Universidade de São Paulo (USP), há um lugar que resiste à memória do horror e a fazer justiça às vítimas: o Brasil. Nenhum agente do Estado ditatorial (1964-1985), envolvido em crimes como sequestro, tortura, estupro e assassinato de dissidentes políticos, foi a julgamento e preso.Em março, será lançado o livro O Que Resta da Ditadura (editora Boitemço), organizado por Safatle e Edson Teles. A obra tenta entender como a impunidade se forma e se alimenta no Brasil. Para Safatle, o Brasil continua uma democracia imperfeita por resistir a uma reavaliação do período da ditadura militar (1964-1985) e por manter uma relação complicada entre os Três Poderes.
Agência Brasil: O Brasil tem alguma dificuldade com o seu passado?
Vladimir Safatle: Existe um esforço de vários setores da sociedade em apagar a ditadura, quase como se ela não tivesse existido. Há leituras que tentam reduzir o período à vigência do AI-5 [Ato Institucional nº 5], de 1968 a 1979. E o resto seria uma espécie de democracia imperfeita, que não se poderia tecnicamente chamar de ditadura. Ou seja, existe mesmo no Brasil um esforço muito diferente de outros países da América Latina, que passaram por situações semelhantes, que era a confrontação com os crimes do passado. É a ideia de anular simplesmente o caráter criminoso de um certo passado da nossa história.
ABr: Há quem diga que o Brasil não teve de fato uma ditadura clássica depois de 1964, mas sim uma "ditabranda" se comparada à da Argentina e a do Uruguai, por exemplo.
Safatle: Essa leitura é do mais clássico cinismo. É inadmissível para qualquer pessoa que respeite um pouco a história nacional. Afirmar que uma ditadura se conta pela quantidade de mortes que consegue empilhar numa montanha é desconhecer de uma maneira fundamental o que significa uma ditadura para a vida nacional. A princípio, a quantidade de mortes no Brasil é muito menor do que na Argentina. Mas é preciso notar como a ditadura brasileira se perpetuou. O Brasil é o único país da América Latina onde os casos de tortura aumentaram após o regime militar. Tortura-se mais hoje do que durante aquele regime. Isso demostra uma perenidade dos hábitos herdados da ditadura militar, que é muito mais nociva do que a simples contagem de mortes.
ABr: Qual o reflexo disso?
Safatle: Significa um bloqueio fundamental do desenvolvimento social e político do país. Por outro lado, existe um dado relevante: a ditadura de certa maneira é uma exceção. Ela inaugurou um regime extremamente perverso que consiste em utilizar a aparência da legalidade para encobrir o mais claro arbítrio. Tudo era feito de forma a dar a aparência de legalidade. Quando o regime queria de fato assassinar alguém, suspender a lei, embaralhava a distinção entre estar dentro e fora da lei. Fazia isso sem o menor problema. Todos viviam sob um arbítrio implacável que minava e corroía completamente a ideia de legalidade. É um dos defeitos mais perversos e nocivos que uma ditadura pode ter. Isso, de uma maneira muito peculiar, continua.
ABr: Então, a semente da violência atual do aparato policial foi plantada na ditadura?
Safatle: Não é difícil fazer essa associação, pois nunca houve uma depuração da estrutura policial brasileira. É muito fácil encontrar delegados que tiveram participação ativa na ditadura militar, ainda em atividade. No estado de São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin indicou um delegado que era alguém que fez parte do DOI-Codi [Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna]. Teve toda uma discussão, mas esse debate não serviu sequer para ele voltasse atrás na nomeação. Se você levar em conta esse tipo de perenidade dos próprios agentes que atuaram no processo repressivo, não é difícil entender por que as práticas não mudaram.
ABr: Estamos atrás de outros países, como Argentina e África do Sul, na investigação e julgamento de crimes cometidos pelo Estado?
Safatle: Estamos aquém de todos os países da América Latina. Nosso problema não é só não ter constituído uma comissão de verdade e justiça, mas é o de que ninguém do regime militar foi preso. Não há nenhum processo. O único processo aceito foi o da família Teles contra o coronel [Carlos Alberto Brilhante] Ustra, que foi uma declaração simplesmente de crime. Ninguém está pedindo um julgamento e sim uma declaração de que houve um crime. Legalmente, sequer existiram casos de tortura, já que não há nenhum processo legal. E levando em conta o fato de que o Brasil tinha assinado na mesma época tratados internacionais, condenando a tortura, nossa situação é uma aberração não só em relação à Argentina e à África do Sul, mas em relação ao Chile, ao Paraguai e ao Uruguai.
ABr: Que expectativa o senhor tem quanto ao funcionamento da Comissão Nacional da Verdade, prevista no Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), para apurar crimes da ditadura?
Safatle: Uma atitude como essa é a mais louvável que poderia ter acontecido e merece ser defendida custe o que custar. O trabalho feito pelo ministro Paulo Vannuchi [secretário dos Direitos Humanos, da Presidência da República] e pela Comissão de Direitos Humanos é da mais alta relevância nacional. Acho que é muito difícil falar o que vai acontecer. A gente está entrando numa dimensão onde a memória nacional, a política atual e o destino do nosso futuro se entrelaçam. Existe uma frase no livro 1984, de George Orwell, que diz: “Quem controla o passado controla o futuro”. Mexer com esse tipo de coisa é algo que não diz respeito só à maneira que o dever de memória vai ser institucionalizado na vida nacional, mas à maneira com que o nosso futuro vai ser decidido.
ABr: Mas, antes mesmo da criação da Comissão da Verdade, os debates já estão muito acalorados.
Safatle: O melhor que poderia acontecer é que se acirrassem de fato as posições e cada um dissesse muito claramente de que lado está. O país está dividido desde o início. Veja a questão da Lei da Anistia. O programa do governo [PNDH 3] em momento algum sugeriu uma forma de revisão ou suspensão da lei. O que ele sugeriu foi que se abrisse espaço para a discussão sobre a interpretação da letra da lei. Porque a anistia não vale para crimes de sequestro e atentados pessoais. A confusão que se criou demonstra muito claramente como a sociedade brasileira precisa de um debate dessa natureza, o mais rápido possível. Não dá para suportar que certos segmentos da sociedade chamem pessoas foram ligadas a esses tipos de atividades de “terroristas”. É sempre bom lembrar que no interior da noção liberal de democracia, desde John Locke [filósofo inglês do século 17], se aceita que o cidadão tem um direito a se contrapor de forma violenta contra um Estado ilegal. Alguns estados nos Estados Unidos também preveem essa situação.
ABr: O termo “terrorista” é usado por historiadores que não têm qualquer ligação com os militares e até mesmo por pessoas que participaram da luta armada. Usar a palavra é errado?
Safatle: Completamente. É inaceitável esse uso que visa a criminalizar profundamente esse tipo de atividade que aconteceu na época. A ditadura foi um estado ilegal que se impôs através da institucionalização de uma situação ilegal. Foi resultado de um golpe que suspendeu eleições, criou eleições de fachada com múltiplos casuísmos. Podemos contar as vezes que o Congresso Nacional foi fechado porque o Executivo não admitia certas leis. O fato de ter aparência de democracia porque tinham algumas eleições pontuais, marcadas por milhões de casuísmos, não significa nada. No Leste Europeu também existiam eleições que eram marcadas desta mesma maneira.Um Estado que entra numa posição ilegal não tem direito, em hipótese alguma, de criminalizar aqueles que lutam contra a ilegalidade. Por trás dessa discussão, existe a tentativa de desqualificar a distinção clara entre direito e Justiça. Em certas situações, as exigências de Justiça não encontram lugar nas estruturas do Direito tal como ele aparecia na ditadura militar. Agora, existem certos setores que tentam aproximar o que aconteceu no Brasil do que houve na mesma época na Europa, com os grupos armados na Itália e na Alemanha. As situações são totalmente diferentes porque nenhum desses países era um Estado ilegal. E não há casos no Brasil de atentado contra a população civil. Todos os alvos foram ligados ao governo.
ABr: Os assaltos a banco não seriam atentados às pessoas comuns que estavam nas agências?
Safatle: Todos os que participaram a atentados a bancos não foram contemplados pela Lei da Anistia e continuaram presos depois de 1979. Pagaram pelo crime. Isso não pode ser utilizado para bloquear a discussão. Dentro de um processo de legalidade, de maneira alguma o Estado pode tentar esconder aquilo que foi feito por cidadãos contra eles, como se fossem todos crimes ordinários. Se um assalto a banco é um crime ordinário, eu diria que a luta armada, a luta contra o aparato do Estado ilegal, não é. Isso faz parte da nossa noção liberal de democracia.
ABr: Que democracia é a nossa que tem dificuldades de olhar o passado?
Safatle: É uma democracia imperfeita ou, se quisermos, uma semidemocracia. O Brasil não pode ser considerado um país de democracia plena. Existe uma certa teoria política que consiste em pensar de maneira binária, como se existissem só duas categorias: ditadura ou democracia. É uma análise incorreta. Seria necessário acrescentar pelo menos uma terceira categoria: as democracias imperfeitas.
ABr: O que isso significa?
Safatle: Consiste em dizer basicamente o seguinte: não há uma situação totalitária de estrutura, mas há bloqueios no processo de aperfeiçoamento democrático, bloqueios brutais e muito visíveis. Existe uma versão relativamente difundida de que a Nova República é um período de consolidação da democracia brasileira. Diria que não é verdade. É um período muito evidente que demonstra como a democracia brasileira repete os seus impasses a todo momento. O primeiro presidente eleito recebeu um impeachment, o segundo subornou o Congresso para poder passar um emenda de reeleição e seu procurador-geral da República era conhecido por todos como “engavetador-geral”, que levou a uma série de casos de corrupção que nunca foram relativizados. O terceiro presidente eleito muito provavelmente continuou processos de negociação com o Legislativo mais ou menos nas mesmas bases. Chamar isso de consolidação da estrutura democrática nacional é um absurdo. Os poderes mantêm uma relação problemática, uma interferência do poder econômico privado nas decisões de governo. Um sistema de financiamento de campanhas eleitorais que todos sabem que é totalmente ilegal e é utilizado por todos os partidos sem exceção.
Edição: Enio Vieira
Fonte: Site Vi o Mundo

Oficiais aposentados da polícia de NY confessam que foram pressionados a manipular estatísticas criminais

Photo: James Estrin for The New York Times
Rudolph W. Giuliani in 1995 with William J. Bratton, left, who instituted CompStat. A police spokesman criticized a survey of hundreds of retired police officials.
Retired Officers Raise Questions on Crime Data

By WILLIAM K. RASHBAUM



More than a hundred retired New York Police Department captains and higher-ranking officers said in a survey that the intense pressure to produce annual crime reductions led some supervisors and precinct commanders to manipulate crime statistics, according to two criminologists studying the department.


The retired members of the force reported that they were aware over the years of instances of “ethically inappropriate” changes to complaints of crimes in the seven categories measured by the department’s signature CompStat program, according to a summary of the results of the survey and interviews with the researchers who conducted it.


The totals for those seven so-called major index crimes are provided to the F.B.I., whose reports on crime trends have been used by Mayor Michael R. Bloomberg and his predecessor, Rudolph W. Giuliani, to favorably compare New York to other cities and to portray it as a profoundly safer place, an assessment that the summary does not contradict.


In interviews with the criminologists, other retired senior officers cited examples of what the researchers believe was a periodic practice among some precinct commanders and supervisors: checking eBay, other Web sites, catalogs or other sources to find prices for items that had been reported stolen that were lower than the value provided by the crime victim. They would then use the lower values to reduce reported grand larcenies — felony thefts valued at more than $1,000, which are recorded as index crimes under CompStat — to misdemeanors, which are not, the researchers said.


Others also said that precinct commanders or aides they dispatched sometimes went to crime scenes to persuade victims not to file complaints or to urge them to change their accounts in ways that could result in the downgrading of offenses to lesser crimes, the researchers said.


“Those people in the CompStat era felt enormous pressure to downgrade index crime, which determines the crime rate, and at the same time they felt less pressure to maintain the integrity of the crime statistics,” said John A. Eterno, one of the researchers and a retired New York City police captain.


His colleague, Eli B. Silverman, added, “As one person said, the system provides an incentive for pushing the envelope.”

The Police Department disputed the survey’s findings, questioned its methodology and pointed to other reviews of the CompStat process that it said supported its position.


The survey, which involved an anonymous questionnaire, was done in coordination with the union representing most of the senior officers in the department. The questionnaires were sent to 1,200 retired captains and more-senior officers; 491 responded, including 323 who retired from the department after 1995, the first full year that the agency, then under William J. Bratton, used CompStat. It is based on the scrupulous tracking of crime complaints and a mix of mapping crime trends, identifying trouble spots and holding precinct commanders directly responsible for attacking those problems.


The survey has its limitations. It is unclear exactly when the retired senior officers left the department, making it impossible to say whether any alleged manipulations came early on or had developed over years and across more than one mayoral administration. The CompStat approach has been widely replicated across the country and has been credited with improving police work in many cities.


Also, the questionnaires did not set out to measure the frequency of any manipulation. None of the respondents were asked to identify specific acts of misconduct, and none admitted to having done it themselves. In addition, it was unclear whether the officials who said they were aware of unethical conduct had firsthand knowledge.


But the survey asked provocative questions and clearly elicited disturbing answers. The retired members of the force were asked whether they were aware of changes to crime reports. Of the 160 who indicated that they were, more than three-quarters said the changes were unethical.


Paul J. Browne, the Police Department’s chief spokesman, who was provided a copy of the survey’s summary Thursday, said that two other significant, independent and more comprehensive studies had been done in recent years analyzing the integrity of the city’s crime statistics — one in 2006 by a New York University professor and another by the state comptroller’s office — and that he had found them to be reliable and sound.


The report by the N.Y.U. professor, Dennis C. Smith, contained this assessment: “We conclude, as did the state comptroller five years ago, that the city and department officials, and the public can be reasonably assured that the N.Y.P.D. data are accurate, complete and reliable.”


The researchers in the new survey emphasized that the responses — the questionnaires were mailed in September 2008 and returned in early 2009 — showed that most of the senior officers believed that CompStat had been a valuable management innovation. And even few department critics would seriously dispute that the city is much safer than it was in the early 1990s, with murders cut by nearly 80 percent and with neighborhoods, from the notoriously violent to the largely affluent, transformed.


The CompStat system was put in place by Mr. Bratton, Mr. Giuliani’s first of three police commissioners. Versions of the system have been franchised to hundreds of police departments. It was adopted, and in some cases modified, by Mr. Bratton’s successors under Mr. Giuliani, Howard Safir and Bernard B. Kerik, and by Mr. Bloomberg’s commissioner, Raymond W. Kelly.


But as the city annually reported reductions in crime, skepticism emerged in certain quarters — several police unions other than the one that assisted with this survey, elected officials, residents in some neighborhoods — about whether the department’s books were being “cooked.”


Concerns over crime statistics are not unique to New York. Police departments have faced accusations of tampering in Atlanta, Baltimore, Dallas, New Orleans and Washington.


Mr. Kelly, for his part, has said that he instituted a rigorous auditing system to maintain the integrity of the crime reporting operation. And Mr. Browne said Friday that every precinct’s books were audited twice a year, “and where errors are discovered, they are corrected and reflected in revised crime statistics.” He added, “In cases where it is determined that the errors were the result of intentional manipulation, the personnel responsible are disciplined.”


Mr. Browne said that Mr. Kelly had meted out discipline in 11 cases, 4 involving precinct commanders. One of them, he said, was demoted and three others lost their commands. Last week the department confirmed in an article in The Daily News that it was investigating whether the commanding officer in the 81st Precinct in Brooklyn downgraded crimes or refused to take complaints from complainants to artificially reduce serious-crime statistics.


Mr. Browne criticized numerous aspects of the survey, suggesting, for instance, that many of the respondents might simply have been repeating what they had heard or learned from news reports about the “relatively rare instances that gained notoriety.”

“The survey’s biggest flaw is that a hundred respondents may be recalling the same lone incident everyone was talking about when they said they knew of instances when crime reports were manipulated,” he said. “Further, anonymously supplied answers are problematic because it’s hard to assess whether they originate from retirees who felt they were unfairly denied promotion or have some other ax to grind.”

Mr. Browne said that only 37 of the 323 retired senior officers surveyed had served as precinct commanders, arguing that only they would have firsthand CompStat experience. But the researchers said the survey included responses from aides to precinct commanders and higher-ranking officers who oversaw the work of the commanders.


Professor Eterno said the suggestion that 100 former officials might be talking about the same incident was “ludicrous,” and Professor Silverman said the department’s criticism of the use of an anonymous survey indicated a limited understanding of social science methodology.


The seven-page summary of the survey certainly indicates that many of the retired officers believe the system has gone significantly wrong.


Indeed, the researchers said the responses supported longstanding concerns voiced by some critics about the potential problems inherent in CompStat. The former officers indicate that it was the intense pressure brought to bear on the commanders of the city’s 76 precincts in twice-weekly CompStat meetings — where they are grilled, and sometimes humiliated, before their peers and subordinates, and where careers and promotions can be made or lost — that drove some to make “unethical” and “highly unethical” alterations to crime reports.


Mr. Browne said that when Mr. Kelly took over the department in 2002, he barred spectators from CompStat meetings in light of complaints from some commanders that they had been ridiculed in the forum in front of outsiders. He said Mr. Kelly believed that the presence of outsiders “demeaned the process and was unprofessional.”


The two researchers are writing a book scheduled for publication this summer based in part on the survey; it is tentatively titled “Unveiling CompStat: The Naked Truth.” They provided a copy of the summary and the survey questions to The New York Times. They declined, however, to provide a full report until the head of the union with which they worked had shared it with the Police Department.


When Professor Eterno retired as a captain from the Police Department in 2004, he was working in its crime analysis and program planning section. He is now the director of graduate criminal justice studies at Molloy College on Long Island, which financed the study. Professor Silverman wrote a book about CompStat in 1999 before retiring from the John Jay College of Criminal Justice in 2003.


Roy T. Richter, president of the Captains Endowment Association, which represents the retired officials, said the challenges that his retired members had faced — and his active members still face — were significant, as crime continues to decline and precinct commanders must continue to beat their previous year’s performance despite a force with thousands fewer officers.


He called the survey results “troubling,” and said that while CompStat can be an effective tool, to the extent that it is “used as a sword to subject a commander to humiliation before his peers, I don’t think it’s an effective management tool.”

More than a year before Professor Smith of N.Y.U. published his study praising CompStat in 2006, a city commission created to monitor the Police Department’s effort to fight corruption sought to examine the integrity of the department’s statistics. But while the department cooperated with the professor, it refused to comply with the commission.


And despite the efforts of its chairman, Mark F. Pomerantz, a respected former federal prosecutor, the commission could not win subpoena power, and it was not able to examine allegations that crime complaints were downgraded.


The department had argued that those allegations did not fall under the panel’s mandate because the matters did not constitute corruption.


Fonte: New York Times


ENTREVISTA com Deborah Peterson Small - Guerra às drogas: uma questão racial e social


Guerra às drogas: uma questão racial e social




ENTREVISTA/Deborah Peterson Small


A maioria das pessoas que estão nas prisões de diversos países por delitos relacionados com o tráfico de drogas são pobres e pertenecem a minorias étnicas. O exemplo mais significativo são os Estados Unidos, onde, apesar de constituir apenas 13% da população do país, os negros são 59% da população encarcerada por este tipo de crime, de acordo com dados da Drug Policy Alliance.


A ativista pelos direitos civis Deborah Peterson Small, ex-diretora legislativa do Sindicato de Liberdades Civis da Cidade de Nova York, estuda a questão há alguns e concluiu que a chamada guerra contra as drogas oferece aos governos a desculpa perfeita para exercer controle social sobre certos grupos populacionais: pobres, minorias étnicas, jovens e imigrantes, entre outros.

Em sua instituição - Break the Chains (Quebre as correntes) localizada em Nova York, Deborah e sua equipe trabalham por uma política de drogas justa e humana por meio do empoderamento de comunidades vulneráveis e de reformas legais. Uma destas reformas propõe a eliminação da disparidade entre as sentenças para porte de crack e de cocaína. A punição pela venda de cinco gramas de crack é de cinco anos, enquanto para obter a mesma sentença são necessárias 500 gramas de cocaína. O impacto desta desigualdade afeta principalmente os negros, segundo Deborah.


Mas esta questão não é exclusiva dos Estados Unidos. De acordo com a ativista, quem conhece o Brasil, a Colômbia e vários países da África e do Caribe, percebe que a criminalização dos negros, pobres, hispânicos, imigrantes e dos jovens é comum a muitas sociedades.


O Comunidade Segura falou com esta advogada de Harvard que recebeu recentemente o Prêmio Robert C. Randall Award for Achievment in the Field of Citizen Action, dedicado a cidadãos que contribuem para o uncionamiento da democracia.


Por que a senhora considera que a guerra contra as drogas é uma forma de discriminção?


Em São Paulo, Rio de Janeiro, África Ocidental, Europa, Argentina, Caribe, Colômbia e em quase todos os lugares que visitei, vi a mesma situação: as pessoas presas por crimes relacionados a drogas são sempre pobres. Em alguns lugares são também pessoas que pertenecem a minorias raciais e religiosas.


Mas sempre são os mais pobres e marginalizados, o que me faz crer que isto tem a ver menos com drogas e mais com controle. Se a política de guerra contra as drogas fosse realmente uma maneira de controlá-las, os Estados as controlariam em todos los lugares em que elas estão presentes e não só nos lugares pobres.


Poderia explicar melhor?


Os pobres geralmente nem sequer consomem a maioria das drogas porque não têm dinhero. Mas a guerra contra as drogas se converteu em uma ferramenta que os governos usam para controlar as pessoas. Também usam isso para controlar a juventude quando não há lugar para ela no mercado de trabalho. Então, a criminalização é um recurso que os governos têm para manejar suas economias. Se um governo quer encontrar uma razão para criminalizar a população, as drogas são uma excelente desculpa.


Por que precisamente as drogas?


Porque o tema é cercado de todo tipo de moralismos; as pessoas não questionam e quando o governo diz: ‘vou perseguir estas pessoas porque usam drogas’, em lugar de dizer ‘vou perseguir estas pessoas porque são pobres’, ou ‘porque são uma minoria’, ou ‘porque são jovens e me preocupo que se rebelem’, a população não vai censurar. A guerra contra as drogas proporciona uma boa oportunidade para implementar uma série de agendas.


Mas qual seria o benefício de se controlar estas minorias se sabemos que quando estas pessoas vão para a prisão provavelmente vão se envolver em mais atividades criminosas?


Depende. Se avaliarmos a expêriencia dos Estados Unidos, o que poderia dizer é que há uma relação entre o movimento de direitos socias (por meio do qual as minorias raciais têm feito valer seu direito de ter as mesmas oportunidades que outras pessoas na sociedade) e a chegada da guerra contra as drogas, porque esta política permitiu qaue nosso governo ignorasse as demandas e criminalizasse as pessoas.


Na etapa anterior à reivindicação dos direitos civis, um negro podia ser preso apenas porque falou de maneira incorreta com um branco, por olhar para uma mulher branca de forma equivocada, ou por estar em lugares onde não deveria. O movimento de direitos civis inviabilizou essa política: já não se podia mais criminalizar as pessoas por serem negras. Então, com a guerra às drogas pode se alegar que são criminosos e persegui-los. Assim, se alcança o mesmo objetivo.


E o que se consegue com isso?


As drogas são onipresentes na sociedade e isto foi o que me custou um pouco mais de tempo para concluir. Gasta-se mais dinheiro e esforço dar à pessoas uma moradia digna, educação e oportunidades econômicas do que simplemente colocá-las atrás das grades. E se o que se procura como político é fazer o menos possível, encarcerar a maior quantidade de gente possível e desviar o foco do problema. Desta maneira, os governos se desculpam e dizem: ‘o problema não é a pobreza mas a criminalidade. Olhem quanta gente presa. O crime é um problema muito grande, temos que prender’.


Depois argumentam que as pessoas que estão nessa situação são pobres porque se relacionam com criminosos no lugar de reconhecer que são pobres porque vivem em uma estrutura econômica e social que os mantêm na pobreza. Minha conclusão é que muitos governos estão dispostos a gastar mais energia e dinheiro prendendo as pessoas por causa das drogas e de outros delitos do que gastar para melhorar sua condição de vida.


Existe algum estudo que compare os custos de investimento social com a repressão pela guerra contra as drogas?


Sim, temos estudos que avaliam o impacto da guerra contra as drogas em comunidades pobres de pessoas negras. O custo do encarceramento é alto: de 15 a 20 mil dólares por ano por preso. Mas o custo de prover educação, moradia, etc, é ainda maior. Definitivamente, investir na população implica num gasto inicial maior, mas o retorno a longo prazo é muito mais alto porque as pessoas começam a pagar impostos e a retribuir à sociedade em lugar de estar em uma prisão.


Infelizmente, os políticos têm uma visão de curto prazo e não se perguntam onde estará a sociedade em 15 ou 20 anos. Estão mais preocupados em onde eles estarão nas próximas eleições. Por isso, vendem ao eleitor ideias como a redução da criminalidade em um futuro imediato. É muito mais difícil investir em programas para o futuro, dos quais não vão obter o crédito tão facilmente.


Mas não é só questão de discriminação racial…


Não, porque se você tem dinheiro nos Estados Unidos, pode usar drogas, não importa que cor tenha sua pele. Mas é uma questão de quem são as pessoas que vão continuar pagando o preço desta política de drogas. Será na maioria dos casos jovens, negros e hispânicos… E continuamos a usar a desculpa de que o fazemos porque queremos protegê-los porque não queremos que acabem sendo dependentes das drogas.


Pessoalmente, tenho um problema com a ideia de sacrificar uma geração atrás da outra de jovens negros e hispânicos para manter a ideia de que estamos protegendo os jovens brancos. Esse não é o país que queremos. Existe uma razão pela qual não existem mais pessoas brancas nas prisões e não é só pela ação da polícia, é porque a comunidade não toleraria. Isso tem a ver com a forma como interagimos uns com os outros na comunidade e a forma como criamos nossos filhos. Nós somos tolerantes com esse castigo aplicado aos nossos jovens.


A senhora acredita que essa é uma tendência mundial?


Estive no Rio e em Salvador e o que vejo é, primeiro, que existe esse mito de que o Brasil não é racista e está cheio de oportunidades para os negros. Não é nada disso, o Brasil é racista sim. Em segundo lugar, vejo que os mais pobres são os que estão envolvidos com o mercado de drogas por causa da ausência de oportunidades econômicas.


Por outro lado, a maioria das pessoas que compra drogas não são pobres, são as mais abastadas. Vi a mesma coisa na Colômbia. Também me dei conta de que os negros e os indígenas (no Brasil e na Colômbia) são os principales alvos da guerra contra as drogas, ainda que não representem o grupo que mais usa drogas. Tudo isso funciona como controle social e a polícia é instruída para usar a lei nesse sentido.


Como seria um cenário de pós-proibição nos países produtores?


Estive na Colômbia recentemente e me preocupa o que está acontecendo com os países produtores porque a situação nesses países em um cenário de pós-proibição seria muito semelhante à situação das comunidades urbanas em que há um grande número de pessoas sobrevivendo a partir da venda de drogas. Se muda a lei mas não se dá a essas pessoas outra opção de sobrevivência, simplesmente vai aumentar o nível de sofrimento nessas comunidades.


Como assim?


A Colômbia nem sempre produziu cocaína. O país produz cocaína hoje devido às políticas norte-amercianas e à situação interna onde os atores do conflito buscam financiamento na venda de drogas. Também é uma forma de o governo colombiano se eximir da responsabilidade de promover o desenvolvimento econômico. O governo pode dizer 'não podemos desenvolver esta área porque estão cultivando coca' e podem mandar os aviões norte-americanos fumigar as plantações, deslocar os habitantes de suas terras para as cidades para viver em favelas.
Depois, podem usar a terra em grandes plantações de matéria-prima para fabricação de biocombustíveis que trazem muito lucro. Isto faz com que a criminalidade aumente ainda mais nas cidades. Para mim, é uma questão de como empregar melhor os recursos, e de uma maneira mais justa.


A situação na África não é mais animadora…


O que acontece na América Latina se parece com o que está começando a acontecer na África ocidental, especialmente nas economias fracas como Nigéria e Guiné Bissau. O dinheiro das drogas é uma fonte de recursos para muitas pessoas mas isso envolve violência e dependência. Mas ninguém presta atenção ao problema porque a África é considerada um continente enfermo, então se vê o tema como ‘uma doença a mais’ (além do HIV, da fome, da guerra). Na minha opinião, tudo isso tem a ver com uma só coisa: a forma como o 'norte' impõe políticas ao 'sul'… Políticas que são muito adversas à democracia e ao desenvolvimento.


Parece que a administração Obama mudou algumas ações. Hillary Clinton recentemente reconheceu no México a responsabilidade dos EUA no negócio das drogas…


Isso é sé reconhecer a verdade. A questão vai além das palavras. O que eles vão fazer? Vão mandar mais tropas e dinheiro para brigas contra os carteis como acontece com o Plano Colômbia? Estão dispostos a reduzir a entrada de armas no México e a reduzir o consumo nos Estados Unidos?


Foto: Break the Chains


Fonte: Site Comunidade Segura

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Can Intel Agencies Kill Americans?

Can Intel Agencies Kill Americans?
Mark Hosenball

The director of national intelligence, Dennis Blair, shocked Washington last week when he told a congressional committee that U.S. spy agencies have the authority to assassinate American citizens abroad who are believed to be involved in terrorism. But he suggested that intel officials would have to follow special rules to do so: "If … we think that direct action will involve killing an American, we get specific permission to do that," he told the House intelligence committee.

Blair's testimony left behind a pile of questions: By whose authority can intel agencies kill Americans? And who in the government has the power to grant or deny the "specific permission" to carry out such operations? In interviews with NEWSWEEK, current and former U.S. national-security officials—who asked for anonymity to discuss sensitive information—filled in some of the blanks.

These officials say that, a few days after 9/11, George W. Bush signed a classified "intelligence finding" authorizing the assassination of suspected terrorists. By this order, which continues under Barack Obama, officials within the CIA and Pentagon can launch lethal strikes on suspected foreign terrorists without seeking permission from higher-ups. But, say the officials, strikes specifically targeting Americans must first be approved by a secret committee made up of senior intel officials and members of the president's cabinet (it's not known which ones). The president himself does not have to sign off on kill orders.
The sources say that committee approval is required only if the specific target of the assassination is an American—not if an American happens to be in the vicinity of a foreign target at the time of the strike. At least once, U.S. forces have killed an American this way. In November 2002 a missile attack targeting a Yemeni terrorist also killed Kamal Derwish, an American citizen associated with an alleged terrorist cell in Lackawanna, N.Y. U.S. forces almost did it again last Christmas Eve, with an airstrike against another Yemeni terrorist; he was believed to be hiding with Anwar al-Awlaki, the U.S.-born radical cleric who advised both the suspected Fort Hood shooter and the alleged Christmas Day bomber. Al-Awlaki is believed to have escaped.

Civil libertarians are already questioning the wisdom, and legality, of the U.S. government targeting its own citizens. Roger Cressey, a former National Security Council official, takes a different view, saying, "If you are stupid enough to be associated with known Al Qaeda operatives in a known Al Qaeda safe haven, you're putting your life at risk." Paul Gimigliano, a CIA spokesman, says, "The agency's counterterrorism operations are lawful, aggressive, precise, and effective." White House and Pentagon spokesmen did not respond to requests for comment.
Fonte: News Week

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Tropa de Elite 2 promete mais polêmica na Segurança Pública




Uma das cenas de Tropa de Elite 2 filmadas há duas semanas está destinada a causar barulho. Nela, Wagner Moura, na pele do Capitão Nascimento, depõe numa CPI na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e, lá pelas tantas, brada: “Neste estado, o chefe de polícia é corrupto, o governador é corrupto!”. Como o filme acaba em 2006, a dupla Anthony e Rosinha Garotinho (que governou o Rio entre 1999 e 2006) tem tudo para odiar o longa, que estreia em setembro.

Por Lauro Jardim


Fonte: Veja

Descriminalizar o uso de drogas - O modelo de Portugal também daria certo no Brasil?


A lição dos portugueses

Tratar o usuário de drogas como paciente, e não como criminoso, reduziu o consumo em Portugal. Isso pode dar certo também no Brasil?

Andres Vera


Diante de tantas evidências positivas, onde estaria a fragilidade do modelo português? Os números imediatamente apontam para dois problemas: crescimento do uso de cocaína e do número de mortes relacionadas ao uso de drogas a partir de 2006. O governo português diz que existem apenas problemas pontuais, causados por tendências de consumo ou por mudança de metodologia, e que isso não tira sua credibilidade. É nesse ponto que alguns especialistas discordam. Muitos acreditam que Portugal só atingiu tantos resultados porque acompanhou uma onda de diminuição do consumo de todas as drogas verificada na Europa.


Outros críticos dizem que o tamanho de Portugal, com cerca de 10 milhões de s habitantes, não serve de parâmetro para determinar se a descriminalização funcionaria, por exemplo, nos Estados Unidos. Todos concordam, pelo menos, que se a experiência da descriminalização em Portugal não ajudou, ela também não atrapalhou, a exemplo da desastrosa experiência de Platzspitz. As únicas certezas empíricas dizem que a distribuição de seringas limpas realmente reduz o número de infectados pelo HIV. Mas ninguém conseguiu entender, por exemplo, por que a Polônia, sem nenhuma política antidrogas digna de menção, tem as taxas de consumo de cocaína mais baixas da Europa.


Os liberais continuam acreditando no bom exemplo português. No começo do ano, um estudo da revista The Economist feito em parceria com as Nações Unidas investigou a relação entre narcóticos e níveis de punição em 17 países. A conclusão do estudo: não existe relação entre as duas coisas. Uma comparação entre dois países opostos no quesito “rigor punitivo”, a liberal Holanda e a rigorosa Suécia, mostrou que a legislação não interferia nos problemas que esses países enfrentavam para tratar os dependentes químicos. Nos EUA, onde imperam as mais duras regras contra o tráfico e o consumo, as drogas continuam um flagelo.


O que a descriminalização das drogas em Portugal tem a ensinar ao Brasil? “Escolher o modelo ideal é uma questão de vontade política e, principalmente, de pragmatismo”, diz Manuel Cardoso. A favor da descriminalização da maconha (e não de sua legalização, que suporia a legitimidade da produção e da venda da droga) estão três ex-presidentes latino-americanos: o brasileiro Fernando Henrique Cardoso, o colombiano César Gaviria e o mexicano Ernesto Zedillo. Há um ano, na Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, exibiu-se o principal argumento desse grupo, um que explica o sucesso de Portugal: os bilhões de dólares que governos gastam prendendo e processando usuários de drogas teriam mais utilidade se destinados a programas de reabilitação. Se é verdade que o tamanho e a cultura de Portugal não traduzem o que poderia acontecer no Brasil, a experiência argentina de descriminalização da maconha, em vigor desde agosto, mostrará a chance de uma política liberal vingar na América Latina. Em Portugal, até agora, parece ter vingado.


Fonte: Revista Época

domingo, 31 de janeiro de 2010

ENTREVISTA - Entrevista de Naiá Duarte para o blog sobre a violência doméstica contra a mulher nas igrejas




Quem é Naiá Duarte (suas referências) e há quanto tempo você luta pelo fim da violência contra a mulher?


Naiá Duarte: Sou santista, formada em Direito e História com especializações na área de educação e filosofia, casada e mãe de 2 filhos. Luto pelas causas sociais há 10 anos e especificamente contra violência há 3 anos.


O que te levou a militar pelas mulheres vítimas de violência?


Naiá Duarte: Observando as mulheres dentro da igreja. Como uma mulher liberta em Jesus de Nazaré pode se deixar escravizar por textos fora do contexto como Efésios 5: 22 daí foi um pulo ao constatar a violência no âmbito eclesiástico (física, psicológica, patrimonial).


Aconteceu algum fato específico que te levou a dedicar sua vida a essa causa?


Naiá Duarte: Sim, quando compreendi que algumas mulheres sofrem violência por não saberem ou por serem influenciadas por textos fora do contexto em um “púlpito viciado” dominador e machista eu contatei meu amigo Pr. Ariovaldo Ramos e pedi sua orientação como poderíamos através da Palavra Sagrada minorar o sofrimento de mulheres que sofrem violência dentro e fora da igreja.


O que te motivou a abordar o tema no contexto das mulheres cristãs? Há violência dentro das igrejas evangélicas?


Naiá Duarte: É triste falar, mas existe e muito. Vou citar um exemplo de uma pastora:
“Naiá, o que eu faço? Meu marido é pastor e em casa me bate e me humilha. Eu disse:
Como na sua igreja existe um pastor presidente vá até ele e conte o que está acontecendo.
Ela foi e o pastor presidente disse que iria pensar no assunto e que em breve daria uma resposta.
Dois dias se passaram e o marido pastor foi chamado ao gabinete do presidente de uma grande igreja evangélica pentecostal.
Fulano pastor entende de Deus que você e sua família deveriam pastorear uma igreja a 500 km daqui. O fulano pastor todo feliz pegou sua esposa violentada e seus filhos e foram “pastorear” em um lugar longe dali e que não levantasse suspeitas. Em nenhum momento foi abordado ou tratado o assunto por eles.
Quando a pastora me telefonou dizendo o que tinha acontecido eu fiquei indignada e me pus à disposição e ela me perguntou novamente e agora? “Sabemos que não podemos decidir pela pessoa, disse que a minha preocupação era com a integridade física dela e aconselhei a denunciá-lo.”


Como tem sido recebido o seu trabalho, através do Projeto Mulher Viva, nas igrejas pelos pastores e liderança? Há uma resistência e na sua opinião a que ela se deve?


Naiá Duarte: A Mulher Viva tem sido bem aceito por igrejas sérias na Palavra e que entendem que o pecado pode vir a transformar maridos que deveriam proteger suas esposas em verdadeiros lobos ferozes. Algumas igrejas onde o estudo da língua original e da história da igreja não é alvo de atenção a pregação é superficial, dominadora e excludente.


Como é a reação das mulheres cristãs ao seu trabalho? Elas se sentem encorajadas a relatar as violências sofridas?


Naiá Duarte: A reação normalmente é positiva mais o fato de relatar a violência ocorre depois de um a dois meses da palestra proferida, ou seja, a vitima me liga ou manda um email querendo saber como ela pode orientar sua vizinha que sofre espancamentos. Oriento por telefone ou email e peço para marcar um encontro com a vitima e na maioria das vezes vem ela com a vizinha acompanhando.


Você possui algum dado estatístico sobre a violência contra a mulher no meio evangélico?


Naiá Duarte: De acordo com a Casa de Isabel (ONG na zona leste da capital) 80 % das mulheres atendidas lá são evangélicas de igrejas neo-pentescostais, pentecostais e históricas.


Você trabalha ou pretende trabalhar com a conscientização do homem cristão sobre a problemática da violência contra a mulher? Se trabalha como é ou seria desenvolvida essa abordagem?


Naiá Duarte: Não trabalho diretamente com o homem agressor mais encaminho se ele quiser para tratamento psicológico e espiritual. Entendo que o homem agressor precisa de tratamento e amor.


Fale sobre o Projeto Mulher Viva. ( desde quando ele existe? como foi criado? qual objetivo? quais as ações e programas? quais as conquistas?...)


Naiá Duarte: O Projeto Mulher Viva nasceu no morro São Bento em Santos/SP por ocasião de uma palestra feita por mim sobre Direitos das Mulheres em 2007. Uma chama acendeu em mim e comecei a olhar para as mulheres com varias interrogações:
Por que a mulher aceita a violência?
Por que o púlpito é usado na maioria das vezes por homens?
Por que em casamentos aconselha-se a mulher a ser submissa e não aconselha o homem a amá-la e morrer por ela se necessário for. (efésios 5:22-30)
E após esses questionamentos criei junto com meu esposo advogado e pastor Cícero Duarte o Mulher Viva que tem como objetivo que toda mulher viva sem violência. Trabalhamos com a conscientização e prevenção da violência através de palestras, fóruns e oficinas. Ano passado (2009) atendemos 28 mulheres e alcançamos um publico de mais de 7000 pessoas.
Nossa meta para 2010 é atender 100 mulheres e firmar parcerias com objetivo de servir melhor a mulher vitimada.

Qual a sua opinião sobre a utilização dos blogs como ferramenta de atuação na luta contra toda e qualquer violência contra a mulher?


Naiá Duarte: Esperança


Deixa a sua mensagem para os leitores do blog "O grito de Ana" sobre essa atrocidade que é a violência contra a mulher praticada no mundo.

Naiá Duarte: Não podemos nos conformar com qualquer forma de violência contra qualquer pessoa, precisamos nos apoiar e lutar pelo direito a vida e ao amor, somente quando entendemos que a vida é o bem mais precioso que temos e que não podemos dispor dela porque esta é uma prerrogativa do altíssimo, compreenderemos que somos nós que devemos lutar pela vida e proteger nossa integridade; tendo como paradigma Jesus Cristo que rompeu a Lei do Silêncio denunciando e permitindo que suas discípulas estudassem, evangelizassem pregasse, ou seja, que pudessem exercer seus dons de uma forma integral.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Geography and Public Safety

Crime News: Geography and Public Safety
January 24, 2010

Crime News: The document discusses neighborhoods and the importance of geographic composition. It examines topics, definitions and technologies that demonstrate that neighborhoods matter. Articles bring the abstract idea of a neighborhood into a concrete set of ideas for practice. The articles by Marc Buslik, Phil Canter and Mark Warren highlight how numerous delineations of neighborhood boundaries make it more difficult for the police to serve the public adequately. John Markovic discusses why neighborhoods matter when implementing community policing. Lastly, Jim Zepp highlights how residents of various neighborhoods participated in a government contest to create web sites that helped citizens of Washington, D.C., better communicate information about their neighborhoods to others.

Articles include:

-Why Neighborhoods Matter: The Importance of Geographic Composition
-Not In My Neighborhood: An Essay on Policing Place
-Policing Neighborhoods in Baltimore County
-Neighborhoods Matter: A Situational Policing Perspective
-Applying Community Policing Tapestry Data to Public Safety
-The Socioeconomic Mapping and Resource Topography (SMART) System

Full text:
http://www.ojp.usdoj.gov/nij/maps/gps-bulletin-v2i2.pdf
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Fonte: Crime in América

Los peligros de las sustancias químicas que usa la policía chilena para reprimir


Los peligros de las sustancias químicas que usa la policía chilena para reprimir



Algunas sustancias utilizadas podrían provocar abortos y graves efectos en el sistema nervioso central.


Lo sucedido con el cabo Blas Herrera, quien resultó con graves lesiones en su piel producto del contacto con una sustancia irritante, generó muchas interrogantes, más aún cuando sus propios compañeros de institución le lanzaron agua combinada con un agente tóxico.


Por medio de las imágenes pudimos ver el clásico carro “lanza-aguas”, más conocido como “el guanaco”, muy común en la mayoría de las movilizaciones sociales reprimidas por Carabineros.
Supuestamente, un error en la dilución del CS, liquido lanzado hacia el grupo de efectivos, habría producido las graves lesiones al agente policial, pero quién nos asegura que esta mezcla no es la misma utilizada en las calles por Fuerzas Especiales.


Este desconocido compuesto, cuyo nombre se hace difícil de pronunciar, es el Ortoclorobencilidenmalononitrilo (CS), y es utilizado por las policías de todo el mundo como lacrimógeno en gas y en los cañones lanza agua.


Profundizando más en los agentes disuasivos utilizados por Carabineros, pudimos encontrar un manual denominado Los gases lacrimógenos y otros agentes químicos, donde se señala que estos agentes pueden ser lanzados a través de dispositivos manuales (tipo granadas), rociadores (tipo spray), a través de lanza granadas (escopeta) o a través de vehículos (”zorrillos” y “guanacos”).


TIPOS DE AGENTES


Los agentes más utilizados por las fuerzas represivas chilenas, son:
Humo Blanco HC: Este gas blanco NO provoca ningún efecto físico. Su efecto es principalmente psicológico y está dirigido a provocar pánico y confusión en la multitud, por lo general se usa para acompañar otro tipo de gases de efectos más severos. Es utilizado por el zorrillo.


Gas Lacrimógeno CN (Cloroacetofenona): En su forma pura, el CN es un sólido blanco cristalino, similar a la sal. Como está formada de partículas sólidas, debe ser llevada a través del aire por un agente o expelido en forma de polvo fino. La CN a pesar de su olor como a manzanas provoca lagrimeo abundante, sensación de quemazón y cierre involuntario de los ojos, sensación de quemaduras, irritación y picazón en las áreas húmedas de la piel, y descarga nasal en la nariz.



Estas sensaciones de quemazón no son reales, sino aparentes, y basta unos minutos al aire libre no contaminado para que desaparezcan. Sin embargo exposiciones graves o prolongadas pueden provocar dificultad para respirar, y dolor de pecho. Generalmente estos síntomas tardan entre 10 y 15 minutos en desaparecer.


Otros efectos en las víctimas son el pánico y el desconcierto, los cuales en muchos casos son más peligrosos que los efectos físicos. Además, cuando las ropas húmedas, sudadas o mojadas absorben el gas y luego lo expelen por largo tiempo. Es aconsejable quitarse las ropas contaminadas.


Agente Irritante CS (Ortoclorobencilidenmalononitrilo): En su forma pura, el CS es un polvo blanco, cristalino, similar al talco y se clasifica como agente irritante y lacrimógeno. Como se compone de partículas sólidas, debe ser arrojado al aire con otro agente o en forma de polvo fino. El olor es acre, áspero, picante, similar al jengibre. El CS es más irritante sobre la piel húmeda y sus efectos perduraran indefinidamente.


Como es muy persistente, el CS causa un problema grave de contaminación. Las partículas diseminadas se adhieren a la persona, a las ropas, a los objetos por largos período de tiempo.
Sus efectos son similares a los del gas CN pero mucho más graves: Intensa sensación de quemazón en los ojos, lagrimeo abundante y cierre involuntario de los ojos, Tos, pecho tirante y dificultad para respirar, goteo nasal e Intensa sensación de quemazón en las partes húmedas del cuerpo (cara, axilas, ingles, etc.).


Los efectos del CS desaparecen en 10 ó 15 minutos después de alejarse del sitio contaminado, pero si no se quitan las ropas contaminadas pueden provocarse graves quemaduras y ampollas.
Además de los efectos antes mencionados, algunos estudios mencionan graves efectos sobre el sistema nervioso central; producen una irritación muy fuerte que puede aumentar la agresividad de las personas que lo están respirando.


También las instrucciones de uso dicen que es muy peligroso para menores de 14 años, para mayores de 60 y para las embarazadas, porque afecta el desarrollo del feto y hay estudios que dicen que puede producir aborto.


PRIMEROS AUXILIOS


Junto con indagar estas sustancias, recomendamos algunas acciones para auxiliar a las víctimas de estos agentes:


- Trasladar a las víctimas a un área descontaminada y ponerlas de cara al viento (esto normalmente producirá alivio rápido).


- Piel: Sentarse a la sombra de cara al viento y permanecer quietos para evitar el sudor. Lavarse con abundante agua pura por al menos 10 minutos. No usar cremas, vaselina ni ningún otro ungüento porque provocará que el agente químico permanezca más tiempo en la piel.


- Nariz: Procure que la víctima respire normalmente, limpie la nariz. Las gotas nasales son muy efectivas si el malestar es muy fuerte.


Dar soporte emocional para evitar que la víctima entre en pánico, hablarle, tranquilizarle, especialmente si hay dificultad para respirar o dolor de pecho.


- Labios y boca: Usar agua en abundancia pero evitando que el agua contaminada corra por el cuello o moje el resto del cuerpo. Se debe enjuagar la boca y escupir repetidas veces.


- Quitar las ropas contaminadas, ya que el agente se transfiere fácilmente a cualquier parte desprotegida de la piel.


También se recomienda utilizar una solución alcalina que puede ser una solución de agua y bicarbonato al 5%, o algo más sencillo como un limón.


Para efectos graves o prolongados, complicaciones y contaminación de heridas, obtenga auxilio médico inmediato. Puede tener efectos letales.


Finalmente, no recomendaremos evitar la exposición a estos agentes, porque sería un claro llamado a no participar de las movilizaciones; por el contrario, te damos algunas recomendaciones para continuar luchando en las calles y así enfrentar de mejor manera los efectos de estos agentes químicos.


Por Comisión de Comunicaciones
Organización Mapuche Meli Wixan Mapu(De los Cuatro Puntos de la Tierra)http://meli.mapuches.org/ - meliwixanmapu@gmail.com
Foto cabecera: Alvaro Pruneda
Fonte: El Ciudadano

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Study finds half of men arrested test positive for drugs


Study finds half of men arrested test positive for drugs


By Donna Leinwand, USA TODAY


Half of the men arrested in 10 U.S. cities test positive for some type of illegal drug, a federal study found.


Not only do the findings show "a clear link between drugs and crime," they also highlight the need to provide drug treatment, says Gil Kerlikowske, director of the White House Office of National Drug Control Policy, which will make the data public Thursday.


Assessing offenders for drug and mental health problems and providing treatment is "important if you want to stop recidivism and recycling people through the system," says Kerlikowske, who supports drug courts that offer court-ordered drug treatment.


"There's an opportunity when someone is arrested to divert them to treatment if they need it," says Bill Piper, director of national affairs for the Drug Policy Alliance Network, a group that supports legalizing marijuana and treating drug use as a public health issue. "But people shouldn't have to get arrested to get treatment."


In 2008 researchers interviewed and obtained urine samples from 3,924 men arrested in 10 metropolitan areas: Atlanta, Charlotte, Chicago, Denver, Indianapolis, Minneapolis, New York, Portland, Ore., Sacramento and Washington, D.C.


In Chicago, 87% tested positive for drug use and in Sacramento, 78% tested positive. Many of the men — 40% in Chicago and 29% in Sacramento — tested positive for more than one drug.
Marijuana is the most common drug in every city where testing was done except Atlanta, where cocaine is most prevalent, the study found.


Methamphetamine use is concentrated on the west coast where 35% of the men arrested in Sacramento and 15% of the men arrested in Portland tested positive for the drug.


Heroin use is highest, at 29%, among men arrested in Chicago, an increase from 20% in 2007. Heroin use among arrestees declined in Portland, from 12% in 2007 to 8% in 2008.


Positive drug tests declined since 2007 among men arrested in Atlanta, Portland and Washington, the study found. Some of that decline can be attributed to law changes, Kerlikowske says.


Portland passed laws restricting access to ingredients needed to make methamphetamine, Kerlikowske says.


Cities and states need more resources for drug treatment, says Marc Mauer, executive director of The Sentencing Project, which advocates for alternatives to incarceration.


"If you just want drug treatment, in some places you are better off getting arrested and going to drug court," Mauer says.


"The federal resources that have gone into the drug war have been heavily oriented toward police and incarceration rather than treatment. We need to shift that use of resources," he says.


Fonte: USA TODAY


quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

ESCUTE a entrevista com a cineasta Geysa Chaves sobre o documentário "Se eu não tivesse amor" sobre a vida de presidiárias em um presídio no RJ

Documentário mostra vida de mulheres que cumprem pena em presídio no Rio de Janeiro

Entrevista com Geysa Chaves, diretora do documentário 'Se eu não tivesse amor'


CORRUPÇÃO NA POLÍCIA - Uma bomba oculta

CORRUPÇÃO NA POLÍCIA - Uma bomba oculta
Por Luciano Martins Costa em 26/1/2010
Comentário para o programa radiofônico do OI, 26/1/2010

A Folha de S.Paulo já havia surpreendido seus leitores, na edição de domingo (24/1), com a manchete sobre o elevadíssimo índice de corrupção na polícia paulista. Segundo aquela reportagem, dos 3.313 delegados do estado, nada menos do que 800 são suspeitos de vários crimes.

Na edição de terça-feira (26), o jornal volta ao assunto, embora com menos destaque, para noticiar que o ex-chefe da Corregedoria Geral da Polícia Civil e diretor do Detran até outubro de 2009, delegado Ruy Estanislau Silveira Mello, está sendo investigado por supostamente ter dado um prejuízo de R$ 30 milhões aos cofres públicos.

Trata-se de uma revelação das mais graves, entre as muitas histórias de corrupção que insultam a consciência dos cidadãos nos últimos tempos. No entanto, a reportagem da Folha é mais importante pelo que insinua do que por aquilo que informa completamente.
Corrupção endêmica
A revelação de que um quarto dos delegados da Polícia Civil do estado mais rico da Federação são suspeitos, e estão sendo oficialmente investigados, dá uma idéia das causas principais da ineficiência do sistema de segurança. A lista de crimes engloba extorsão, enriquecimento ilícito, violência, prevaricação e mau uso de dinheiro público, entre outros.

Associando a outras notícias mais ou menos recentes sobre a área de segurança em São Paulo, o leitor pode deduzir que a corrupção vinha sendo a norma no setor, até que o atual secretário da Segurança, Antonio Ferreira Pinto, resolveu fazer uma faxina.

Se o leitor buscar na memória, vai se lembrar que, em maio de 2008, o então secretário adjunto Lauro Malheiros Neto se demitiu após ser acusado de receber propina para alocar delegados em postos onde a corrupção rendia mais, e para retirar de inquéritos internos policiais que respondiam a acusações de desvios de conduta. Em seguida, desgastado pela revelação, o então secretário da Segurança, Ronaldo Marzagão, também renunciou ao cargo.

O que deve estar estranhando ao leitor atento é o silêncio dos outros grandes jornais. Normalmente, quando um caso de corrupção é descoberto por um veículo de informação, os demais costumam se juntar imediatamente ao esforço de divulgação, até formar um coro de denúncias que não pode ser ignorado pela opinião pública.

No caso revelado agora pela Folha, envolvendo evidências de que a polícia do estado de São Paulo sofre há tempos de corrupção endêmica e generalizada, o resto da imprensa finge que nem ouviu falar.
Aposta alta
Mais grave ainda do que a leitura da reportagem de domingo, associada ao texto desta terça-feira, é o artigo do colunista Fernando de Barros e Silva, que se pode ler na página 2 da Folha de S.Paulo. Comentando a manchete de domingo, o colunista observa que a proporção de um quarto do total de delegados representa um número elevado demais para ser desconsiderado.
E acrescenta que, dos 33 mil policiais paulistas, nada menos do que 8.500, ou seja, uma proporção ainda maior do que 25%, compõem a lista dos suspeitos que aparecem em procedimentos internos abertos pela corregedoria nos últimos meses.

O leitor pode deduzir o nível das irregularidades que acompanham a maioria dos inquéritos produzidos por tal polícia. Pode também adivinhar quanta dificuldade devem ter os integrantes do Judiciário para lidar com o material produzido por esses policiais. Trata-se, portanto, de um problema que começa no início do processo de combate aos crimes e acaba redundando na impunidade que é de conhecimento geral.

Ainda mais grave, se isso é possível: o colunista aponta diretamente para o ex-governador Geraldo Alckmin como o responsável por tal situação. Ele observa que o secretário da Segurança está mexendo num vespeiro ao tentar moralizar a polícia e que a insatisfação interna com as investigações é muito grande.
Embaixo do tapete
Nada mais grave, porém, do que a informação segundo a qual, entre os delegados atingidos pela ação da corregedoria, "aposta-se na vitória de Geraldo Alckmin" na eleição para governador do Estado.

Eis aí um prato cheio para qualquer jornalista que ainda se considere como tal. Foi na gestão Alckmin que houve o fuzilamento de doze líderes de facções criminosas, o que acabou fortalecendo a organização conhecida como PCC – Primeiro Comando da Capital.

Também foi durante o governo de Alckmin, em maio de 2006, que o PCC aterrorizou São Paulo com ataques e assassinatos.

A combinação das reportagens da Folha com o texto de um de seus colunistas mais importantes forma uma pauta que o resto da imprensa não pode deixar embaixo do tapete.
Fonte: Observatório da Imprensa

Maradona em campanha contra as drogas no Uruguai

Presidente electo de Uruguay invitó a Maradona a participar en campaña antidrogas
Según 'El Observador' el contacto entre el José Mujica y el seleccionador fue el miércoles pasado.

"De alguna manera pretendo que (Maradona) les hable (a los jóvenes) no sólo de la droga, sino del deporte, de agarrar una 'globa' (balón), hacer actividad física y por ahí se van alejando de otras cosas", afirmó al rotativo Mujica, un ex guerrillero que ganó las elecciones de noviembre pasado con el izquierdista Frente Amplio.

Ese día (el miércoles pasado) Mujica habló con Maradona en un contacto telefónico con la Embajada de Uruguay en Johannesburgo, donde el seleccionador argentino se encontraba como invitado en una comida, en el marco de su viaje a Sudáfrica para conocer las instalaciones que albergarán el Mundial de este año.

En la conversación, el gobernante electo invitó a su interlocutor a intervenir en una campaña antidroga, "o al menos a dar una serie de charlas" para jóvenes uruguayos.

"Me dijo que sí, pero hay que dejar que pase el Mundial porque el hombre está muy metido en eso", afirmó al diario Mujica, confiado en que la condición de "ídolo" del argentino "les llegue a algunos y alguno lo escuche y se aleje".

Según los expertos, la crisis económica de 2002 en Uruguay disparó el consumo de la droga conocida como pasta base entre los jóvenes sin recursos.

Este alucinógeno se obtiene al macerar hoja de coca y mezclarla con disolventes químicos, antes de cristalizarla en cocaína. Conocida popularmente como "paco", es muy tóxica y genera una gran adicción, además de dañar muy rápidamente el organismo de los consumidores.

Datos oficiales señalan que el 80 por ciento de los consumidores de esa droga en Uruguay tiene menos de 21 años.

La última vez que Maradona estuvo en Uruguay fue el 14 de octubre pasado, cuando Argentina clasificó al Mundial después de vencer a la selección anfitriona.

Después del partido el ex futbolista argentino hizo unas declaraciones ofensivas contra la prensa de su país que le costaron una suspensión de dos meses por parte de la FIFA.

Efe
Fonte: El Tiempo

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Mudanças na lei de abuso de autotridade. Até que ponto vamos dificultar a atuação policial?

26/01/2010 09:00
Proposta inclui novas práticas na lista dos abusos de autoridade

A Câmara analisa o Projeto de Lei 6361/09, do Senado, que inclui quatro novas hipóteses entre os atos considerados abuso de autoridade. São elas:- impor a uma pessoa ou empresa obrigação cuja cobrança tenha sido considerada inconstitucional por decisão judicial de efeito vinculante;
- exigir de uma pessoa ou empresa a apresentação de documentos sem amparo legal para tanto;
- retardar ou deixar de prestar, sem motivo justo, serviço inerente ao cargo ocupado pela autoridade;
- divulgar decisão judicial antes de sua publicação oficial, a menos que ela seja transmitida ao vivo pelo Poder Judiciário e pelos sites oficiais na internet.

O projeto altera a Lei de Abuso de Autoridade (4.898/65). Com as medidas propostas, o autor do projeto, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), espera garantir a segurança jurídica do cidadão e coibir práticas abusivas.

Inicialmente, Demóstenes havia proposto a inclusão na lei apenas das três primeiras práticas. O projeto, no entanto, recebeu emenda na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado para acrescentar a divulgação antecipada de decisão judicial entre os abusos de autoridade.
Como punição para os casos de abusos de autoridade, a Lei 4.898/65 estabelece sanções administrativas (advertência, suspensão e demissão), civil (pagamento de indenização) e penais (multa, detenção de até seis meses ou perda do cargo e inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública por até três anos).

TramitaçãoNa Câmara, o projeto será analisado pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ser votado pelo Plenário.
Fonte: Câmara dos Deputados

domingo, 24 de janeiro de 2010

Denúncia de tortura, abuso de autoridade e má qualidade do atendimento contra cresce 23% contra policiais em MG

Denúncia contra policiais cresce 23% em MG
Abuso de autoridade, tortura e reclamações sobre a má qualidade do atendimento lideram os registros na Ouvidoria

Celso Martins - Repórter
O abuso de autoridade, tortura e reclamações sobre a má qualidade do atendimento são os campeões de denúncias em Minas contra policiais civis, militares e agentes penitenciários. A Ouvidoria de Polícia registrou aumento de 23,36% em 2009 em relação ao ano anterior. Foram 2.186 denúncias recebidas pela ouvidoria no ano passado, contra 1.772 recebidas em 2008, a maioria contra policiais militares, instituição que tem no seu efetivo maior número de homens: 45 mil.

O Ministério Público denunciou na Justiça, em 2009, 660 policiais e agentes em todo o Estado. A Corregedoria da Secretaria de Estado de Defesa Social, que apura os processos contra os agentes penitenciários, recebeu 921 denúncias em 2009, aumento de 51,73% em relação a 2008, quando foram abertos 621procedimentos contra os seguranças e servidores que cuidam da segurança e administração dos presídios do Estado.

A maioria dos processos é referente a maus tratos aos presos e facilitação de entrada de drogas e armas nas unidades. Em função da gravidade das denúncias, perderam os cargos 88 agentes no ano de 2008. Os números do ano passado não foram concluídos, já que a alguns processos ainda cabem recursos.

Segundo a Corregedoria da Polícia Civil, em 2008, foram aplicadas 58 suspensões e 14 demissões. Em 2009, até agosto, foram 27 suspensões e cinco demissões. As denúncias de extorsão, tortura e abuso de autoridade estão entre as principais queixas contra os civis. Um dos casos mais recentes aconteceu na semana passada em Nova Lima. Quatro policiais são acusados de exigir R$ 2 mil do aposentado Aloísio Sérgio Escobar, 52 anos, de Santos Dumont, na Zona da Mata. Ele foi abordado, na noite da última segunda-feira, por agentes da PRF, na BR-040, em Nova Lima, na Região Metropolitana de BH.

Em função de um mandado de prisão em aberto, foi levado para a delegacia da cidade, onde ficou constatado que ele já havia quitado uma dívida relativa a um acidente de trânsito, motivo do mandado, mesmo assim, não teria sido liberado. “Os policiais civis me pediram R$ 2 mil, dizendo que eu poderia ir para um presídio de Nova Lima se não entregasse o dinheiro”.

Segundo o boletim de ocorrência da PM, ao chegar a uma agência da Caixa Econômica Federal, no Belvedere, Centro-Sul de BH, Aloísio Escobar sacou R$ 1 mil, mas, para retirar o restante, precisaria da Carteira de Identidade. O documento estava na delegacia do Jardim Canadá, em Nova Lima. Um inspetor acionado um dos colegas, levou a identidade, momento em que a PM chegou, depois de ser chamada pela gerência do banco. O circuito interno da agência gravou a movimentação dos policiais.

Situação parecida viveu a comerciante V.S.L, 32 anos, moradora do Eldorado, em Contagem. No dia 8 de agosto de 2008, ela teve o carro apreendido por falta de licenciamento, mas disse que levou um susto ao ouvir de um agente da 6ª Seccional que teria o veículo liberado se ela pagasse R$ 800. O dinheiro seria divido entre dois policiais que estavam de plantão. “Nunca imaginei que numa delegacia, onde as pessoas deveriam se sentir protegidas, as pessoas fossem abordadas para dar dinheiro para ter um carro liberado”, desabafou.

Duas denúncias de tortura por dia

A Promotoria de Defesa dos Direitos Humanos do Ministério Público recebe pelo menos duas denúncias por dia de crimes de tortura praticados por policiais civis, militares e agentes penitenciários. O promotor Rodrigo Filgueiras de Oliveira, que coordena os trabalhos dos promotores nesta área, afirma que todas denúncias são encaminhadas para as corregedorias e as investigações são acompanhadas pelo Ministério Público.

“Um colegiado de corregedores da Secretaria de Estado de Defesa Social repassa aos promotores da área de direitos humanos o andamento de todas as investigações. Há um esforço para punir os maus policiais, mas a principal dificuldade é o número reduzido de funcionários nas corregedorias”, declarou Rodrigo Filgueiras.

A Corregedoria da PM denunciou 8.548 policiais no ano passado. Foram expulsos 483, contra 381 do ano de 2008. Uma denúncia de agressão contra militares de Montalvânia, no Norte de Minas, recebida em 2008 pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, ainda não foi julgada pelo Tribunal de Justiça Militar.

Conforme consta no processo, o representante Walisson Marinho Dourado, 32 anos, foi colocado em uma viatura da Polícia Militar depois de ser confundido com um assaltante de uma casa lotérica. “Sem saber de nada, no meu trabalho, num estabelecimento comercial da localidade de São Sebastião dos Poções, fui surpreendido pelos soldados José Luiz e Romualdo Melo e o sargento Barbosa.

Eles entraram e me prenderam como suspeito. Como eu não tinha culpa, estranhei e resisti à prisão. Foi espancado pelos militares, algemado e amarrado com cordas, depois lançado na carroceria da camioneta da PM”, relatou.

Consta no inquérito que o médico Alex Viana Mota, chamado pela família, disse aos deputados que foi impedido de prestar socorro à vítima durante mais de três horas pelo sargento que registrava a ocorrência. “Fiquei muito revoltado por ser proibido de avaliar o risco de suas lesões, ainda mais por se tratar de pessoa conhecida na comunidade”, disse o médico. Seu laudo, redigido na delegacia na presença dos policiais agressores, revelou hematomas, escoriações e ferimentos. Walisson foi conduzido ao hospital de cuecas e algemado.

Sob a desconfiança da comunidade, os três policiais envolvidos no episódio trataram de elaborar um falso boletim de ocorrência em que atribuem ao guarda municipal Marcelo da Silva Oliveira, o depoimento em que Walisson teria jurado vingança contra o soldado Romualdo Barbosa Melo. Do contrário, faria com que fosse trazido à força pela polícia. O guarda municipal negou à Comissão de Diritos Humanos que tivesse testemunhado essa ameaça ou autorizado os militares de citá-lo como testemunha no boletim de ocorrência.Os militares negaram as denúncias, mas não quiseram falar sobre o asssunto.
Fonte: Jornal Hoje em Dia

ENTREVISTA de Luis Gerardo Gabaldón sobre o controle da violência policial

Para diminuir o uso da força

Andrea Domínguez 13/11/2009


ENTREVISTA / Luis Gerardo Gabaldón


Desafiados pelo crime organizado, países da América Latina enfrentam o desafio de melhorar seus corpos policiais em termos de transparência, eficiência e relações com a comunidade. Há três décadas estudando as respostas do controle social em relação ao delito, o catedrático venezuelano Luis Gerardo Gabaldón afirma que alguns fracassos dos atuais regimes policiais da região podem ser resultado dessas serem regidas por normas desvinculadas do controle da violência policial.


Gabaldón, que trabalha na Universidade de Los Andes e na Universidade Católica Andrés Bello de Caracas, afirma que são necessários mais manuais práticos e treinamento adequado para os policiais, assim como uma preparação mais eficiente do uso da força, que enfoque a premissa básica de diminuir o uso da força e evitar a todo custo chegar "além do ponto de não retorno".
Além de seu trabalho acadêmico no Instituto de Criminologia da Universidade de Cambridge e no Centro de Formação para a Liberdade Vigiada, em Vaucresson, na França, Gabaldón tem viajado por toda a região conhecendo a realidade das polícias de diversos países, atuando também como consultor. Nesta entrevista, fala também das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) do Rio de Janeiro e da interação entre polícia e comunidade.


Na América Latina se desenvolveram procedimentos de uso da força baseados na realidade anglo-saxônica. Quais são as principais diferenças, no que diz respeito a América Latina e qual deve ser a prioridade da região?


Os modelos de uso progressivo e diferenciado da força se desenvolveram nos países anglo-saxões que privilegiam o uso instrumental da força, como uma política geral. Não se discute que a força policial possa ou deva ser usada, mas, em que medida e com o maior nível de eficiência possível. Assim como para a produção otimizada de uma quantidade de cereais por hectare requer a dosagem otimizada do fertilizante, para reduzir ao máximo o custo financeiro e de esgotamento do solo, na medida em que a polícia utiliza força regulada estritamente por protocolos definidos se obtém a submissão otimizada do cidadão e, presumidamente, se produz um menor desgaste para a polícia. Esta ótica racionalista não é tão comum na América Latina, onde, por uma parte, a polícia foi deixada a inércia operativa por quem define políticas públicas e onde, por outra parte, o elemento simbólico do castigo policial implícito também no emprego da força física, é muito visível.


Existe em algum país procedimentos de uso da força desenhados na medida da realidade, cultura, contexto latino americanos?


Na América Latina, predominam termos legalistas e formalistas sobre os limites a serem observados pela polícia, especialmente quando se trata de capturas para o processo penal ou durante os procedimentos e interrogatórios. Nesse sentido, prevalece uma visão estreita sobre o uso da força: se supõe que ela é usada apenas para prender um suspeito ou a coerção que implica a sua detenção sob custódia da polícia. Abundam as cláusulas genéricas sobre a proteção dos direitos humanos, que pouco fazem para esclarecer as variáveis situacionais associados ao confronto entre os cidadãos e a polícia. Os departamentos de polícia mais atualizados têm começado a adotar manuais sobre uso diferenciado e progressivo da força sobre os modelos do mundo anglo-saxão, provavelmente porque se, se assume que o uso da força policial deve ter somente um objetivo instrumental, este objetivo é universal e não deveria fazer distinções. No entanto, corpos policiais que adoram esses manuais não os aplicam necessariamente, por falta de formação específica, ou porque se assume ritualmente como uma forma de adaptação da polícia para os novos tempos. Eu acredito que é muito importante para troca de experiências de pesquisa e avaliação, com metodologias uniformes entre os diversos países, mas este é um assunto delicado, onde a obtenção de dados e aplicação de experimentos pode ser difícil devido à estrutura fechada e corporativa da polícia.


Morrem mais civis em encontros com a polícia na América Latina do que nos Estados Unidos. Isto é porque há mais confrontos na América Latina ou porque o tipo de confronto é mais violento?


Argumentei que os cidadãos latino-americanos são mais resistentes a submeter-se à polícia, por uma variedade de razões, entre as quais podemos destacar as coalizões grupais, a desconfiança do poder coercitivo do Estado e da polícia e a falta de disposição, por esta última, de mecanismos altamente dissuasivos que evitam a escalada das situações de confronto e conseguem uma submissão precoce e rápida dos cidadãos diante da coação policial.


Um dos maiores problemas atuais na América Latina é a criminalidade violenta derivada da ‘pandillaje’. Existe em algum país um grupo de procedimentos de uso da força específica desenhado para lidar com menores armados? Como pensar em um tratamento diferenciado para estes jovens?


É difícil prever um protocolo específico de força para lidar com jovens armados, apesar dos estudos mostrarem que os policiais tomam particular cuidado quando se trata dos jovens devido a proteção especial que gozam dentro do sistema judicial; isso, é claro, em igualdade de condições quanto à respeitabilidade, prestigio ou poder de reivindicações sociais. Também foi documentado castigos físicos severos aplicados à jovens por parte da polícia, tratando de dissimular as lesões que um médico forense pudesse certificar, expondo o policial a um processo penal. Inclusive se observou um poder de negociação da polícia delegando as vítimas e agressores juvenis numa sorte de concessões do poder de castigar.


Os jovens são uma população de particular risco frente o uso de força policial, por seu caráter rebelde, pela imaturidade que leva a um uso banal de armas de fogo e por não ter autonomia e amparo social significativo que lhes dê status e poder de reivindicações sociais. Por isso, seria conveniente pensar, em vez de um protocolo separado sobre o uso da força em si, em mecanismos mais flexíveis para implementar o protocolo correspondente, especialmente com objetivo de reduzir a força aplicada, uma vez que, descende à situação de ameaça representada pelo comportamento agressivo juvenil ou resistente, evitando consolidar a situação como "para além do ponto sem retorno no uso da força."


Quais são os fatores desencadeadores mais comuns do uso da força entre os policiais?


A investigação acumulada sugere o peso de algumas variáveis importantes, como o comportamento agressivo do cidadão, a perda do controle verbal no encontro, a escalda do confronto a curta distância, as situações de confusão de identidades entre policiais secretos, a juventude e inexperiência do funcionamento policial e o poder de reivindicação do cidadão, medido fundamentalmente pelo prestígio social e a responsabilidade moral do suspeito. Muitas das variáveis estão relacionadas ao imprevisto, isto é, com a dificuldade de antecipar uma pronta e efetiva saída do encontro por parte da polícia, mesmo porque estas variáveis são provavelmente influentes nos encontros onde a violência policial não estava premeditada e constituía um propósito desde o inicio, como nos casos de execuções extrajudiciais ou mortes como o resultado de maus tratos no cativeiro.

O quão determinante são os preconceitos dos policiais na hora do disparo de uma arma? Por exemplo, no caso do Rio de Janeiro, alguns acadêmicos sustentam que há uma maior predisposição por parte da polícia para disparar uma arma contra um indivíduo se, em certas circunstâncias de tensão, encontram-se em uma favela.


As distorções na utilização da força por razões de condição social ou étnica são complexas. A literatura sobre a utilização de força policial excessiva sobre os negros nos Estados Unidos destaca que uma explicação plausível seria a percepção da ameaça, devido às altas taxas de violência, em vizinhanças segregadas. Isto seria compatível com a idéia de que uma favela, em si, constitui um ambiente perigoso, independentemente do aspecto ou condições de quem ali vive. No nível individual, o juízo moral sobre o suspeito e muito importante: fará menos considerações na aplicação da força se, se tem uma identidade moral deteriorada, pois a mesma população pode reforçar a disposição policial de usar a força excessiva. Mas, a meu ver, o poder das reivindicações sociais ( que não está necessariamente associado ao status socioeconômico, mas a capacidade de mobilizar influências e ‘alavancas’) é um componente importante na decisão policial de incrementar o uso da força aplicada.

Os policiais se queixam da dificuldade de calcular rapidamente, em um momento de alto stress e perigo, a conveniência ou não de usar a força e a intensidade da força usada. É possível treiná-los para uma melhor tomada de decisão nesse tipo de circunstâncias?

Existem departamentos policiais que dispõem de simuladores audiovisuais com situações de confronto que crescem e que, em um determinado momento, deveriam gerar a aplicação de determinado nível de força. Usualmente se circunscrevem ao uso da arma de fogo, pelo qual não só resulta limitada quanto o espectro diferenciado de força, mas que tendem a enfatizar o uso destas armas com propósito letal , enquanto a instrução é: quando se tem que sacar a arma de fogo, use-a e aponte para o centro da massa corporal para neutralizar o agressor”. Creio que esses simuladores são simplificados e não registram a variedade de situações e de meios que devem dispor a polícia para atuar.


Muitos policiais chegaram a considerar o ‘baston’, ‘bolillo’ ou ‘tonfa’ como algo pouco prático, pois não foram treinados para o seu uso. O treinamento situacional requer um inventário de casos que representem a diversidade das culturas e ambientes sociais, que podem variar muito. O mais importante é enfatizar que, por uma parte, deve se manter em alerta o apoio dos companheiros para enfrentar situações complexas e, por outro lado, que não há situação, por mais avançada que tenha ido aos níveis de confronto, que não admita desescalar para utilizar um nível menor de força. É claro, a regra suprema é a preservação da vida humana como valor maior superior a qualquer outro, e o uso da força letal só para defendê-la ou preserva-la. Há um longo caminho a percorrer ainda.

Como se organizam as cadeias de responsabilidade no que diz respeito ao uso indevido da força na América Latina? Estes mecanismos foram suficientes. Esses mecanismos têm sido eficazes para dissuadir (sancionar) o uso excessivo da força (da arma de fogo) pelos policiais? Como melhorar?


A falta de protocolos definidos quando se usa a força incluí a ausência de registros ou reportes para casos de utilização de armamento ou de outro equipamento com potencial lesivo, uma vez que foram implantadas. Departamentos policiais estritos requerem que cada vez que se retire uma arma de fogo se descreva a razão e as circunstâncias que justificaram seu uso, muito mais quando foi disparada, independentemente do resultado do disparo. Na América Latina tudo isso é muito frouxo. Não só se permite, em alguns casos, se exige, que os funcionários policiais adquiram sua munição ou se permite armas complementares, mas que não existem registros balísticos nem inventários de armamento, subsistindo uma grande promiscuidade no uso das armas. Os disparos não exigem, em geral, um informe circunstanciado. Por outro lado, existem critérios jurisprudenciais, como no caso venezuelano, que permitem interpretar como exercício de um dever o disparar a um carro em fuga sob a presunção de que delinqüentes estavam em fuga. Se a tudo isso se adiciona uma flexível supervisão interna do comportamento policial cotidiano, geramos condições favorecedoras do descontrole. Todo isso fomenta uma cultura de tolerância e normalização no uso extremo da força física por parte da polícia.

Sociedades que padecem de altos níveis de violência tendem a tornarem-se mais tolerantes com o uso excessivo da força por parte da polícia. Como lidar com a exigência de segurança por parte da população, que inclusive, avalia o excesso da força?


Efetivamente, parece haver uma correlação entre a violência social e a violência policial, a qual não é surpreendente porque a polícia é parte também da sociedade e está sujeita às demandas, pressões, exigências e juízos que tendem a ver a violência na repressão do delito como a resposta mais adequada á violência que acompanha a delinquência. E a polícia tende a medir muito bem quais são os níveis de tolerância institucional e coletiva em relação à violência. De modo que, como mostra estudos comparativos, as medidas mais efetivas para permitir o consentimento informado, a discussão cidadã sobre o uso da força e o peso das ‘recomendações sensatas’ é muito mais provável em sociedades com baixas taxas de criminalidade violenta. As políticas mais imediatas a esse respeito são o controle efetivo de armas de fogo em mãos particulares e o treinamento policial para o uso diferenciado e progressivo da força, medidas que devem ser aplicadas em paralelo para consolidar o monopólio estatal no uso da coação armada.

A interação entre polícia e comunidade parece ser um dos aspectos imprescindíveis para melhorar o uso da força. Como é possível melhorar essa relação?
Muito se falou da comunidade como um coringa e da necessidade de que a polícia conte com o apoio da mesma. Isso não é tão simples, pois existem muitas comunidades e dentro de cada uma subsistem atores e grupos com interesses diversos. Se algum sentido tem a polícia chamada comunitária é a de facilitar regimes de conflitos por vias pacíficas, jurídicas ou não, mas com reconhecimento institucional. Nesse sentido funcionaria como uma instância de mediação. Este modelo não pode ser universalizado para todo o serviço de polícia, pois existem muitas formas de delinquência, muitos tipos de delinqüentes e estruturas organizadas que desafiam o poder mesmo do Estado.

Qual a sua opinião sobre as Unidades de Polícia Pacificadoras no Rio de Janeiro?


As Unidades de Polícia Pacificadora são uma iniciativa muito recente no Rio de Janeiro, criadas mediante um decreto do início de 2009 e cujo efeito deveria ser submetido à avaliação antes de ser opinado. Contudo, o perfil que define o Decreto 41.650 é o de “uma tropa especializada e tecnicamente preparada para exercer ações de pacificação e manutenção da ordem nas comunidades carentes”, o que sugere, além da premissa de risco que se outorga aos seus membros, um perfil de “ocupação tática” para expulsar (ou para conseguir desalojar) outras forças ilegítimas, como comandos do narcotráfico ou paramilitares, e nesse sentido é difícil imaginar que perfil de resolução capilarizada de conflitos poderia desempenhar. Poderia se tratar de um rótulo que esconde um desempenho baseado no desdobramento simbólico e altamente ostensivo da Polícia Militar, a fim de gerar imagens de ‘segurança e controle de espaços’ que tenham sido confiscados para o Estado em muitas das áreas urbanas mais pobres do país.

Fonte: Comunidade Segura

http://www.comunidadesegura.org.br/pt-br/MATERIA-Premissa-basica-policial-diminuir-o-uso-da-forca