Foto: Reuters / Sérgio Moraes

sábado, 12 de dezembro de 2009

Ponto final na guerra contra as drogas
Bastar dizer a Jack Cole o número de andares que ele vai percorrer em um elevador, com uma determinada companhia, para que ele já visualize e planeje um futuro próximo. Ele prevê quanto tempo pode durar uma dessas conversas triviais e assegura: “se são mais de oito andares, sei que posso sensibilizar alguém com meus argumentos. Mais de 12, posso garantir que consigo convencê-lo”.
Talvez essa perspicácia seja herança dos mais de 26 anos dedicados à polícia do estado de Nova Jersey, nos Estados Unidos. Cole procura pessoas para desafiar e as tem encontrado mais fácil e rapidamente do que imaginava. Há sete anos, algumas dessas pessoas se juntaram a Cole e fundaram a Law Enforcement Against Prohibition (Polícia contra a proibição, em tradução livre), a Leap.
“Menos de 1% dos oficiais de polícia dos quais nos aproximamos se negam a falar com membros da Leap. Após uma conversa de três a cinco minutos, 80% acabam concordando conosco e somente 6% querem ir adiante com a guerra às drogas”, explica Cole. “Todos estão tão preocupados em ser ou não tachados de flexíveis e bonzinhos no combate às drogas que somente um pequeno punhado desses oficiais se lembra de que existem, no seu próprio departamento, outros seres humanos que pensam de forma parecida e para quem eles podem expor suas opiniões”.
Antes de fundar a Leap, Cole estava comprometido com uma batalha que ele gostaria de ver terminada. “A guerra às drogas é uma política falha, um desastre que se perpetua e cresce constantemente. Mas não dou mais que dez anos para isso tudo acabar”, avalia. Cole era um policial novato quando as políticas de repressão às drogas explodiram nos EUA e foi escolhido para fazer um trabalho secreto. Sua missão: arrancar pela raiz o mal que os traficantes de drogas representavam.
Quando esse confronto declarado começou, percebeu-se um inchaço súbito de pessoal na polícia. E Cole sentiu isso na pele. “Meu próprio departamento cresceu 11 vezes de um dia para o outro: de sete homens passamos a um escritório de narcóticos com 76 pessoas. Éramos julgados pelo número de prisões que fazíamos e havia a expectativa de resultados em torno de nosso trabalho – naturalmente, para manter a renovação do financiamento anual renovado”.
Uma enorme mentira
O que aconteceu nos anos seguintes direcionou Cole a uma conversão pessoal, que o levou a fundar a Leap após sua aposentadoria. A organização tem voz ativa contra a guerra às drogas e evoluiu para um grupo crescente de dissidentes nos bastidores da polícia, incluindo oficiais de todos os escalões e instâncias – federal, estadual e local –, além da Drug Enforcement Administration e agentes do FBI, juízes e promotores.
Em sete anos, a organização evoluiu para 15 mil membros, todos a favor da legalização das drogas. Oitenta e cinco porta-vozes da Leap já visitaram todos os estados norte-americanos, exceto o Alaska, e existem ainda membros internacionais em mais 76 países. “É preciso ser um membro atual ou ex-membro da polícia ou do Judiciário para falar, mas qualquer um pode aderir ao grupo”, esclarece Jack Cole.
Ele está convencido de que a guerra às drogas é não só uma “mentira enorme”, como também prestou um desserviço à polícia. “Sabemos que, em 1968, a polícia solucionou 91% dos casos de assassinatos. Hoje temos maior número de policiais por habitante, eles são mais bem preparados, educados e pagos, além de ter mais tecnologia ao seu dispor. Como eles podem estar solucionando menos um terço dos assassinatos atuais?”, indaga Cole.
Apontando que 60% dos estupros e incêndios criminosos; 75% dos assaltos; e 83% dos crimes de propriedade acabam sem solução hoje, Cole acrescenta: “acreditamos que a polícia está gastando tanto tempo perseguindo criminosos de drogas que ela não tem tempo para proteger os cidadãos dos criminosos violentos e dos estupradores de crianças, coisas que realmente contam”.
Guerra atrai mais guerra
Um dos mais nefastos aspectos da guerra às drogas, afirma Cole, foi criar situações de encurralamento, que levaram à perversão da justiça. Pressionados a produzir resultados para manter o financiamento das gigantescas equipes de narcóticos, policiais chegavam a mentir sobre o tamanho e valor das apreensões de drogas. “Se achássemos uma pitada de cocaína e um pouco de uma substância adulteradora, podíamos transformar esse material em mais cocaína, a caminho da delegacia”, revela.
Os resultados das interceptações de drogas divulgados pela mídia rapidamente foram revertidos em propaganda, seduzindo mais e mais pessoas dos guetos a ingressar na indústria das drogas, em busca de altos lucros. Isso iria paulatinamente incentivar o mercado ilegal de drogas, gerando mais prisões e, logo, mais ex-detentos que não encontravam nenhuma alternativa de reinserção a não ser voltar para esse mercado.
Mais do que isso, Cole acredita que a prisão de pessoas por uso de drogas é uma perversão do Sistema Judiciário – ele mesmo contou em torno de mil pessoas por cuja prisão ele foi o responsável. “O porte de alguns cigarros de maconha pode mandar uma pessoa para a cadeia por sete anos e, depois disso, é muito improvável que ela recomece sua vida ou mantenha seu emprego. O único jeito que as pessoas vislumbravam para ganhar dinheiro era vendendo drogas”.
Mesmo com toda essa repressão, que coincidiu com a explosão na população carcerária dos EUA, os números mostraram efeito adverso. “Em 1970, uma boa apreensão seria de 28 gramas de cocaína e sete gramas de heroína. Com o passar do tempo, as drogas foram ficando baratas e mais potentes, de mais fácil acesso para crianças. O preço de atacado da cocaína caiu 60%, da heroína 70%. Em 1970, 2% dos jovens usavam drogas, enquanto hoje esse percentual aumentou para 46%. Se o combate às drogas fosse eficiente, os preços teriam subido e o uso, caído”, disse Cole.
900 mil jovens traficantes
De acordo com o ex-policial, nada está sendo feito para conter a violência e prevenir mortes de pessoas inocentes e crianças. Somente a legalização, em sua opinião, mudaria esse cenário funesto. “As pessoas não morrem de overdose de drogas porque querem se drogar mais. Elas morrem porque não há para elas maneira de saber o que exatamente estão colocando em seus organismos”, tenta explicar. A descriminalização, para ele, não é uma solução, pois “os criminosos ainda achariam que valeria à pena empregar a violência para vender drogas”.
Traficantes de drogas são, para Cole, essencialmente empresários. “Hoje existem 900 mil jovens vendendo drogas a outros jovens – e nenhum deles está vendendo cerveja ou cigarros. Por quê? As drogas são ilegais, temos controle sobre elas, mas não sobre os criminosos”. Ele aponta que quando acabou a proibição do álcool, em 1933, Al Capone e seus capangas saíram do negócio da noite para o dia. “Tanto eles pararam de se matar uns aos outros, pelo comando do lucrativo negócio que tocavam, mas também deixaram de nos matar. Nós, policiais, que tentávamos lutar nessa guerra sem sentido. Sabemos que, se legalizarmos as drogas, podemos terminar de vez com a violência”, ele sentencia.
Igualmente, Cole acredita que a guerra às drogas não previne o vício. “Os dados sobre vício ao uso de drogas são claros: em torno de 1,3% dos usuários são viciados. Isso é tão verdade hoje quanto era há 40 anos, quando essa guerra começou, e também em relação a 1914, antes mesmo da proibição”. Cole acredita que as leis anti-drogas dos Estados Unidos foram estimuladas por uma combinação de capitalismo de mercado competitivo, preconceito racial e intervenção governamental.
Leis racistas para suprimir uso de drogas
O ópio é um desses casos. “Quando os chineses, que vieram para os EUA construir estradas de ferro, se tornaram desnecessários como mão-de-obra, a proibição do ópio foi uma forma de se ter certeza de que esses imigrantes não ameaçariam pegar vagas de populações locais”, disse Cole, que ainda notando que a primeira lei que proibiu o uso de ópio em São Francisco tinha referências explícitas aos chinamen.
A dúvida permanece: o que teria estimulado essa mudança de atitude na política de drogas? Exemplos são inúmeros: o prefeito de Newark acredita que “a guerra às drogas está destruindo a cidade porque causa, e não resolve, o problema do crime”. Já para o prefeito de São Francisco, “se pretende-se acabar com 70% do crime dos EUA, é preciso acabar com a guerra às drogas e tratar o abuso de drogas como um problema de saúde pública”. Seriam todas essas manifestações parte do novo clima político causado pela administração Obama?
“Não”, Cole responde, “o governo federal sempre ficou afastado disso, essa mudança tem a ver com uma mudança de consciência. E está vindo à tona graças ao trabalho de pessoas como nós, membros da Leap, que temos legitimidade para discutir essa questão de dentro”. Ele compara a atual conjuntura ao momento em que os veteranos de guerra do Vietnã começaram a se expressar contra a guerra. “A partir daí, a guerra simplesmente parou de ter sentido”.
Tradução: Mariana Mello
Fonte: Comunidade Segura

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

'A segurança está tão pequena que nós estamos presos em casa e os bandidos estão soltos'

Após protesto, Vila Velha promete aumentar videomonitoramento
10/12/2009 - 19h15 (Eduardo Fachetti - gazeta online)
'A segurança está tão pequena que nós estamos presos em casa e os bandidos estão soltos'. O desabafo da moradora da Praia da Costa Marlene Weber resume um sentimento quase que geral de quem convive com a violência diariamente. Na tarde desta quinta-feira (10), ela e outros 60 manifestantes tomaram o cruzamento da Avenida Hugo Musso com a rua Alda Siqueira Mota em protesto contra o aumento de andarilhos, sem teto e viciados em drogas nas ruas internas do bairro.
A indignação parece ter surtido efeito. As ruas da Praia da Costa, Itaparica e Itapoã deverão receber, até dezembro de 2012, cerca de 500 câmeras de videomonitoramento. A expectativa é do secretário de Defesa Social do município, Ledir Porto, que na tarde desta quinta-feira (10), compareceu ao protesto contra a violência organizado por moradores e empresários da Praia da Costa.
Cerca de 60 manifestantes tomaram o cruzamento da Avenida Hugo Musso com a rua Alda Siqueira Mota. Motoristas que passavam eram incitados a buzinar e a aderirem ao protesto. Na quarta-feira desta semana, os organizadores da manifestação chegaram a dizer que a sensação de criminalidade e violência nas ruas do bairro aumentou após a instalação de câmeras de videomonitoramento na orla.
De acordo com o secretário de Defesa Social, no entanto, haverá investimentos também no sistema para vias internas da cidade. "Estamos licitando a central para 100 câmeras de videomonitoramento e nós vamos ampliar no tempo mais breve possível. Penso que em 30 dias a central já comece essa ampliação. O ideal para todo o município, não sei quantificar, mas seriam mais de mil câmeras, nos pontos estratégicos da cidade. Acredito que seja possível instalar de 300 a 500 câmeras até o fim do mandato do prefeito Neucimar Fraga", ressaltou Ledir Porto.
Insegurança
Entre os manifestantes, muitos reclamavam da sensação de insegurança pelas ruas da Praia da Costa. Eles alegam um aumento considerável no número de andarilhos, pedintes e mendigos que, além de tomarem as calçadas, praticam furtos em lojas e chegam a ficar nus em vias públicas.
A empresária Renata de Souza conta que já foi assaltada várias vezes. "A gente se sente muito inseguro com tudo que vem acontecendo. Eu mesma já fui assaltada quatro vezes em Itapoã e na Praia da Costa. Está horrível andar por aqui, está péssimo mesmo, horrível", disse.
Prefeitura culpa viciados por violência
O secretário Ledir Porto alegou que o aumento de usuários de crack se transformou em um problema crônico não só para Vila Velha, mas para todos os municípios de grande porte. "Em relação aos moradores de rua, eu penso que todo cidadão não deve dar esmolas nos sinais, não dar comida a eles nas ruas, para que eles não sobrevivam desta forma e deve haver uma política pública efetiva de resgate dessas pessoas, coisa que não há em nenhuma cidade do Brasil", ressaltou. O secretário disse ainda que não é possível mensurar uma política local que seja eficaz para atender os viciados, a quem ele atribuiu a autoria dos furtos e assaltos que vêm ocorrendo no município.

Guerra justa para a paz de quem?


Obama recebe Nobel e defende "guerra justa" pela paz


Publicação: 10/12/2009 12:38 Atualização: 10/12/2009 12:52


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu "uma guerra justa" pela paz nesta quinta-feira, ao receber o Prêmio Nobel da Paz em Oslo, na Noruega. Em seu discurso, o presidente americano afirmou que "não traz uma solução definitiva para os problemas da guerra" e citou outros ganhadores do prêmio.


"O que sei é que, para responder a estes desafios, precisaremos da mesma visão, trabalho duro e persistência daqueles homens e mulheres que agiram de forma tão ousada há décadas", disse Obama. "E será necessário que pensemos de uma nova maneira a respeito da ideia de guerra justa e os imperativos de uma paz justa."


"Devemos começar reconhecendo a dura verdade de que não vamos erradicar os conflitos violentos durante nossas vidas. Haverá ocasiões em que nações - agindo individualmente ou juntas - vão achar que o uso da força é não apenas necessário como também moralmente justificável", acrescentou.



Gandhi e King



Citando Martin Luther King, Obama afirmou ser a "testemunha viva da força moral da não violência". "Sei que não há nada de fraqueza, passividade, ingenuidade, nas crenças e nas vidas de Gandhi e King", disse o presidente americano.


"Mas, como chefe de Estado que se comprometeu em proteger e defender minha nação, não posso ser guiado apenas pelos exemplos deles. Encaro o mundo como ele é e não posso perder tempo frente às ameaças ao povo americano."


"Não se enganem: o mal existe no mundo. Um movimento de não violência não poderia ter parado os Exércitos de Hitler. Negociações não podem convencer os líderes da Al-Qaeda a depor suas armas. Afirmar que a força é necessária em algumas ocasiões não é um chamado para o cinismo, é um reconhecimento da história, das imperfeições do homem e dos limites da razão."


"Levanto este ponto pois, em muitos países, existe uma profunda ambivalência a respeito da ação militar atualmente, não importa a causa. Em alguns momentos, a isso se junta uma suspeita reflexiva em relação aos Estados Unidos, a única superpotência militar do mundo."


Em seu discurso de aceitação do prêmio, Obama reconheceu também que a questão mais profunda que cerca a polêmica entrega do prêmio é o fato de ele ser o "comandante de uma nação em meio a duas guerras", referindo-se aos conflitos no Iraque e no Afeganistão.


"Estamos em guerra e sou responsável pelo envio de milhares de jovens americanos para lutar em uma terra distante. Alguns vão matar. Alguns serão mortos. Então, venho aqui com a consciência do custo de um conflito armado - cheio de questões difíceis sobre a relação entre guerra e paz, e nosso esforço para substituir uma pela outra", afirmou. Na semana passada, Obama anunciou o envio de mais 30 mil soldados para o Afeganistão.



Força necessária



Durante o discurso, o presidente americano também afirmou também que "os instrumentos de guerra têm um papel na preservação da paz". "Mas esta verdade precisa coexistir com outra: que, não importa o quanto seja justificada, a guerra promete a tragédia humana", acrescentou.


"A coragem do soldado, e o sacrifício, é cheio de glória, expressa devoção ao país, a uma causa e aos companheiros nas armas. Mas a guerra em si nunca é gloriosa, e nunca devemos proclamá-la como tal."


Para o presidente americano, parte do desafio é conciliar estas duas "verdades irreconciliáveis". "Quando a força é necessária, temos interesse moral e estratégico em obedecer certas regras de conduta", completou Obama. "E mesmo enquanto enfrentamos um adversário cruel que não obedece a nenhuma regra, acredito que os Estados Unidos da América devem continuar como um exemplo na condução da guerra."


Exemplos


Em seu discurso de aceitação do prêmio, Obama também citou outros exemplos, incluindo a líder oposicionista pró-democracia birmanesa Aung San Suu Kyi e os manifestantes de oposição que tomaram as ruas do Irã depois da reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad em junho.


"Prestaremos nosso testemunho à dignidade calma de reformistas como Aung San Suu Kyi; à coragem dos zimbabuanos que votaram em meio a espancamentos, às centenas de milhares que marcharam silenciosamente pelas ruas do Irã", afirmou.


"Isso mostra que os líderes destes governos temem as aspirações de seu próprio povo mais do que o poder de qualquer outra nação. E é responsabilidade de todas as pessoas livres e nações livres deixar claro para estes movimentos que a esperança e a história está do lado deles."


Em uma entrevista coletiva antes da entrega do prêmio, Obama afirmou que outras pessoas merecem mais o Nobel da Paz do que ele e que a notícia do prêmio foi uma "surpresa".


O presidente americano foi agraciado com o prêmio em outubro, por seus "esforços extraordinários para reforçar a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos", segundo os organizadores da premiação.


Mas a decisão chegou a ser bastante criticada por analistas e outros líderes mundiais, que disseram ser inapropriado dar o prêmio ao chefe de uma nação que está envolvida em duas guerras, no Iraque e no Afeganistão.


Fonte: Portal UAI

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Jornal espanhol "El País": Human Rights Watch denuncia ejecuciones extrajudiciales en Brasil

Human Rights Watch denuncia ejecuciones extrajudiciales en Brasil
Las policías de Río de Janeiro y São Paulo matan con impunidad total, según la organización

FRANCHO BARÓN - Río de Janeiro - 08/12/2009


Ejecuciones extrajudiciales frecuentes, grupos de extorsión parapoliciales que actúan a su libre albedrío, informes policiales que omiten información o que directamente falsean la realidad, manipulación de los escenarios de los crímenes, ausencia de investigaciones mínimamente creíbles y, como consecuencia de todo lo anterior, impunidad casi total para los policías que incurren en violaciones flagrantes de los derechos humanos más elementales, como el derecho a la vida. Estas son las constataciones a las que llega Human Rights Watch (HRW) en el contundente informe de 122 páginas divulgado este martes que analiza el enquistado problema de la brutalidad policial en las dos mayores capitales brasileñas. La organización denuncia que las autoridades de Río de Janeiro y São Paulo manejan una lógica errónea de que seguridad pública y respeto a los derechos humanos son prioridades enfrentadas.


No son pocos los informes que ya han denunciado anteriormente el mismo fenómeno. En Río todo el mundo asume que los cuerpos de policía que operan en las favelas no suelen andarse con muchas contemplaciones a la hora de combatir la delincuencia: son habituales los disparos a quemarropa, los registros de viviendas sin orden judicial y los interrogatorios en las mismas favelas y en dudosas situaciones de legalidad. HRW suma a todo lo anterior un fenómeno de máxima gravedad: las ejecuciones extrajudiciales y el encubrimiento de esos asesinatos por parte de los propios cuerpos de seguridad.

"En diciembre de 2006 la policía de Río mató a R.A. en un supuesto episodio de auto de resistencia. Los policías alegaron que dispararon en legítima defensa durante un tiroteo contra un grupo de cuatro hombres al cual R.A. pertenecería. Los policías también declararon que R.A no habría muerto in situ y que ellos habrían intentado salvar su vida llevándolo a un hospital. Sin embargo, la madre de la novia de R.A. contó a HRW que vio a la policía disparándole cuando estaba arrodillado y con las manos en alto, rendido e implorando por su vida", relata el informe titulado "Fuerza letal: Violencia policial y seguridad pública en Río de Janeiro y São Paulo".
El término "auto de resistencia" se usa en Río para definir los casos en los que la policía se ve forzada a matar en legítima defensa. En São Paulo la misma figura se denomina "resistencia seguida de muerte". HRW explica en su informe que los cuerpos de seguridad recurren frecuentemente a estos términos para maquillar sus excesos. Según la organización, cuyo informe analiza una serie de 200 casos de abusos policiales desde 2006, existen pruebas sustanciales para afirmar que 51homicidios respondieron a ejecuciones extrajudiciales a manos de la policía. En todos los casos, los testimonios de testigos presenciales y los laudos forenses apuntan inequívocamente a disparos realizados a quemarropa (a una distancia inferior a 50 cm), en muchos casos por la espalda, en la nuca o directamente en la parte posterior de la cabeza. HRW relata un caso en el que ni siquiera consta en los informes policiales el apellido del policía que efectuó los disparos.

"Una práctica muy frecuente es que tras una confrontación la policía rescate a las personas que ya están muertas con el pretexto de darles auxilio. Las trasladan a los hospitales en los propios coches policiales y después dicen que han muerto por el camino. Algunas de esas víctimas llegan al hospital desnudas y con disparos en el cráneo. ¿Cuál es el objetivo real? Destruir las pruebas y las escenas del crimen. Los forenses nos insisten en que éste es uno de los problemas principales para investigar estos excesos", comenta José Miguel Vivanco, Director de HRW para las Américas.

La organización muestra cifras alarmantes. En 2008 la policía de Río mató a 1.137 personas. En diez áreas de la ciudad que se encontraban bajo el control policial los agentes liquidaron a 825 individuos en presuntos "autos de resistencia", mientras que sólo se contabilizaron 12 bajas de efectivos en esos mismos enfrentamientos. Por cada muerte a manos de los policías se produjeron 23 detenciones. HRW extrapola este dato a EEUU: En 2008 la policía norteamericana arrestó a 37.000 personas por cada muerte en enfrentamientos armados.

Según HRW, lo más sangrante es que los agentes responsables de las ejecuciones ilegales en Río y San Pablo raramente responden ante la justicia. Según muestra el informe, la razón principal para explicar que los agentes eludan sistemáticamente cualquier responsabilidad es que la policía se investiga a sí misma. La fiscalía no cuenta con equipos de investigadores independientes y especializados en violencia policial que permitan dilucidar la verdad de estas violaciones.

Durante la última década en Río de Janeiro se registraron 7.800 denuncias contra policías por presuntas conductas criminales. La fiscalía sólo inició 42 procesos judiciales. Sólo cuatro de ellos culminaron en condena.

Para mejorar esta trágica situación, HRW recomienda a las autoridades de Río y São Paulo que los policías informen de las muertes por "auto de resistencia" inmediatamente después de que éstas se hayan producido. Asimismo se subraya la necesidad de aplicar de manera rigurosa un protocolo de actuación policial en los escenarios de los crímenes y poner en marcha equipos de investigadores que diluciden los casos de violaciones de los derechos más básicos por parte de los policías.


Fonte: El País

http://www.elpais.com/articulo/internacional/Human/Rights/Watch/denuncia/ejecuciones/extrajudiciales/Brasil/elpepuintlat/20091208elpepuint_7/Tes

O novo argumento dos Estados Unidos para prologar a ocupação no Afeganistão. E quanto ao Iraque?

"No es posible derrotar a Al Qaeda sin cazar o matar a Bin Laden"
El general McChrystal y el embajador en Kabul defienden ante el Congreso la nueva estrategia de Obama para Afganistán


AGENCIAS Washington 09/12/2009


Las dos máximas autoridades de Estados Unidos en Afganistán, en el plano militar -el general Stanley McChrystal- y en el diplomático -el embajador en Kabul, Karl W. Eikenberry-, han aparcado sus diferencias para comparecer ante el Congreso estadounidense y respaldar al unísono la nueva estrategia del presidente Barack Obama en el país asiático, que pasa por enviar 30.000 soldados adicionales para doblegar la resistencia de los talibanes y preparar a las autoridades afganas para que asuman el control de su propia seguridad en no más de cinco años. En su comparecencia, McChrystal ha vinculado la victoria contra los talibanes a la muerte o captura de Osama Bin Laden, líder de Al Qaeda.


Pese a que reconoce que Bin Laden se ha convertido ya en un "icono", McChrystal, máximo responsable de los soldados estadounidenses y de la OTAN en Afganistán, entiende que "no podremos derrotar a Al Qaeda definitivamente mientras [Bin Laden] no sea capturado o muerto". El saudí mantiene con su figura la inspiración de muchas células terroristas en todo el mundo. "Creo que en este momento es un icono cuya supervivencia anima a Al Qaeda como una organización franquiciada por todo el mundo", ha declarado el general ante los congresistas. Por ello, pide que se intensifique la lucha para acabar con él. El problema es que nada se sabe de su paradero desde hace años, más allá de sospechas que los sitúan en la región montañosa entre Afganistán y Pakistán.


El general, así como el embajador Eikenberry, han dejado atrás sus diferencias sobre la nueva estrategia del presidente Obama para ganar la guerra en Afganistán. Hace unas semanas, el embajador dudó de la conveniencia de aumentar el contingente militar extranjero. Ahora, ha cambiado de opinión y, al igual que McChrystal, ha vaticinado que, pese a las dificultades, la nueva estrategia frenará en seco la ofensiva talibán en un año. En su comparecencia ante la Comisión de Servicios Armados de la Cámara de Representantes, el general ha defendido el plan de la Casa Blanca aunque ha afirmado que "no hay fórmulas mágicas" para el éxito de la misión que espera al Ejército de Estados Unidos ni caminos fáciles para su conclusión, informa Yolanda Monge.


Resultados en un año


Aún así, McChrystal, que en principio solicitó 40.000 militares más a Obama, ha manifestado su convicción de que el aumento de 30.000 hombres -más los alrededor de 7.000 que han prometido los países de la OTAN- logre revertir el impulso ganado por los talibanes y les impida "el acceso a la población que necesitan para su supervivencia". "Los resultados podrían verse rápidamente", ha dicho McChrystal. En cualquier caso, ha anunciado que si necesita más tropas, no dudará en pedirlas.


"Estoy seguro de que tendremos éxito", ha dicho McChrystal a los congresistas. "El próximo año por estas fechas la ofensiva talibán habrá cesado", ha dicho. "Y para el verano de 2011, el pueblo afgano sabrá que la insurgencia nunca ganará". En su primera comparecencia desde su petición de más tropas para evitar el fracaso militar, el pasado mes de agosto, McChrystal, ha advertido que "el éxito es posible pero no será sencillo".


Lucha contra la corrupción


Las conclusiones de McChrystal han sido respaldadas por Karl W. Eikenberry, embajador de EE UU en Afganistán, inicialmente reacio al envío de más soldados al frente afgano pero que hoy ha expresado en repetidas ocasiones su firme respaldo al plan de Obama de reforzar el despliegue. No obstante, Eikemberry ha advertido de que el éxito no está garantizado y éste dependerá de que los afganos puedan dotarse de suficientes tropas rápidamente y de que los insurgentes dejen de contar con santuarios en la frontera afgana. Hace unas semanas, Eikenberry elevó un informe a Obama en el que expresaba sus dudas sobre el envío de más soldados mientras el Gobierno afgano no hiciera más esfuerzos para atajar la corrupción en sus filas. Hoy ha querido matizar esta postura. "Quiero dejar claro que en ningún momento desde que se inició la revisión de la estrategia me opuse al envío de tropas adicionales a Afganistán".


El embajador en Kabul ha insistido en que la lucha contra la corrupción debe ser una de las prioridades en esta nueva etapa. En este sentido, al igual que McChrystal, ha dicho que la falta de credibilidad del Ejecutivo afgano sigue siendo un gran impedimento para que la estrategia presidencial llegue a buen puerto. "Sin instituciones que estén al servicio de los afganos y funcionarios honestos, Afganistán siempre estará en peligro de regresar a las condiciones que lo convirtieron en un paraíso para los extremistas".

Fonte: El País

http://www.elpais.com/articulo/internacional/posible/derrotar/Qaeda/cazar/matar/Bin/Laden/elpepuint/20091209elpepuint_1/Tes

BBC Brasil: Violência policial pode ofuscar 'brilho emergente' do Brasil, diz jornal


Violência policial pode ofuscar 'brilho emergente' do Brasil, diz jornal


Uma reportagem do jornal espanhol ABC afirma nesta quarta-feira que a violência policial pode ofuscar o "brilho" do Brasil como economia emergente e sede de eventos esportivos internacionais como os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo.


Como outros artigos da imprensa estrangeira, a reportagem notícia o relatório da organização não-governamental Human Rights Watch, que denuncia as execuções extrajudiciais praticadas pelas polícias de Rio e São Paulo.


A ONG calcula que desde 2003 mais de 11 mil pessoas foram mortas em execuções da polícia paulista e fluminense. Grande parte delas entra nas estatísticas de morte "por resistência".
Para o ABC, as estatísticas das duas maiores cidades brasileiras são "comparáveis à dos países em guerra".


"A imagem do Brasil como economia emergente e como sede de grandes eventos esportivos pode perder o seu brilho se o governo não encontrar uma saída para combater a violência de sua própria polícia."

Outros jornais


O tema ganhou espaço também em diversos outros jornais estrangeiros.


Na avaliação do jornal americano The New York Times, o relatório da Human Rights Watch "levanta questões problemáticas" sobre a situação da segurança pública brasileira.


"A segurança no Rio se tornou uma preocupação internacional desde que o Comitê Olímpico Internacional anunciou, em outubro, que a cidade seria sede dos Jogos Olímpicos de 2016", diz o NYT, lembrando a derrubada de um helicóptero da polícia por traficantes duas semanas após a decisão.


A reportagem destaca trechos do relatório no qual a polícia é acusada de fingir que presta socorro aos executados e de retardar a investigação das mortes.


Em declarações ao também americano Washington Post, o porta-voz da ONG diz que as mortes "indicam um problema sério", que é casar essa imagem do Brasil com a de “um país moderno e democrático”.


Segundo o porta-voz, embora autoridades locais e estaduais reconheçam o desafio, "existe no Brasil uma pressão para dar à polícia carta branca para combater o crime violento".


Já o Los Angeles Times afirmou que a "estatística arrepiante" levou a ONG a pedir reformas no sistema.


No artigo, as duas polícias são caracterizadas como "corroídas por corrupção ao estilo da máfia".


Fonte: BBC Brasil


terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Confira as propostas da Conseg de forma interativa no site do Estadão.

As propostas da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública
Encontro em Brasília reúne especialistas em segurança pública para consolidar mudanças na política nacional do setor. Entenda quais propostas estão em discussão

Confira de forma interativa no site do Estadão as propostas do Conseg (Congresso Nacional de Segurança Pública) realizado em Brasília.

Link:

http://www.estadao.com.br/especiais/as-propostas-da-1-conferencia-nacional-de-seguranca-publica,69290.htm

Polícias de SP e RJ matam mais que a da África do Sul, diz ONG



terça-feira, 8 de dezembro de 2009, 11:12 Online

Polícias de SP e RJ matam mais que a da África do Sul, diz ONG
Para Human Rights Watch, muitos casos de resistência seguida de morte são execuções extrajudiciais.


Da BBC Brasil em São Paulo - Um relatório divulgado nesta terça-feira pela organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch revela que, em 2008, as polícias do Rio e de São Paulo mataram juntas 1.534 pessoas, número maior que o registrado em toda a África do Sul, país com taxa de homicídios mais alta que a dos dois Estados brasileiros.
No país africano, a polícia matou 468 pessoas (o cálculo sul-africano leva em conta o ano fiscal, de abril de 2008 a março de 2009). Nos Estados Unidos, país com nível de violência policial considerado alto, 371 pessoas foram mortas pela polícia em 2008.
O relatório Força Letal: Violência Policial e Segurança Pública no Rio de Janeiro e em São Paulo afirma que parte "substancial" dos mais de 11 mil casos de resistência seguida de morte registrados nos Estados do Rio e de São Paulo desde 2003 podem ter sido, na verdade, execuções extrajudiciais.
Os casos de resistência seguida de morte (ou autos de resistência) se referem a mortes cometidas por policiais em confrontos em que supostos suspeitos de crimes resistem à prisão.
"Em quase todos os casos no Rio e em São Paulo nos quais policiais mataram pessoas enquanto estavam em serviço, os agentes envolvidos relataram as mortes como atos de legítima defesa e afirmaram ter atirado somente em resposta a tiros disparados pelos susspeitos", diz o relatório Força Letal: Violência Policial e Segurança Pública no Rio de Janeiro e em São Paulo.
"Dado que os policiais em ambos os Estados frequentemente enfrentam ameaças reais de violência por parte de membros de gangues, muitos desses 'autos de resistência' são provavelmente resultado do uso legítimo de força por parte da polícia. Muitos outros, no entanto, claramente não sao", afirma o texto.
Letalidade
O relatório é resultado de uma investigação de dois anos A Human Rights Watch examinou 51 casos em que afirma ter "evidências" de que os mortos em autos de resistência "foram na verdade vítimas de execuções extrajudiciais".
O documento de 122 páginas usa estatísticas oficias para comparar o índice de letalidade desses confrontos nos dois Estados brasileiros, na África do Sul e nos Estados Unidos.
Em entrevista à BBC Brasil, o autor do estudo, Fernando Delgado, disse que a escolha dos dois países para comparação foi feita porque "tanto África do Sul quanto Estados Unidos também encaram um nível de violência policial bastante alto".
Segundo o relatório, em 2008 a polícia do Rio prendeu 23 pessoas para cada morte em autos de resistência. Em São Paulo, foram 348 prisões para cada morte. Nos Estados Unidos, essa média é de 37 mil prisões para cada caso de resistência seguida de morte.
No relatório, a organização afirma que os policiais responsáveis por homicídios ilegais raramente são levados à Justiça e que o principal motivo é o fato de o sistema judicial em ambos os Estados se apoiar quase iteiramente em investigadores policiais para resolver esses casos.
"O problema no Rio e em São Paulo persiste porque a equação básica permanece", disse Delgado à BBC Brasil. "À polícia é dada a responsabilidade para investigar esses casos de abuso policial, o que é uma receita para a continuação do abuso."
A Human Rights Watch afirma que, além dos muitos casos de resistência seguida de morte, há centenas de outros homicídios atribuídos a policiais fora de serviço, como parte de milícias no Rio e grupos de extermínio em São Paulo.
A organização diz ainda que policiais "frequentemente" agem para encobrir "a verdadeira natureza" dos casos de resistência seguida de morte.
Recomendações
"Enquanto forem deixadas para a própria polícia, essas execuções continuarão sem verificação e os esforços legítimos para conter as violência em ambos os Estados sofrerão", disse o diretor da Human Rights Watch para as Américas, José Miguel Vivanco.
"A execução extrajudicial de suspeitos de crimes não é a resposta para os crimes violentos. Os moradores do Rio e de São Paulo precisam de mais policiamento efetivo, não de mais violência por parte da polícia."
Segundo o autor do relatório, o documento já foi entregue ao governador do Rio, Sérgio Cabral, e será também entregue ao governo de São Paulo.
A Human Rights Watch recomenda às autoridades a criação de unidades especializadas para investigar esse tipo de crime e garantir que os policiais responsáveis por execuções extrajudiciais sejam levados à Justiça.
O documento também sugere que os casos de resistência seguida de morte sejam notificados imediatamente.
Recomenta ainda que seja estabelecido um protocolo de ação para impedir que policiais possam usar técnicas de acobertamento nesses casos, e que essas técnicas sejam investigadas e os policiais nelas envolvidos punidos. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
Fonte: Estadão On Line

Número de morte causada pela PM cresce 57% em SP

Número de morte causada pela PM cresce 57% em SP
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009, 08:21 Online
AE - Agencia Estado
SÃO PAULO - Os casos das chamadas "resistências seguidas de morte", ocorrências em que policiais cometem homicídios depois de supostos confrontos com as vítimas, cresceram em todos os meses desde março deste ano no Estado de São Paulo, quando o secretário de Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, assumiu o cargo.
Nos oito primeiros meses da atual gestão, o total de mortes por supostas resistências contra policiais militares foi de 378 - valor 57% maior do que o verificado no mesmo período do ano passado. Nos dois primeiros meses do ano, quando o secretário ainda era o advogado criminalista Ronaldo Marzagão, o número de mortes foi menor do que o registrado no mesmo período do ano anterior.
O total de 499 casos de resistência contabilizados até outubro envolvendo a polícia já é 34% maior do que o dos 12 meses do ano passado (431). Só em outubro foram 60 ocorrências, número quase três vezes maior do que o registrado no mesmo mês de 2008 (21).
Caso o ritmo seja mantido, depois de dois anos com registros na casa das 430 ocorrências, este ano deve fechar próximo ao total de 576 mortes de 2006, ano que ficou marcado pelo confronto entre a polícia e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). "O crescimento da letalidade de policiais militares é hoje a principal preocupação da Ouvidoria", afirma o ouvidor da Polícia, Luiz Gonzaga Dantas.
Plano de redução
Para tentar diminuir esse tipo de ocorrência, a Ouvidoria da Polícia passou a se reunir com dez entidades de direitos humanos para elaborar um plano que ajude a reduzir as mortes praticadas por PMs. Integrantes do grupo acreditam que a indenização e o ressarcimento financeiro dos parentes do morto pode ser uma forma de pressionar o Estado.
Eles também pretendem chamar o governo para discutir um novo padrão de registro dos casos de resistência nos boletins de ocorrência (BO). Atualmente, como regra, na hora de preencher o documento, o suposto crime praticado pela vítima (crime contra a administração pública, roubo, entre outros) é priorizado.
O homicídio da polícia costuma ser citado quase como uma nota de rodapé. "E é normalmente essa informação do BO dada pelos próprios policiais que embasa todo o processo, o que acaba facilitando o arquivamento dos casos", diz o advogado Renato De Vitto, presidente da Comissão de Justiça e Segurança Pública do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais.
Iniciativas
Ao mesmo tempo em que o Estado comemora uma redução de 70,2% nos casos de assassinatos entre 1999 e o ano passado, a polícia não consegue reduzir os seus índices de letalidade. Isso fez com que a proporção de mortes cometidas pela corporação em relação ao total de homicídios passasse de 3,68% em 2001 para 11,12% este ano. "Nossa referência não pode ser a polícia do Rio, caso único no mundo. A mesma ousadia que levou São Paulo a conseguir reduzir os índices de homicídios deve ser usada para reduzir a letalidade policial", afirma o advogado Denis Mizne, diretor executivo do Sou da Paz.
A comunicação da Polícia Militar cita, por meio de nota, diversas iniciativas usadas para diminuir a letalidade: reforço de treinamento e técnicas não letais de enfrentamento; investigação dos casos de resistência pela Corregedoria; submissão da análise psicológica daqueles que se envolvem em tiroteios; investimento em equipamentos não letais, como cassetete, munição de borracha e armas de paralisação por descarga elétrica. "A maioria dos confrontos deriva de abordagens e do acompanhamento nos casos de roubos. Dos que entraram em confronto, 50% foram presos ilesos ou feridos", diz a nota. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão On Line

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Ex-prefeito de New York, Rudolph Giuliani, para prestar consultoria na área de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro

A boa, melhor, ótima notícia da contratação do ex-prefeito de New York, Rudolph Giuliani, para prestar consultoria na área de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro é digna de elogio e apoio. Enquanto no maravilhoso Estado do Espirito Santo o Secretário de Segurança se aventura na literatura barata escrevendo um livro que critica a polícia que ele deveria por obrigação investir e torná-la melhor, o senhor Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, investe em conhecimento, tecnologia e experiência para resolver o problema.
Lamento que essa iniciativa tenha surgido em função dos grandes eventos esportivos que o Brasil, e em especial o Rio de Janeiro, irá sediar enquanto ela deveria ter surgido pelo bem social. Mas não é inteligente nesse momento de lucidez focar no atraso da medida e sim na iniciativa da medida. O governador do Rio de Janeiro e sua equipe estão de parabéns. Não se inverte um quadro de altos índices de criminalidade e de uma estrutura de segurança pública sucateada sem determinação, inteligência, objetividade e investimento.
Investir na segurança pública é investir nas polícias, na educação, nos presídios, na justiça, no saneamento básico, na urbanização, no sistema de saúde com medidas transformadoras que proporcionem ações profundas e reformas modernas e permanentes. Antigas estruturas precisam dar lugar a novas idéias.
Que o atual sistema de segurança pública no Brasil está clamando por mudanças é fato. A sociedade, assim com o próprio sistema, não suporta mais mudanças políticas de remendo que não resolvem o problema da criminalidade e da prestação dos serviços policiais estaduais. Que o objetivo do Governo do Rio de Janeiro seja ir além dos jogos esportivos, seja fazer da capital carioca uma referência mundial de sucesso na segurança pública deixando para o passado o medo e a desordem.
Que a contratação de Rudolph Giuliani seja um investimento também para o Brasil.
03/12/2009 - 19h14
Ex-prefeito de NY vai ajudar Rio na segurança de Copa e Olimpíada
DIANA BRITO
colaboração para a Folha Online, no Rio
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, afirmou na tarde desta quinta-feira que vai contratar a consultoria do ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, para auxiliar o Estado em ações de segurança pública. Segundo Cabral, a contratação é válida principalmente devido aos Jogos Mundiais Militares-2011, à Copa do Mundo-2014 e aos Jogos Olímpicos-2016.
"O prefeito Giuliani já esteve conosco uma vez, quando conheceu a experiência da Polícia Pacificadora no Dona Marta. Ele tem uma equipe de profissionais que tem dado consultoria no mundo inteiro para eventos, administrações públicas ou companhias privadas, e vou contratá-lo para reforçar o nosso trabalho de segurança pública", afirmou em nota o governador.
Cabral ainda disse que uma equipe de consultores do ex-prefeito de Nova York vai manter contato com o governo para conhecer melhor a realidade do Rio. Cabral afirmou que, dentro de um mês, Giuliani deverá apresentar uma proposta de consultoria a ser contratada.

"Ele [Giuliani] é um grande especialista no assunto [de segurança pública]. Pegou Nova York com índices altíssimos de criminalidade e entregou a cidade com índices extraordinários para a população, o que o consagrou como o grande prefeito da história de Nova York", disse Cabral.
De acordo com o governador do Rio, Giuliani deverá vir de quatro a cinco vezes por ano ao Rio para acompanhar as atividades de sua equipe e dar palestras. Pelo governo do estado, ficarão responsáveis pela troca de informações e pelo acompanhamento do trabalho o secretário-chefe de Estado da Casa Civil, Regis Fichtner, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, e o subsecretário de Segurança, Roberto Sá.
Visita à escola de favela
Giuliani visitou no final da manhã desta quinta-feira a escola municipal Afonso Várzea, na rua Itaoca, um dos acessos ao complexo do Alemão, em Bonsucesso, zona norte do Rio.

Conhecido por implantar a polícia de Tolerância Zero, que reduziu o crime em Nova York em 57% entre 1994 e 2002, o político americano veio ao Rio para participar de um evento privado, dar palestras à Guarda Municipal e conhecer o projeto "Escolas do Amanhã", implementado em 150 escolas públicas localizadas em áreas carentes da cidade.

"O Rio tem que fazer como Nova York: focar nas pequenas ações. Os pequenos delitos devem ser reprimidos para que eles não se transformem em algo maior. Projetos como esses podem ajudar a diminuir a violência", afirmou o ex-prefeito.

De acordo com a secretária de Educação, Claudia Costin, Giuliani quis conhecer o projeto que atende moradores do complexo do Alemão para saber como a cidade lida com as crianças carentes. Costin afirmou que o principal objetivo do projeto, que foi implantado nas 150 escolas do município, é combater a evasão escolar em áreas consideradas de risco através de aulas em período integral com oficinas de atividades culturais e esportivas.

"Essa evasão é consequência da violência que pode influenciar na maneira dos alunos enxergarem os estudos", disse.
Evasão Escolar
A Secretaria de Educação informou que as 150 escolas que receberam o projeto possuem o dobro da evasão escolar das 1.064 unidades da cidade. Segundo o órgão, a cada 100 alunos, em média 5,2 abandonam a escola por ano nas unidades localizadas em áreas consideradas de risco, enquanto 2,6 crianças e adolescentes abandonam nas outras unidades.
Fonte: Folha Online

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Matéria da revista Veja diz que é necessário enfrentar o problema de segurança pública para vencer o crime no Brasil

Sem medo da verdade
Ronaldo França
A polícia é despreparada, mal equipada, mal remunerada, e a corrupção grassa nas corporações. A avaliação é dos próprios policiais, em pesquisa exclusiva para VEJA. Na coragem de pôr o dedo na ferida está a chave para vencer o crime no Brasil
Um assassinato a cada doze minutos. É esse o ritmo da tragédia brasileira. É o número por trás da atmosfera de medo que domina as ruas de todas as grandes cidades do país. Ele se traduz em 45.000 homicídios por ano. E vem dramaticamente acompanhado de uma quantidade igualmente estratosférica de todos os outros tipos de crime, como assaltos, roubos a residências ou estupros. Esse conjunto nefasto empurra os cidadãos para dentro de casa, afastando-os das ruas e praças, que ficam à mercê dos bandidos. O medo mina o ambiente nas cidades, nos negócios, afasta investimentos e traz enormes prejuízos às famílias. Encarar essa questão é uma das emergências do país. O Brasil já se mostrou capaz de resolver problemas aparentemente insolúveis. Venceu a inflação supersônica, na década passada, para se tornar uma liderança entre as economias emergentes deste início do século XXI; com sua disciplina econômica, foi dos primeiros países a se distanciar do vórtice da crise financeira mundial. Não é possível que não consiga lidar também com o problema da criminalidade e combater a inépcia de suas polícias. Não mais.
A essa constatação, segue-se uma indagação inevitável. O que falta às polícias brasileiras para que consigam restaurar um nível civilizatório de segurança nas cidades? A resposta a essa questão, tratada ao longo das dezesseis páginas desta reportagem especial, começa a emergir da pesquisa CNT/Sensus, feita a pedido de VEJA. O principal mérito do levantamento é colocar frente a frente a opinião de uma polícia sobre a outra – e também sobre os problemas que enfrentam em suas próprias corporações. Algo assim nunca foi feito no país. Principalmente porque a pesquisa foi elaborada com a melhor metodologia, a mesma usada em eleições presidenciais. Foram ouvidos policiais de cinco cidades – São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Recife e Brasília. Juntas, elas abrigam mais da metade da população das capitais brasileiras e sediam regiões metropolitanas que sintetizam os principais problemas das cidades do país. A empreitada teve apoio das secretarias de Segurança. O confronto das visões dos integrantes das duas instituições traz revelações importantes.
A profundidade dos tentáculos da corrupção no aparato policial começa a ser exposta: existe "muita corrupção" na Polícia Civil para 10% dos policiais militares de Brasília, o menor porcentual, e 46% no Rio de Janeiro, o pior de todos. Na média das opiniões das polícias Civil e Militar, o porcentual dos que admitem a existência da corrupção aproxima-se dos 90% nas cinco capitais.

É elevada a quantidade de policiais que afirmam haver práticas de tortura em "ambas as corporações". E nesse ponto ninguém fica bem. São Paulo e Brasília, os menos mal cotados, apresentam índices de 17% e 16%, apontando para a gravidade do problema.

A polícia do Distrito Federal, cujos salários são os mais altos do país, desponta na primeira colocação na maioria dos quesitos.

O Rio de Janeiro é o mais mal avaliado. Perguntados sobre a qualidade em aspectos fundamentais como seleção de pessoal, policiamento ostensivo, os militares foram extremamente severos. O Rio fica em última posição entre as capitais pesquisadas.
O mérito do levantamento realizado agora é dar nome aos bois e pôr o dedo na ferida como nunca foi feito. O costume de avaliar polícias sempre de maneira pretensamente abrangente incorre no vício do coletivismo, que despreza o essencial: elas são compostas de indivíduos que, como todos, querem progredir e construir o melhor para a vida deles. É esse um dos principais achados da pesquisa. Críticos em relação a seu trabalho, os policiais querem ser mais bem treinados e consideram que as chefias e a gestão administrativa deixam a desejar. Sentem-se desmotivados, ressentem-se da constatação de que a sociedade brasileira não confia neles, e reclamam do escasso investimento profissional. São ainda mais críticos do que a população em geral quando o assunto é a propina, a praga que deteriora o ambiente nas cidades e põe em risco a vida de quem leva a sério a tarefa de fazer cumprir a lei. Sim, porque a corrupção arma emboscadas.
O major da Polícia Militar do Rio de Janeiro Elmo Moreira, 48 anos, já deparou com situação assim. Durante os dezesseis anos em que serviu no Batalhão de Operações Especiais do Rio de Janeiro, viveu na linha de tiro nos enfrentamentos da polícia com os bandidos cariocas. Acostumado a vencer o medo, assustou-se com um telefonema. Em 1999, estava com sua equipe no alto do Morro do Fogueteiro, uma perigosa favela carioca. Acabara de apreender 350 quilos de cocaína quando tocou seu telefone funcional, cujo número era conhecido apenas por seus subordinados e superiores. Do outro lado da linha, o chefe do tráfico local queria "comprar" de volta a "mercadoria". É assim, como um comércio, que muitos policiais e bandidos veem a ação da polícia do Rio. VEJA entrevistou Moreira em sua casa há nove anos. Ele se aposentou no mês passado, depois de 27 anos de serviço e de ter tido em suas mãos o enorme poder de arrecadação que um oficial da PM desfruta no cotidiano violento de uma cidade sitiada por bandidos. Sua casa, na empobrecida Zona Oeste do Rio, teve apenas os progressos que seu salário de 5 800 reais pode pagar. Nove anos atrás, havia um ar-condicionado pequeno para refrigerar seu quarto e o de seus filhos, ligados por um buraco na parede. Agora já são dois aparelhos, mas as dificuldades da vida permanecem estampadas na modesta casa construída nos fundos do terreno cedido pelo sogro. "Meus filhos levam vida simples, mas a dignidade e a honra de minha família são nosso patrimônio", afirma. É o valor da honestidade. Um oásis no deserto da escassez moral que desidrata a segurança dos cidadãos brasileiros.
Os descalabros ocorrem, sim. Aos montes. Em São Paulo, um secretário adjunto de Segurança foi afastado após denúncias de venda de cargos na direção da Polícia Civil. Em outubro de 2008, Lindemberg Fernandes Alves, de 22 anos, invadiu o apartamento de sua ex-namorada Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, em Santo André. Ele fez reféns a ex-namorada e sua amiga Nayara Silva. A ação da polícia paulista no episódio foi trágica. Depois de mais de 100 horas de negociações, uma invasão desastrada resultou na morte de Eloá. Em Manaus, um policial virou apresentador de programa de TV e mostrava cadáveres que ele mesmo encomendava. Na Polícia Civil do Rio, havia uma quadrilha instalada nos principais postos de comando. O ex-chefe Álvaro Lins foi preso pela Polícia Federal de-pois que se encontraram evidências de corrupção, enriquecimento ilícito e formação de quadrilha, da qual é acusado de ser o líder. Na origem de todos esses fatos está a péssima gestão que se verifica na maioria das polícias brasileiras, cujos comandos ainda acreditam que tudo se resolve com mais policiais e armamento cada vez mais pesado. "A pesquisa mostra um sério problema de gestão. O Brasil tem uma das maiores proporções de policiais por habitante, mas a maioria dos entrevistados considera que seriam necessários mais homens na rua", afirma o ex-secretário nacional de Segurança Pública José Vicente da Silva.
Os serviços de segurança pública custam aos brasileiros 16 bilhões de reais por ano. Se não fosse por todas as outras razões, muito mais importantes, haveria esta a exigir um padrão de qualidade superior. No entanto, é mínimo o nível de satisfação com o serviço pelo qual se paga. Além de ouvir os policiais, a CNT/Sensus fez uma pesquisa com a população, na qual entrevistou 1.000 pessoas em 24 estados. Para 80% dos brasileiros, a situação da violência está fora de controle; e as ações da polícia para acabar com o crime são inadequadas, segundo 53% dos entrevistados. A formação dos policiais está aquém do esperado por 60% das pessoas. É um diagnóstico grave. A população está com medo e confia pouco na polícia (46% das respostas). A vida nas cidades é insegura para um terço dos moradores. E o medo sabota as cidades. Ruas vazias são territórios de gangues. Retomar os espaços urbanos das mãos dos bandidos tem um efeito profilático contra o crime. Mas a operação de desembarque dos brasileiros de volta às suas ruas e praças e aos passeios noturnos não pode ser um ato de coragem individual. Ela tem de ser liderada por suas polícias. Isso só acontecerá se, antes, elas mesmas se libertarem das amarras que sequestram sua eficiência.
Fonte: Revista Veja

Artigo de Julita Lemgruber : UMA POLÍTICA FRACASSADA

Uma mulher de 24 anos levava sua filha no colo, andando pela Favela Kelson, no último final de semana. Foi derrubada com um tiro de fuzil pelas costas e morreu. O bebê de 11 meses também foi baleado e sua vida corre risco. Quem viu a cena diz que a polícia entrou atirando. Polícia ou bandidos, Ana Cristina Costa do Nascimento foi vítima de uma bala perdida e morreu. Um episódio como este provocaria reações indignadas em qualquer país ou cidade do mundo. E no Rio de Janeiro, ouvimos vozes indignadas? Só dos moradores da Kelson.

Desde o último dia 17 de outubro já morreram mais de 40 pessoas nos embates entre a polícia e os traficantes. Todas nas áreas mais pobres desta triste cidade. Quatro delas são “vítimas inocentes”, segundo a própria polícia. E, nesta conta, não somaram a morte de Ana Cristina.

Temos ouvido críticas a um governo que optou pela estratégia do confronto permanente que provoca mortes de todos os lados? Mortes entre os bandidos e entre policiais, inclusive os tripulantes do helicóptero da PM, transformados em “camicases involuntários”, nas palavras do juiz Walter Maierovich? E mortes entre aqueles que não têm condição de morar em outro lugar a não ser nas favelas controladas pelo poder armado do tráfico ou das milícias? Não, não ouvimos vozes indignadas. Ao contrário, só ouvimos vozes que parecem acreditar que violência se combate com violência. Só ouvimos vozes a entoar que nunca antes, em nosso estado, a polícia foi tão firme ou o governo enfrentou os bandidos com tanta disposição.

E, o que é pior: a banalização da morte chegou a tal ponto que muitos já não se emocionam mais com coisa alguma. Ricardo Noblat, nas páginas deste jornal, narrava outro dia que um amigo seu, ao se referir à morte do Evandro do AfroReggae, disse que morria gente todo dia no Rio; logo, por que tanto espanto?

Com a instalação das chamadas Unidades Pacificadoras, particularmente aquelas do Santa Marta e do Leme (porque, afinal de contas, na Cidade de Deus o “sucesso” é discutível e no Batan a iniciativa tem caráter diferenciado), o governo estadual obteve sucesso. No entanto, o marketing foi, no mínimo, exagerado. Afinal de contas, isto é uma gota num oceano de problemas. São 1020 favelas no Rio de Janeiro, a maior parte submetida ao controle armado de traficantes ou de milicianos. Da Maré ao Alemão, da Providência ao Jacaré, da Rocinha ao Borel, do Vidigal ao Juramento, da Vila Aliança à Carobinha, de Camará ao Barbante, as coisas permanecem como sempre estiveram: bandidos armados controlando o território e gerenciando seus negócios, muitas vezes com a conivência da parte corrupta das polícias.

Está mais do que na hora de as autoridades deste estado, incluindo nosso governador, admitirem que a estratégia de combate à criminalidade que aposta no confronto fracassou. Vamos continuar aplaudindo a instalação das Unidades Pacificadoras, sim, mas devemos, enquanto sociedade que não quer apostar na barbárie, condenar uma polícia que continua a invadir favelas sem qualquer planejamento mais criterioso, mantém tiroteio com traficantes durante horas, submetendo populações locais ao pavor, com resultados pífios. Todo mundo sabe que tráfico de drogas existe em qualquer cidade do mundo. O que não se vê em outras cidades do mundo são traficantes e polícia fortemente armados, trocando tiros em vias públicas e áreas residenciais.

Continua-se repetindo como um mantra que isso é necessário para “combater” a criminalidade. Os resultados mostram, ao contrário, que isso só dissemina o terror, incita a sanha de vingança e amplifica a barbárie, sem qualquer efeito visível na redução do tráfico de drogas ou das armas ilegais em circulação.

AUTORA
Julita Lemgruber

Fonte: http://www.ucamcesec.com.br/md_art_texto.php?cod_proj=70&cod_autor=1

domingo, 29 de novembro de 2009

Matéria do ESTADÃO - Federais chefiam a segurança em 17 Estados, mas a violência não cai

Federais chefiam a segurança em 17 Estados, mas a violência não cai
Locais comandados por delegados da PF registraram até aumento no número de assassinatos em 2008
Bruno Paes Manso
Os 17 delegados da Polícia Federal (PF) indicados pelos governadores e pelo Ministério da Justiça para comandar as Secretarias de Segurança Pública ainda não conseguiram obter resultados expressivos na redução da violência nos Estados que comandam. Onze Estados brasileiros com policiais federais na chefia da segurança registraram aumento nos índices de assassinatos em 2008.
O Rio, sob a chefia de segurança do delegado federal José Mariano Beltrame, oriundo do setor de inteligência da PF, voltou a ter neste ano aumento de 8% nos homicídios (dados de setembro), depois de reduzir os índices em 2008. Com Secretarias de Segurança comandadas por policiais federais, Amazonas, Pará e Paraíba registraram as maiores altas de assassinatos no ano passado.
Os dois Estados com as quedas mais consistentes de homicídios - São Paulo e Minas - não aderiam à onda dos federais. "A piora nos homicídios não significa fracasso. A taxa de assassinatos no Amazonas não está entre as mais altas do Brasil. Intensificamos o combate ao narcotráfico nas fronteiras, conseguindo bons resultados na apreensão de drogas. Mas a medida aumentou a disputa territorial entre traficantes e a violência no Estado piorou", explica o delegado federal e secretário de Segurança Pública do Amazonas, Francisco Sá Cavalcante.
O delegado Rodney Miranda, secretário Segurança do Espírito Santo, lembra que os federais foram para alguns dos Estados mais complicados do País. "Ainda enfrentamos o problema do crack, que se intensificou a partir dos anos 2000. São Paulo viveu a crise do crack nos anos 1990 e demorou para lidar com as consequências", diz.
ONDA FEDERAL
Tradicionalmente comandadas por promotores, desembargadores, advogados criminalistas, generais do Exército e políticos, a onda de delegados federais nas chefias das Secretarias Estaduais de Segurança começou timidamente em 2003, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Cavalcante, hoje no Amazonas, foi um dos primeiros cedidos pelo Ministério da Justiça para assumir uma secretaria, quando convidado para o posto em Roraima. Em 2003, ele e o delegado federal Rodney Miranda, enviado ao Espírito Santo, eram os únicos federais em secretarias.
Com o sucesso das operações anticorrupção e a criação de gabinetes de gestão integrada no Estados, unindo as inteligências de instituições estaduais e federais, a onda dos federais começou a avançar. Em 2007, na posse dos novos governadores, cinco delegados federais assumiram as pastas em Rio, Mato Grosso do Sul, Bahia, Pernambuco e Sergipe.
A consolidação do protagonismo da PF veio com a criação do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), em agosto de 2007, destinado a repassar verbas federais para projetos nos Estados. Neste ano, o Pronasci já liberou R$ 900 milhões. "Os federais chegam de fora, não têm vínculos com políticos locais e podem tratar o assunto de forma técnica. Além disso, os secretários têm trânsito fácil com os colegas dos demais Estados e com as autoridades federais", diz o delegado federal e secretário da Defesa Social de Alagoas, José Paulo Rubim Rodrigues.
Homem de confiança do diretor da PF, Luiz Fernando Corrêa, Rubim foi designado em março do ano passado para o Estado mais violento do Brasil. Quando assumiu, os homicídios cresceram 13%, para 66 casos por 100 mil habitantes. Neste ano, porém, até agosto, Alagoas registrava redução de 10% nos índices. "Estamos nos esforçando para dar transparência e efetividade aos registros criminais. Sabendo como e quando as mortes acontecem, teremos mais sucesso na solução dos casos", diz.
Uma das desvantagens dos federais é a inexperiência na gestão de grandes efetivos. "As atividades na PF têm pouco a ver com os desafios de um secretário de Segurança. Eles não têm uma visão do policiamento ostensivo a ser feito e encontram dificuldades em lidar com os comandos de outras corporações", analisa o coronel José Vicente da Silva, que foi secretário nacional de Segurança Pública no governo Fernando Henrique Cardoso. "Por isso os resultados demoram a aparecer."
Fonte: Estadão

sábado, 28 de novembro de 2009

Education on the Holocaust and on Anti-Semitism: An Overview and Analysis of Educational Approaches

Education on the Holocaust and on Anti-Semitism: An Overview and Analysis of Educational Approaches


Date: 13 April 2006, Type: Book


This first part of this book provides an overview of current teaching on the Holocaust in the OSCE participating States, highlighting good practices and recommending areas for strengthening and improving teaching about the Holocaust. The second part presents an analysis of the challenges posed by contemporary forms of anti-Semitism and suggests ways of tackling this subject in education.


Fonte para baixar arquivo: http://www.osce.org/item/18712.html

Combat Anti-Semitism

Teaching Materials to Combat anti-Semitism


Date: 2 April 2007, Type: Book


These teaching materials were developed by ODIHR and the Anne Frank House in Amsterdam, in co-operation with experts from several OSCE participating States.


The materials consist of three parts, each covering a particular aspect of anti-Semitism:


- Part 1 is on the history of anti-Semitism;

- Part 2 covers contemporary forms of anti-Semitism;

- Part 3 looks at anti-Semitism as one of many forms of discrimination.


The materials also include a comprehensive guide for teachers.The materials were designed to allow flexibility to schools and teachers in terms of where to place such subject matter in their curriculum: they could fit easily into such subjects as History, Religious Studies, Literature, Social Studies, or be used on an interdisciplinary basis.


One innovative aspect of this project is that the materials produced are not of the one-size-fits-all variety. Instead, the project partners worked closely with national experts to produce materials specific to the context of each of the pilot countries.


As a result, teachers and students in the Netherlands, for example, will have course books that are not only written in Dutch but also rely on Dutch experiences and examples.


The same is the case for the other countries: Croatia, Denmark, Germany, Lithuania, Poland, Slovakia and Ukraine. Currently ODIHR is co-operating with national experts on customized country versions for Austria, Spain and Sweden.


By way of presenting representative samples, ODIHR provides an English translation of each of the parts - Part 1 of the Lithuanian version, Part 2 of the Polish version, and Part 3 of the Dutch version.
Fonte para baixar arquivo: http://www.osce.org/item/23875.html

Hate Crime (Crime de Ódio)

International Action Against Racism, Xenophobia, Anti-Semitism and Intolerance in the OSCE Region: A Comparative Study




Date: 10 September 2004, Type: Book
This study provides an overview of international efforts to combat racism, xenophobia, anti-Semitism, and intolerance in the OSCE region. It looks specifically at the work of the OSCE's Office for Democratic Institutions and Human Rights, the European Commission against Racism and Intolerance, the European Monitoring Centre on Racism and Xenophobia, and the United Nations Committee on the Elimination of Racial Discrimination/United Nations High Commissioner for Human Rights. Specifically, the study considers ways in which the ODIHR can assume a role that does not unnecessarily duplicate work already being carried out by other organizations, recommending areas where the ODIHR can complement existing efforts in this field.
Fonte para baixar documento:http://www.osce.org/item/13601.html





Preventing and responding to hate crimes

Date: 15 October 2009, Type: Handbook


The purpose of this resource guide is to provide NGOs with clear information about hate crime characteristics and the impact of hate crimes on the stability and security of the community. The prevention and monitoring role of NGOs is illustrated with concrete examples. This publication also indicates how NGOs can support victims and cooperate with the police in raising awareness of the importance of reporting hate crimes.

Fonte para baixar arquivo: http://www.osce.org/item/40781.html

Rentabilidade do CRACK - "os traficantes não querem mais vender maconha, porque com o crack o lucro é mais rápido"




Droga se espalha no Nordeste e Sul do Brasil


Marcionila Teixeira, Paulo de Souza e Samanta Sallum
Publicação: 28/11/2009 08:17



Recife, Natal e Porto Alegre– A disseminação da droga nos grandes centros urbanos do Nordeste e Sul do Brasil mostra a força que o crack conseguiu ganhar nos últimos anos no Brasil. Em Porto Alegre (RS), um dos pontos do tráfico e do consumo da chamada pedra da morte é a Praça México. Em Pernambuco, que está entre os maiores produtores de maconha do país, há cerca de cinco anos a erva vem dividindo cada vez mais espaço com o crack. A droga está disseminada na capital, no interior e até mesmo na zona rural do estado. Apesar disso, não é comum ver pessoas usando as pedras em locais públicos. Sabe-se de denúncias em pontos valorizados da cidade, como a Rua da Aurora, no Centro, e a orla de Boa Viagem, na Zona Sul; e em regiões já conhecidas pelo tráfico de drogas junto a jovens de classe média, como o Bairro do Recife, também no Centro. Segundo a Polícia Civil pernambucana, os dependentes fumam rapidamente, o que impede muitas vezes flagrantes dos transeuntes e da polícia, diferente da maconha, que ainda chama a atenção pelo cheiro.


Em Recife, o uso em público costuma ocorrer com maior frequência nas comunidades pobres, principalmente naquelas dominadas pelo tráfico, como os bairros de Santo Amaro, Ibura, Jordão e Coelhos. No interior, na região conhecida como Polígono da Maconha, uma área que inclui 13 municípios no estado de Pernambuco, também já há efeitos da pedra. A PF acredita que o combate aos plantios da erva tem provocado uma migração das quadrilhas de narcotraficantes para o crack, de lucro bem mais fácil.


Números da Delegacia Especializada de Narcóticos (Denarc) de Natal (RN) mostram gradual aumento nas apreensões de crack feitas nos últimos anos. Enquanto em 2007 foram apreendidos 11,28kg da droga, no ano seguinte, a quantidade foi de 24,53kg. E, de acordo com o delegado titular da unidade policial, Odilon Teodósio, neste ano já têm chegado a 18kg. Enquanto isso, segundo as mesmas estatísticas, as apreensões de maconha e cocaína têm caído. Para o delegado, isso se deve ao fato de o crack ser “bem mais barato, vende e vicia mais rápido”. Para o delegado, o crack já atinge toda a Natal e não existem bairros onde a concentração de venda seja maior. “A questão, na verdade, está nos bairros com maior população e periféricos. Os mais críticos são o das Quintas, Felipe Camarão, Alecrim e um pouco no Vale Dourado.”


O titular da Denarc diz que a diferença alta do preço da cocaína e do crack é que torna essa última uma droga popular. “A cocaína ainda é de elite, por ser muito cara. E os traficantes ainda podem utilizar a cocaína para fazer mais crack. E uma pedra de boa qualidade ainda pode ser transformada em muitas”. Isso faz do crack um entorpecente mais rentável que a maconha, segundo o delegado. Isso também a torna a mais comum. “Este ano estamos com cerca de 200 inquéritos e os de apreensão de crack devem chegar a 180”, comenta. Segundo ele, os traficantes não querem mais vender maconha, porque com o crack o lucro é mais rápido.

Fonte: Portal Uai


Cracolândia - “Quem trabalha aqui já está acostumado com isso. Não tem mais jeito. Os viciados já fazem parte da paisagem"




Usuários de droga em redutos do crack já fazem parte da paisagem urbana


Muitos moradores e comerciantes simplesmente aprenderam a lidar com essa terrível realidade. É assim em São Paulo, Recife (PE), Natal (RN) e Porto Alegre (RS)


Ullisses Campbell - Correio Braziliense
Publicação: 28/11/2009 08:21


São Paulo — Fim de semana em São Paulo é sempre assim. Quem tem oportunidade refugia-se no litoral. Quem não tem passeia pela cidade vazia. O destino preferido é o Centro Histórico da capital. Ruas antigas sem o transito infernal. Com as lojas fechadas, é possível caminhar pela Estação da Luz, Pinacoteca e ver de perto São Jorge sobre o cavalo talhado em bronze, suspenso a mais de 11 metros do chão, em plena Praça Princesa Izabel. Mas ali existe um mundo à parte onde adultos, jovens e crianças vivem pelo crack. Pulverizado no Centro e imediações, a cracolândia 24 horas por dia, sete dias por semana. Dia útil, feriado, dia santo. Não faz diferença. Faça chuva, faça sol, o consumo descarado da “pedra da morte” funciona na cidade mais rica do país há 20 anos.


Segunda-feira, 23 de novembro, 13h30. Calçada da Avenida Duque de Caixas, coração de São Paulo. A vendedora Tereza Peixoto do Amaral, de 34 anos, anda apressada. Ela puxa pelo braço o filho Renan, de 12, que saiu da escola ao meio-dia e tem que ser “despejado” no trem do metrô imediatamente. “Estou no horário de almoço. Tenho apenas uma hora para pegar o meu filho na escola, comer com ele, deixá-lo na estação do metrô para ele ir para casa e eu voltar ao trabalho”, justifica em fração de segundos enquanto caminha apressada.


Entre o trabalho, numa loja de confecção, e a escola do filho, Tereza passa todos os dias por uma calçada na qual há dezenas de jovens sentados em batentes de lojas que não abrem mais. Cada um deles tem um cachimbo de crack na mão e, na hora que o organismo exige um, o fogo do isqueiro acende a pedra que abastece o vício. “Quem trabalha aqui já está acostumado com isso. Não tem mais jeito. Os viciados já fazem parte da paisagem. Se eles forem embora daqui, vai ter gente sentindo falta”, comenta Tereza aos passos rápidos.


Quem ouve a vendedora falando assim fica assustado com a franqueza. Assim como ela, as milhares de pessoas que caminham pela cracolândia passam rapidamente sem dar a mínima. “Os viciados em crack não mexem com ninguém. Quando eles querem roubar vão para outros bairros. O único problema é que eles ficam desidratados de tanto fumar essa porcaria e enchem o saco da gente pedindo água. Com pena, as pessoas acabam dando”, conta a balconista Carmem Tornioli, de 42 anos. Ela trabalha numa farmácia localizada a 20 passos de um ponto em que se concentram 14 viciados.



Efeitos



No grupo que implora por água na farmácia da esquina, está Anderson da Silva, de 21. Seu rosto tem traços finos, olhos claros e cabelos repicados por uma lâmina de barbear. É impossível ver qualquer traço de beleza. O que chama a atenção no rapaz são os dentes apodrecidos e a falta acentuada de tecido adiposo no corpo. Não precisa ser médico para atestar que ele tem pouquíssima ou quase nenhuma gordura no organismo. Seus ossos estão logo sob a pele e, de tão magro, o esqueleto é arriado por falta de sustentação muscular. A pedido da reportagem, Anderson foi até a farmácia em que trabalha dona Carmem e ela deixou ele se pesar. Quando o digital da balança apontou míseros 41kg para o 1,82m de altura de Anderson, Carmem disparou. “Está vendo só. Estou falando. Eles não comem nada. O crack inibe o apetite. Uma ONG dava almoço e jantar para essas pestes. Eles davam duas garfadas e jogavam fora”, conta a balconista.


Anderson fuma crack desde os 12 anos. Já foi preso por tráfico e agora está cumprindo o resto da pena em liberdade. Com medo de voltar para o inferno da cadeia, diz que anda “pianinho”. Ele e o bando de jovens viciados garantem que deixaram de roubar para comprar crack há muito tempo. Para permanecer livre na cracolândia e consumindo a droga em paz, o jovem conta preferir mendigar e limpar vidros dos carros que param no sinal vermelho. “Em duas horas de esmola e mais uma hora no cruzamento da rua, consigo R$ 30. Dá para comprar seis pinos (pedras) e ainda sobra troco.”


Fonte: Portal Uai






Cracolândias


Cracolândias se tornam lugares comuns no país


Luiz Ribeiro, Leonardo Azevedo e Ricardo Beghini
Publicação: 28/11/2009 08:11 Atualização: 28/11/2009 08:31


Pontos de venda de crack em Belo Horizonte e em cidades do interior de Minas Gerais mostram que a expansão da chamada pedra da morte é um desafio nas regiões mais pobres e nos grandes centros urbanos do país. Dados do Centro Mineiro de Toxicomania (CMT), principal estabelecimento público estadual de Minas Gerais para atendimento a dependentes químicos, mostram que, entre os 12.869 atendimentos feitos nos últimos 10 anos, a maior parte dos tratamentos realizados é para dependentes de crack, álcool, maconha e cocaína. A fácil distribuição em vários pontos de venda dos centros urbanos e do interior, segundo especialistas, está ligada ao baixo preço de cada pedra da droga, normalmente variando entre R$ 5 e R$ 10.


Montes Claros – Uma região no Bairro Luz, no Centro de São Paulo, tornou-se conhecida como cracolândia devido à venda e ao consumo da droga. Mas as cracolândias também se espalham pelo interior do país e se repetem em cidades como Montes Claros – quinto maior município de Minas, com 362 mil habitantes. O principal ponto de venda da chamada pedra da morte é o Aglomerado Cidade Cristo Rei, antigo Feijão Semeado, onde a disputa pelos pontos de vendas entre os traficantes fez várias mortes nos últimos anos.


“O crack está dominando Montes Claros. A situação na cidade é alarmante”, afirma o juiz Isaías Caldeira Veloso, da Segunda Vara Criminal de Montes Claros. Segundo ele, além do Feijão Semeado, a droga também é encontrada com facilidade no Bairro Morrinhos, outra parte da cidade que convive com o problema da venda de entorpecentes.


“Mas, para falar a verdade, em menor quantidade, o crack já está sendo vendido em diversos bairros de Montes Claros, onde existem o tráfico e consumo de drogas”, assegura o Isaías Caldeira. “Por ser mais barato, o crack é usado na classe mais baixa. Mas também está na classe média. Várias mães, desesperadas, me procuraram, querendo encaminhar os filhos viciados para a internação. Mas não são sendo encontradas vagas”, diz o magistrado.


Principal polo do Norte de Minas, Montes Claros é o segundo entroncamento rodoviário nacional. “Acredito que a droga que entra aqui vem de São Paulo, da Bahia e outros estados”, revela Isaías Caldeira. A delegada distrital de Montes Claros, Gislanie Veloso Freitas, confirma que, de fato, “o consumo de crack aumentou muito na cidade”. Ela salienta que a droga é mais perigosa do que outras por causa dos seus efeitos. “O efeito do crack é muito rápido. O viciado fica com aquela fissura, querendo mais. Aí, para manter o vício, ele acaba praticando furtos, muitas vezes, dentro da própria casa. Além disso, a pessoa fica violenta e agressiva”, afirma a policial.


Gislaine Veloso ressalta que uma das piores consequências da droga é a desestruturação da família. “Há poucos dias, atendi uma mãe desesperada, que disse que estava sem saber o que fazer com o filho viciado em crack. Ela afirmou que chegou até a pensar em matar o próprio filho por causa das agressões que vinha sofrendo”, relatou a delegada.


Fonte: Portal Uai