Foto: Reuters / Sérgio Moraes

terça-feira, 8 de junho de 2010

PEC 300: Mais um herói morre abandonado pelo Estado

Venho denunciar a morte de mais um herói da nação brasileira. Dessa vez foi o valoroso brigadiano Juliano Gubert, 32 anos, que, mesmo ganhando salário de fome (cerca de R$ 1.000,00) levou aos extremos o juramento ofertado para defender a sociedade gaúcha, e durante uma operação com o fito de capturar uma quadrilha de assaltantes em Gramado dos Loureiros, no norte do Estado, teve a sua vida ceifada.

Um trabalhador de segurança pública que se especializa quase um ano em um centro de formação para se tornar um gerenciador de conflitos, alguém que está preparado para decidir na hora algo que a justiça brasileira demora anos para julgar.

E vai às ruas da sociedade brasileira todos os dias, incansavelmente, defendê-la, sem, no entanto, ser dado a ele um mínimo de dignidade por tanto desprovimento.

Estou falando de um segmento que está padecendo no Brasil e que agora tem a oportunidade de ser reconhecido pelo tanto que faz através da PEC 300. Mas esse governo solapador não quer isso. Quer empurrar para debaixo do tapete o piso salarial nacional. A única oportunidade de vermos um Estado resgatando o valor que representa os guardiões da paz.

Esse governo solapador será lembrado por muitas coisas, mas será lembrado especialmente pelo governo que teve a oportunidade de resolver a questão dos baixos salários dos bombeiros e policiais e não o fez.

O governo age de maneira hipócrita e sórdida quando se utiliza de falsas remunerações como as famigeradas "bolsas" para escamotear irrisórios salários. Os trabalhadores de segurança pública não querem ser tratados como "pedintes". Bombeiros e policiais querem ser tratados com respeito.

Rios de dinheiro são depositados em contas de outros países numa tentativa tresloucada de elevar o Brasil a uma condição “megalonanica” já que até uma simples criança sabe que de nada vai servir estarmos nos colocando como grande potência mundial se os nossos problemas mais basilares como segurança pública, saneamento, saúde e educação colocam a nossa nação nas últimas colocações.

68 novas embaixadas e consulados foram abertas em diversos países e “republiquetas” para dar vazão a esse sentimento de “gigantismo atrofiado”. Para que vai servir tudo isso se a nação está padecendo?

Países como a Bolívia, que patrocina a pasta da coca, que é encaminhada para o Brasil através da Rodovia “transcocaleira” (rodovia financiada com dinheiro do contribuinte brasileiro) usada para fazer o mal do século, o “crack”, que está dizimando os lares brasileiros invadem empresas brasileiras e descumprem acordos comerciais com o Brasil e o governo ainda os trata como aliados. Que país é esse?

Quantos milhares de reais estão sendo despejados em países que desrespeitam os direitos humanos. Dinheiro do contribuinte. E com qual objetivo? Até dinheiro no FMI o governo gastador despejou.

E a segurança pública? Causa-me espanto a contradição desse governo, pois até recentemente, quando o então Ministro da Justiça, Tarso Genro, declarou em diversos jornais e telejornais a criação do piso salarial nacional para os bombeiros e policiais, chegando até a falar no valor de R$ 3.200,00, alusão ao salário que já é pago pelo governo petista Marcelo Déda aos trabalhadores de segurança pública do Estado de Sergipe.

E agora surge no cenário o Secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, puxando brasa para a sardinha desse governo mentiroso, dizendo que aprovar o piso salarial nacional cria um desconforto fiscal. E, casuísticamente, fala de números que ele mesmo desconhece ao afirmar que o montante anual será de R$ 25,8 bilhões.

Desconforto fiscal criou a INFRAERO ao embolsar o dinheiro do contribuinte capixaba e tentar fazer no braço o Aeroporto de Vitória. Isso é legitimamente um caso de polícia usar dinheiro do contribuinte para fazer caixa de campanha. Até hoje, em se falando de aeroporto, ficamos a “ver navios.”

Iremos ao Supremo Tribunal Federal se a PEC 300 não for votada. A intervenção já aconteceu dentro do legislativo federal mas foi por conta do executivo intromissor. Agora, caberá ao STF lembrar à nação brasileira que democracia rima com harmonia dos três poderes. E essa harmonia foi quebrada faz tempo.

Fonte: Blog do Capitão Assumção
http://www.capitaoassumcao.com/2010/06/pec-300-mais-um-heroi-morre-abandonado.html

Ricardo Balestreri defende ciclo completo mitigado

Durante o 2º Congresso Nacional de Oficiais Militares Estaduais (CONAME), o Secretário Nacional de Segurança pública, Ricardo Balestreri, defendeu o ciclo completo mitigado – manter os crimes de maior gravidade com a polícia civil e os crimes chamados ordinários, com o ciclo completo, com a polícia militar.

"Com o ciclo completo tradicional, as duas polícias realizariam o mesmo papel na mesma área e isso não daria certo. Haveria confronto. E nós já temos um confronto entre as polícias brasileiras em pleno desenvolvimento. A minha posição é boa para as duas polícias, civil e militar", enfatiza Balestreri

"Tenho certeza também que nos próximos anos haverá uma grande reforma no sistema brasileiro de segurança pública. Mas se nós não fizermos essa reforma, algum aventureiro fundamentado em senso comum a fará", comenta Balestreri.

Segundo o secretário, existem dois campos tragicamente promissores para essa reforma. O primeiro campo é a chamada reforma da desconstitucionalização da segurança. "A reforma da desconstitucionalização está às portas, prestes a ocorrer. No Brasil, que é um país onde o Estado surgiu antes da nação, seria, do meu ponto de vista, uma tragédia. Não temos uma forte cultura nacional para enfrentar a fragmentação da desconstitucionalização. Se essa reforma acontecer, nós vamos acordar com 500 ou 600 polícias no país, e haja descontrole ou controle para isso. Ninguém segura. Seria o mesmo que construir guardas pretorianos de políticos muitas vezes corruptos e violentos", diz.

De acordo com Balestreri, o segundo campo é a ameaça da unificação. "Unificar as polícias também seria provocar uma desconstitucionalização. Unificação, é tentar forçar um casal que se odeia a conviver sob o mesmo teto. Colado ao discurso de unificação está o discurso anti-militarista. Tire a polícia militar de cena para ver o que acontece com a segurança pública. Tire de cena os mais de 500 mil homens que temos para ver o que acontece. Essas duas reformas, desconstitucionalização e unificação, que estão às portas são dois perigos para a segurança pública brasileira", enfatiza.

Para Balestreri, o ciclo mitigado é uma solução emergente. "Mesmo com o divórcio das polícias eu proponho um sistema de integração possível. Eu não quero as duas polícias competindo no mesmo nível. Temos que trabalhar com patamares de criminalidade. É uma solução para as polícias e para a comunidade", fala.


Fonte: CONAME
http://www.conamebrasil.com.br/html/coname.php?pag=noticias

Policiais querem desmilitarização da PM

Mais da metade dos 64.130 ouvidos reclama de hierarquia rígida; desrespeito e humilhação também são denunciados por maioria deles

MARIANA DESIDÉRIO

da Prima Pagina

O formato atual da Polícia Militar, caracterizado pela hierarquia rígida e numerosa, é rejeitado pela maioria dos profissionais de segurança pública. É isso que mostra a consulta “O que pensam os profissionais de segurança pública, no Brasil” realizada pela SENASP (Secretaria Nacional de Segurança Pública) em parceria com o PNUD com o objetivo de subsidiar as discussões na I CONSEG (Conferência Nacional de Segurança Pública) — que reuniu entre 27 e 30 de agosto em Brasília, membros do governo, de ONGs e policiais para debater a criação de um Plano Nacional de Segurança Pública.

A consulta aos profissionais de segurança ouviu 64.130 servidores, entre policiais militares, civis e federais, policiais rodoviários, peritos, bombeiros, agentes penitenciários e guardas municipais.

Para 60% deles, a vinculação da PM ao Exército é inadequada. O número aumenta quando o assunto é injustiças e desrespeito causados pela hierarquia — 65,6% dos consultados responderam “sim” à questão “A hierarquia de sua instituição provoca desrespeito e injustiças profissionais?”. Os que mais se incomodam com isso são justamente os policiais militares nos postos mais baixos (73,3%). É entre estes profissionais que as críticas à hierarquia e à disciplina das instituições mais aparecem: 81% deles acreditam que “há muito rigor em questões internas e pouco rigor em questões que afetam a segurança pública” e 65,2% dizem que “há um número excessivo de níveis hierárquicos em sua instituição”.

A questão aparece também quando as perguntas dizem respeito à tortura e à humilhação por superiores. Um quinto de todos os consultados diz que já sofreu tortura em treinamento ou fora dele (se considerarmos apenas os policiais militares nos postos mais baixos, a fração sobe para um quarto) e mais da metade (53,9%) dizem que já foram humilhados ou desrespeitados por superiores. O relatório da consulta destaca, porém, que o termo tortura é colocado como “imposição deliberada de sofrimento físico ou mental. Por isso, as respostas positivas colhidas não significam que os profissionais de segurança no Brasil sejam expostos às formas mais atrozes de violência.”

“Os resultados só mostram que temos que reforçar a questão da saúde mental e física dos profissionais, com as quais a SENASP já vinha trabalhando. Temos que rever a jornada de trabalho e os regimentos internos”, afirma a coordenadora-geral da CONSEG e assessora especial do ministro Tarso Genro, Regina Miki. O relatório da consulta destaca que as consequências do quadro atual são sentidas também pela sociedade em geral: “(...) as PMs não estão organizadas como polícias, mas como pequenos exércitos desviados de função, os resultados são, salvo exceções de praxe, a realidade conhecida, que não satisfaz a sociedade nem os profissionais: precariedade no enfrentamento da problemática da criminalidade, dificuldade para exercer controle interno (o que implica o convívio com elevadas taxas de corrupção), frequente insensibilidade no relacionamento com os cidadãos”.

A proposta de desmilitarização da Polícia Militar foi discutida durante a I CONSEG e aprovada por 508 votos. Porém, um dos princípios aprovados durante a conferência, com 455 votos, sugere manter a estrutura atual das polícias.

Outros dados

Além do descontentamento com o modelo atual de suas instituições, em especial da Polícia Militar, os profissionais também se mostraram descrentes em relação ao sistema penitenciário. Mais de 85% acreditam que as prisões “não conseguem realizar o trabalho necessário” ou “terminam produzindo efeitos piores para a segurança pública”. Quando o assunto é corrupção, apenas 21,6% dos entrevistados acreditam que seus colegas denunciariam um ato de corrupção. O número é menor que o de respostas para a alternativa “fingiria não ter visto”, que ficou 24,8%. Neste tema, “conversaria com o colega para que ele não fizesse mais” ficou com a maioria das respostas: 42,2%.

Não foram somente dados desanimadores que apareceram na pesquisa. Regina Miki destaca questões positivas. “Mais de 90% acham importante a capacitação. Não querem mais agir só com a força, mas com a inteligência. Temos também 77% dos policiais militares que querem mudanças na estrutura atual das instituições e ainda cerca de 60% que disseram que, se tivessem que optar, trabalhariam na segurança. Eles fazem porque gostam”, ressalta. E conclui: “Ora, temos pessoas dedicadas, que querem melhorar cada vez mais o seu serviço.”

O próximo passo agora, segundo Regina, é aprofundar os dados. A consulta atual foi feita virtualmente apenas com profissionais cadastrados na Rede Nacional de Ensino à Distância. “Temos uma determinação do ministro de fazer uma pesquisa mais aprofundada para subsidiar a elaboração de políticas públicas”.


Fonte: Fala Guarda
http://falaguarda.blogspot.com/2010/06/policiais-querem-desmilitarizacao-da-pm.html

sexta-feira, 4 de junho de 2010

DISPUTAS CORPORATIVISTAS


A relação entre a Polícia Militar e a Polícia Civil em Minas Gerais, no momento, não é das melhores. Os conflitos entre as respectivas elites organizacionais se acentuaram muito nos últimos meses, colocando em risco o futuro da política de integração das polícias adotada pelo Governo desde 2003.

A gota d'água da atual crise é a Proposta de Emenda à Constituição nº 59, de 2010, em trâmite na Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Ela acrescenta §§ 3º e 4º ao art. 142 da Constituição do Estado, estabelecendo que

§ 3º - Para o ingresso no Quadro de Oficiais da Polícia Militar - QO-PM - é exigido o título de Bacharel em Direito e concurso público de provas e títulos, realizado com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Estado de Minas Gerais.

§ 4º - O cargo de Oficial do Quadro de Oficiais da Polícia Militar - QO-PM -, com competência para o exercício da função de Juiz Militar e das atividades de polícia judiciária militar, integra, para todos os fins, a carreira jurídica militar do Estado.".

É inquestionável que o conteúdo da PEC 59/2010 representa reação dos oficiais da PMMG, ou de parte deles, à Emenda à Constituição nº 82, de 14 de abril de 2010, que acresceu o § 4º do art. 140 da Constituição do Estado, com a seguinte redação:

§ 4º - o cargo de Delegado de Polícia integra, para todos os fins, as carreiras jurídicas do Estado".

Como podem constatar os leitores do blog, o que está em questão é a prerrogativa de se tornar CARREIRA JURÍDICA DO ESTADO. A conquista recente dos Delegados da PCMG suscitou uma resposta 'anacrônica' e 'irracional' de setores do oficialato da PMMG. E as entidades representativas das diversas carreiras da PCMG estão reagindo à PEC 59, como era de se esperar.

Confesso-me abismado com a PEC 59/2010. Jamais podia imaginar que o oficialato de uma Polícia Militar pudesse reivindicar o status de carreira jurídica. Para tanto estão prevendo que o ingresso no quadro do oficialato da PMMG exigirá o bacharelado em Direito.

Eis um infeliz retrocesso na história da Polícia Militar de Minas Gerais !

Na ânsia de não perder espaço político para os Delegados mineiros, setores do oficialato da PMMG estão ' metendo os pés pelas mãos'.


É lamentável !

Fonte: Blog do Sapori

GOVERNO FEDERAL NÃO PODE INTERVIR NOS ESTADOS PARA COMBATER VIOLÊNCIA POLICIAL


O ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, disse nesta quinta-feira (3/6) que o governo federal não pode intervir nas polícias estaduais para combater os índices “alarmantes” de violência policial, constatados em relatório das Nações Unidas (ONU), divulgado nesta semana.

Vanucchi destacou que o governo estimula a criação de ouvidorias de polícia, corregedorias e apoia a criação de defensorias públicas para combater práticas ilegais. O ministro também sugeriu a extensão do poder de investigação ao Ministério Público, no sentido de dar transparência aos inquéritos.

“O Brasil está decidido a seguir avançando na democracia e, nas democracias, na Europa, nos Estados Unidos, a tradição é essa, de controle externo [sobre a atividade policial]”, afirmou em entrevista, após abertura do 2º Congresso Brasileiro de Saúde Mental, no Rio.

Para o ministro, o relatório da ONU é equilibrado, reconhece importantes avanços, como o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), e aponta aspectos em que o país não atingiu patamares desejáveis. “Um relatório como esse tem que ser recebido com serenidade, não com animosidade do tipo 'o que esse sujeito vem aqui se meter'”, afirmou em relação ao relator especial sobre Execuções Sumárias, Arbitrárias ou Extrajudiciais da ONU, Philip Alston, que visitou o Brasil em 2007.

O Relatório sobre Execuções Sumárias da ONU afirma que “execuções extrajudiciais continuam em grande escala” no Brasil, que as taxas de violência policial são “alarmantes” e apontou a ação de grupos de extermínio no país. O documento foi divulgado na última terça-feira (1º)

FONTE: Correio Braziliense via Blog da Soldado Glaucia

Comentário do blog:

Essa é uma afirmação que reflete a condição ridícula que nossa política se encontra e demonstra as limitações desses "politicos profissionais". Por que o governo deferal não pode intervir para diminuir a violência policial? Não pode ou não é interessante? Seria por que interferir para fiscalizar seria oferecer argumentos para ser questionado sobre o por quê de não se criar um piso salarial? O Governo Federal tem resposabilidade com cada cidadão brasileiro e a segurança pública é de responsabilidade da União também. Infelizmente não se pode esperar desse governo que se limita a oferecer bolsas sem de fato caminhar na direção de resolver os problemas sociais e inserir esse país no contexto do desenvolvimento social. Vivemos em um momento em que falar o óbvio se faz cada vez mais necessário: se não houver altos investimentos em uma reforma policial que contemple salários, planos de carreira, reestruturação do sistema de segurança pública, equipamento e formação contínua, infelizmente nada nesse Brasil em termos de segurana pública irá mudar.


quarta-feira, 2 de junho de 2010

COMUNICADO DE IMPRENSA: Relator Especial da ONU considera que as mortes causadas pela polícia brasileira continuam em taxas alarmantes

Governo tem falhado em tomar todas as medidas necessárias

Nova Iorque, 1 de junho de 2010

“O dia-a-dia de muitos brasileiros, especialmente aqueles que vivem em favelas, ainda é vivido na sombra de assassinatos e da violência de facções criminosas, milícias, grupos de extermínio e da polícia, apesar de importantes reformas do Governo”, disse o Relator Especial da ONU sobre execuções extrajudiciais hoje, quando divulgou um Relatório de Seguimento sobre o progresso que o Brasil tem feito para reduzir mortes pela polícia desde a sua visita de 2007.

“Quando visitei o país, dois anos e meio atrás”, disse o professor Philip Alston, Relator Especial da ONU, “constatei que a polícia executou supostos criminosos e cidadãos inocentes durante operações ‘de guerra’ mal planejadas e contra-produtivas dentro de favelas. Civis foram mortos também por policiais atuando fora de horário de serviço em grupos de extermínio e milícias, como resultado de ‘vigilância’ ou para obter lucro”.

“Atualmente, a situação não mudou dramaticamente. A polícia continua a cometer execuções extrajudiciais em taxas alarmantes”, constatou o especialista da ONU. “E eles geralmente não são responsabilizados por isso.”

Através da revisão das ações do governo federal e estadual nos dois últimos anos, o relatório do especialista destacou que o Brasil apresentou melhorias notáveis em algumas áreas. “Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco investigaram milícias e grupos de extermínio e o fato de que alguns policiais foram presos é muito positivo”, disse ele. “Além disso, novos esforços de policiamento comunitário em algumas poucas favelas do Rio de Janeiro são muito bem vindos, como é também a promessa do governo federal de aumentar os salários para melhorar a segurança antes da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. Mas estes esforços exigirão um impulso muito maior se forem para trazer a segurança que se espera dentro dos próximos quatro anos.”

Em outras questões centrais, no entanto, ele observou que muito pouco tem sido feito. “Os chamados Autos de Resistência continuam a uma taxa muito grande”, disse ele, referindo-se a mortes causadas pela polícia que são depois relatadas como tendo ocorrido em auto-defesa. “Houve pelo menos 11 mil mortes registradas como ‘resistência seguida de morte’ em São Paulo e no Rio de Janeiro entre 2003 e 2009. As evidências mostram claramente que muitas dessas mortes na realidade foram execuções. Mas a polícia imediatamente as rotula de “resistência”, e elas quase nunca são seriamente investigados. O Governo ainda não acabou com esta prática abusiva”. O especialista concluiu que, de fato, as “resistências seguidas de morte” aumentaram em São Paulo desde 2007. Ele pediu ao Brasil para “abolir esta classificação que dá à polícia uma licença para atirar, e para investigar esses assassinatos como quaisquer outras mortes.”

Ele congratulou a nova abordagem experimental da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) do Rio de Janeiro, que substitui intervenções violentas de curto prazo em favelas pela presença da polícia a longo prazo e de prestação de serviços sociais. “O conceito da UPP é um passo adiante muito bem vindo, pois traz a perspectiva de segurança real e sustentada”, disse ele. “Mas há também cada vez mais relatos de abusos cometidos contra moradores da favela pela UPP, e os serviços sociais prometidos nem sempre foram fornecidos.” O principal desafio é expandir o programa, já que “centenas de favelas continuam ou intocadas ou ainda sujeitas à velha mentalidade de que invasões ocasionais e violentas podem trazer segurança. “

“O Governo do Brasil merece muito crédito por sua cooperação e abertura ao escrutínio externo”, disse o Relator Especial.

“Mas ainda há muito a ser feito se o Governo quiser atingir o seu objetivo de reduzir as execuções extrajudiciais cometidas pela polícia.”


* * *


O relatório do Relator Especial está contido em A/HRC/14/24/Add.4. Para mais informações, entre em contato com o Relator Especial, no seguinte endereço: sarah.knuckey @ nyu.edu.

Professor Alston foi nomeado Relator Especial da ONU em 2004 e apresenta seus relatórios para o Conselho de Direitos Humanos e a Assembléia Geral das Nações Unidas. Ele tem uma vasta experiência no campo dos direitos humanos, incluindo oito anos como presidente do Comité das Nações Unidas sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, principal consultor jurídico para a UNICEF na elaboração da Convenção sobre os Direitos da Criança e Assessor Especial para o o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos. Ele é professor de Direito e Diretor do Centro de Direitos Humanos e Justiça Global na Escola de Direito de Nova Iorque. Para obter informações sobre o mandato do Relator Especial, consulte: www.extrajudicialexecutions.org.

Fonte: Justiça Global
http://global.org.br/programas/onu-execucoes-sumarias-continuam-em-grande-escala-no-brasil/

ONU: Execuções sumárias continuam em grande escala no Brasil


Relatório sobre execuções sumárias chama a atenção para as taxas “alarmantes” de violência policial e para a ação de grupos de extermínio no país; nenhuma das 33 recomendações feitas pelas Nações Unidas em 2008 foram integralmente cumpridas


A ONU divulga nesta terça-feira, dia 1 de junho, um documento alertando sobre o alto número de execuções sumárias no Brasil. Trata-se de um ‘relatório de seguimento’, que analisa se o Estado brasileiro cumpriu ou não as recomendações feitas pelo Relator Especial da ONU sobre Execuções Sumárias, Arbitrárias ou Extrajudiciais, Sr. Philip Alston, depois que esteve em missão especial no país em 2007. Alston concluiu que, de lá pra cá, a situação não mudou muito, e que o governo está falhando em tomar todas as medidas necessárias.

O documento de 22 páginas analisa temas tratados durante a missão do relator e afirma que “execuções extrajudiciais continuam em grande escala” no Brasil. Entre os temas abordados estão a violência policial e os chamados ‘autos de resistência’, os homicídios dentro de unidades prisionais, a atuação de milícias e grupos de extermínio formados por agentes públicos, além das falhas e vícios presentes no aparato de investigação e processamento judicial, que propiciam a não-responsabilização de crimes cometidos por representantes do Estado.

Brasil descumpre as recomendações

Apesar de citar avanços pontuais em algumas questões, o documento denuncia que o governo brasileiro tem falhado em tomar medidas necessárias para diminuir as mortes causadas pela polícia. De 33 recomendações feitas no Relatório de 2008, nenhuma foi integralmente assimilada: dois terços (22) foram descumpridas e 11 foram classificadas apenas como “parcialmente cumpridas”.

“O relatório de seguimento da ONU mostra que a polícia no Brasil continua sendo extremamente letal e violadora de direitos”, afirma Sandra Carvalho, diretora da Justiça Global, uma das organizações que contribuíram com informações para o documento. Para ela, é grave o fato de o Brasil estar ignorando recomendações importantes para o enfrentamento da violência policial e a desarticulação de grupos de extermínio. “Isto reflete a falta de compromisso de governantes com uma política de segurança menos letal, que pare de encarar a morte como critério de eficiência e que esteja comprometida com o fim dos grupos de extermínio”, afirmou Sandra.

PEC aprovada na CCJ contraria ONU

O relatório da ONU está sendo divulgado dias depois de a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovar a admissibilidade da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que impediria que a Polícia Federal e as Polícias Civis dos estados sejam sujeitas ao controle externo dos integrantes do Ministério Público (MP). A aprovação vai contra a análise da ONU, que recomenda justamente que o MP “conduza investigações independentes onde a polícia esteja envolvida em um assassinato, e que o direito do MP para conduzir suas próprias investigações seja melhor definido e afirmado”. O relator recomenda inclusive que, em São Paulo, seja aprovada uma proposta para ampliar o Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (GECEP) do MP, que atuaria na fiscalização de crimes e abusos cometidos pela polícia.
 
Fonte: Justiça Global

'Inteligência vai além do que é feito pela polícia'

Flávia Resende
Reportagem feita pela parceria Comunidade Segura e Fórum Brasileiro de Segurança Pública


ENTREVISTA / Claudio Beato




O professor Cláudio Chaves Beato Filho, coordenador geral do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da Universidade Federal de Minas Gerais (Crisp/UFMG), defende que o combate ao crime seja feito com mais inteligência. “O conceito de inteligência deve ir mais além do que é feito na polícia”, diz, referindo-se ao que já existe em termos de inteligência policial.

Ele colabora atualmente para o governo de Minas Gerais, tendo idealizado e implementado programas como o Fica Vivo! e o modelo de Integração Policial e Gestão Segurança Pública (Igesp) no estado. À frente do Crisp, entre as atividades de pesquisa que desenvolve, Beato treina e avalia o policiamento comunitário. Nesta entrevista, o professor fala da importância do monitoramento e avaliação dos projetos e da necessidade de “serem refeitos e repensados ao longo do tempo”, para que tenham sucesso e sejam adequados à realidade.

Beato também é consultor para o desenvolvimento de programas e projetos de controle e prevenção da violência do governo federal, em diversos estados brasileiros e na Colômbia. Também já atuou junto ao Banco Mundial, ao Banco Interamericano de Desenvolvimento e ao Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (UNODC).

Toda esta experiência parece que deu a Beato uma visão ampla de como se tratar a criminalidade. Ao mesmo tempo, o pesquisador não despreza as peculiaridades dos dados que recolhe e ressalta a importância de estratégias diferentes para tratar da dinâmica criminal em cada localidade. “Não se pode usar a mesma fórmula para lugares diferentes”, defende.

Que conceito de inteligência deve ser usado no combate à criminalidade?

O conceito de inteligência deve ser mais amplo do que é feito atualmente pela polícia. É necessário incorporar a análise criminal. É preciso trabalhar com padrões, tendências, regularidades e, através disto, agir com inteligência no combate à criminalidade.

O que estes padrões nos têm a dizer?

Eles são dados relevantes que exigem analistas de dados, estatísticas e softwares para compreendermos o crime. É uma compreensão de por que ocorrem os fenômenos. Para isso, é necessário trabalhar com profissionais diferentes, multidisciplinares. Daí falar em criação de centros de inteligência, tais como o Instituto Segurança Pública (ISP) no Rio de Janeiro.

Isto, complementado com a investigação policial e atividades de prevenção. A idéia é entender, controlar e prevenir. As pessoas acham que inteligência é a escuta telefônica. Não é só isto. É preciso, por exemplo, o mapeamento da atuação de gangues, a identificação das tendências locais e o modo como as gangues são estruturadas.

O que o Crisp vem analisando hoje?

Há um sistema de monitoramento de gangues na região de Belo Horizonte. Usa-se a tecnologia para compartilhar informações, qualificar pessoal e identificar grupos que atuam na cidade. É preciso compreender qual é o relacionamento que existe entre os membros do grupo.

A inteligência policial não consegue entender como se formam as gangues. Não é só por dinheiro. As gangues são mais que isto. Há um processo de socialização. Fazer parte de uma gangue é ter respeito, é fazer com que as meninas gostem mais de você. Os jovens das gangues não ganham muito dinheiro. É como a gravidez. É uma forma de autonomia das adolescentes, não é só educação sexual que resolve.

Em Minas Gerais nós vemos este tipo de inteligência?

A Secretaria de Estado e Defesa Social (Seds) tem uma assessoria de informações. Parte da análise criminal (referindo-se à secretaria) já foi feita pelo Crisp. Mas hoje a Seds caminha sozinha. Programas como Fica Vivo! e Igesp têm ação estratégica e análise dos dados.

Estes programas mapeiam a criminalidade local?

Eles mostram padrões gerais e tendências locais. Agora, só podemos dizer coisas gerais da dinâmica criminal local, não quer dizer que possamos dar nomes. A intervenção estratégica é importante para acalmar o lugar. Se não se exerce a prevenção, outros projetos ficam reféns nas comunidades. Há lideranças e projetos que ficam nas mãos do tráfico.

O que é feito com estas análises?

Identificamos problemas característicos de cada lugar. Senão, você usa a mesma fórmula de combate ao crime para lugares diferentes. Na Pedreira Prado Lopes, por exemplo, o problema de saúde pública é muito maior que o de segurança, por causa dos usuários de crack. Temos que compreender os fatores envolvidos, que não são policiais, mas sim sociais. Outro ponto na comunidade é a substituição de renda. Lá ainda lucra-se com o tráfico. É preciso conectar dados que estão em instâncias diferentes.

Que tipo de intervenção se faz com estes dados?

Há tipos de intervenções diferentes para os diferentes dados: policial, social ou combinadas. Além da intervenção, é preciso monitorar o que se faz. Não adianta fazer um belo projeto, se os homicídios não caem. O projeto tem de ser refeito e repensado o tempo todo.

O crime tem a ver, na maioria das vezes, com a má distribuição de renda?

Crime não é renda somente. Pergunte aos jovens quanto eles ganham no tráfico. Você vai ver que a maioria ganha em torno de R$ 400. Nós descobrimos que o maior problema nestas áreas é que o jovem é ocioso. Chegamos nas comunidades e vemos um monte de garotos sem fazer nada. A ociosidade é um problema maior que a baixa renda. Trabalhando, o jovem ganharia até mais. O Fica Vivo!, por exemplo, trabalha na ociosidade destes jovens.

Mas a distribuição de renda não tiraria estes jovens do tráfico?

Estes meninos estão na faixa dos 14 anos. Neste sentido, a qualificação dos jovens é mais importante. Mas isto tem de ser combinado com incentivo de locais onde eles possam trabalhar. Isso o Fica Vivo! ainda não conseguiu. É um passo que o programa deve trilhar. O Estado tem de trabalhar em diversas áreas. Qualificação de jovens, empregabilidade. Não só para conter a criminalidade.

Programas de distribuição de renda não contribuem para derrubar as taxas de criminalidade?

As políticas têm de ser focalizadas. O bolsa família, por exemplo, é 20 vezes menos eficaz que o Fica Vivo! para a prevenção de crimes. Aquele é um programa universalizante, e o Fica Vivo! é focalizado. O bolsa família é bom pra tirar pessoas da linha de pobreza, não para combater crimes. Há uma especificidade nos programas de prevenção. Há intervenção estratégica, não são somente programas sociais.

O senhor vê ações como o mapa de georreferenciamento de homicídios publicado pela Seds como positivas?

O mapa é o controle que a sociedade tem sobre a sua área. É uma ação que envolve a sociedade. É um exemplo de tecnologia que foi desenvolvida aqui.

Fonte: Comunidade Segura
http://www.comunidadesegura.org/pt-br/node/44735

terça-feira, 1 de junho de 2010

Delegados e agentes de polícia repudiam a carreira jurídica para oficiais da Polícia Militar

Com a Nota de Repúdio expedida pelo Sindicato dos Delegados de Polícia de Minas Gerais (SINDEPOMINAS), com endosso incondicional do Sindicato dos Policiais Civis de MG (SINDPOL), expõe uma denúncia sobre o Projeto de Emenda Complementar (PEC 59-2010) que tenta incluir requisitos inconstitucionais aos milicianos.

De acordo com o texto, a carreira de Oficial da PM passa a ter exigência prévia ao candidato, do título de bacharel em Direito, e dessa forma, eles passariam a constituir para todos os fins, a chamada Carreira Jurídica Militar do Estado de MG, sendo daí para frente, AUTORIDADES POLICIAIS, mesmo que na Lei Maior, a Constituição Federal, não haja nenhuma previsão legal para tanto.

A exposição de motivos para a citada PEC causou uma grande revolta a todos os delegados de polícia mineiros e por todo o país, por causa do verdadeiro "descaramento" de suas assertivas. Além disso, pauta-se por inverdades e por total desprezo aos delegados de polícia, como já o fazem há muito tempo, ao elencar atividades de outras carreiras jurídicas, sem sequer mencionar os delegados, no universo das carreiras jurídicas de Estado, aduz o Sindepominas.

A enditade de classe dos delegados ainda afirma que apenas no último parágrafo, em nome da falaciosa INTEGRAÇÃO POLICIAL, alegam que devem ter atendida essa pretensão (da PEC), em nome do projeto do governo de Minas Gerais pela integração das polícias, e só aí, citam então a Polícia Civil.

O Sindepominas alega que são as mesmas pessoas e instituições que diuturnamente contestam a condição dos policiais civis perante o enfrentamento da criminalidade, que desacreditam a investigação policial e o inquérito policial, que usurpam nossas funções requerendo medidas preparatórias processuais, que alimentam a fragmentação da Polícia Civil, como no caso das Perícias, e muitas outras ações deteriorantes.

A indignação vem de outros tantos atos provocativos dos Policiais Militares, mas agora o "caldo entornou". O Sindicato declarou que não admitirá calado e passivamente a mais essa agressão, e já denuncia o fato a todos os setores da sociedade, e em especial, no meio dos Delegados de Polícia.

O Sindepominas conclama que todos os colegas e profissionais do Direito do Brasil se levantem contra essa ação inconstitucional que os militares estão produzindo.

Paradoxalmente, logo após os delegados mineiros conseguirem o retorno às carreiras jurídicas de estado em Minas Gerais (Emenda Constitucional 82) e depois de estarem já há mais de 5 anos tentando aprovar nossa PEC 549 no Congresso, assistem indignados a ação coordenada pelos Oficiais da PM (Entidades e Comandos) uma escancarada campanha contrária ao interesse dos Delegados, onde eles tentam driblar a história, que os vincula, por segurança institucional, às forças armadas, querendo se vestir de juristas, porém, não abrindo mãos de seus inúmeros bônus e vantagens, e o que é pior, com planejamento para tomar as Delegacias de Polícia do Brasil, como já ocorreu em diversas ocasiões (vide iniciativa do Governo do Paraná - repelida por ADI, tentativas de ingressar nas Delegacias durante movimentos reivindicatórios dos Delegados, e outros mais).

O Sindepominas ainda afirma que estará vigilante e mobilizado para adotar todas as ações possíveis contra essa iniciativa, inclusive, se for o caso, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, com análise já encaminhada ao Dr. Vladimir Reale, da ADEPOL-BRASIL.

CLIQUE AQUI (http://www.delegados.com.br/images/stories/delegados.com.br-repudio-sindepominas-pec-29mai10.pdf ) e veja a nota de repúdio na íntegra

sábado, 29 de maio de 2010

Artigo de André Silva: Viu deus sangrar, agora os tubarões virão atrás do sangue


Faz poucas semanas assisti ao filme 'Homem de Ferro 2". Amante das produções cinematográficas, não me furto da oportunidade de tentar analisar todas as dicussões que um filme possa oferecer. No início do filme o vilão, muito bem interpretado por Mickey Rourke, se utilizando de tecnologia semelhante a da armadura do homem de ferro, interpretado por Robert Downey Jr, tenta aniquilar herói. Após belas cenas de combate entre praticamente duas máquinas, o vilão é derrotado e preso. No posto policial, durante o interrogatório, o herói blindado escuta do seu agressor que ele "perdeu". Porém, o mais interessante foi a explicação do preso que argumentava que o mundo "viu deus sangrar, agora os tubarões virão atrás do sangue". 

Diante das câmeras, em um evento esportivo de transmissão internacional, o mundo pôde ver o grande homem de ferro tendo que lutar com um inimigo com mesmo poder tecnológico e de fogo e, como dizem em Minas Gerais, "pular uma fogueira" para vencer. A tecnologia que antes era somente de domínio do bilionário Tony Stark, estava nas mãos do inimigo que agora sabia como destruir o poderoso homem de ferro. Exposta a fragilidade do bom moço e herói, todos, inclusive os inimigos, entenderam que o mundo não estava tão protegido o quanto acreditavam e nem a força tão forte o quanto imaginavam.

Na interpretação dessas fantásticas cenas podemos considerar a eterna rivalidade entre Russia e USA, o possível desenvolvimento da bomba atômica pelo Irã e os países do eixo-do-mal que aguardariam uma condição e oportunidade para destruir atomicamente o Tio Sam, a cultura bélico-tecnológica da única super-potência fascinada por dominar o mundo (e o espaço) e construir super-soldados invencíveis e até os ataques de 11 de Setembro que sangrou a bandeira americana à luz do dia e aos olhos de quem possuia acesso a qualquer meio de comunicação e que agora luta contra os tubarões que seguem seu sangue na Times Square.

Mas quero chamar a atenção do leitor para um outro deus que sangra em terras brasileiras, a polícia. Durante os anos de chumbo da ditatuda, mais o medo do que propriamente o respeito limitava a agressão a instituições militares e policiais que tinha expectativa de ser atacada por grupos armados de motivação política e contra o regime militar (a guerrilha) e não pelo criminoso comum. Esse tempo acabou e hoje vivemos em outra atmosfera política.

Em 2006, na democracia, nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, sob um comando centralizado e com uma ação coordenada e organizada, criminosos vitimaram dezenas de policiais em serviço em uma só noite. Centralizado por que partiu do comando de uma facção criminosa e organizado por que a ordem saiu de dentro do presídio. Nesse episódio a sociedade brasileira viu a sua força policial se humilhada e sangrar sobre as águas gerando notícia em jornais estrangeiros.

Hoje a polícia brasileira luta contra os tubarões que seguem o rastro de sangue para atacar como aconteceu recentemente com a Polícia Militar da Bahia, com a Polícia Militar de Minas Gerais nas pacatas cidades do interior e como vem ocorrendo na Polícia Militar do Rio de Janeiro. As motivações desse ataques vão de respresálias aos maus tratos sofrido pelos presos nas cadeias à drogados querendo roubar a arma do policial para pagar a dívida de drogas. 

A notícia recente de dois atentados contra policiais chamam a atenção para algumas realidades a cada dia mais nítidas e insuportáveis. A primeira notícia relata que uma recém-formada policial feminina da Brigada Militar do Rio Grande do Sul foi atingida por trás com uma barra de ferro enquanto realizava o policiamento a pé em Porto Alegre. O agressor teria escondido a barra de ferro na manga da jaqueta e ao passar pela policial a acertou na nuca, que levou nove pontos, e roubou sua pistola Taurus calibre .40 com 15 projéteis no carregador e fugiu. O criminoso é conhecido por cometer assaltos e teria saído em março de um albergue prisional.

A realidade concreta desse fato é a falência do sistema prisional aliada a leis ineficientes que proporcionaram a esse agente motivado a não só retornar ao mundo do crime, mas a retornar mais ousado atacando uma policial em via pública, de serviço, para rouba sua arma e poder cometer mais crimes. Esse fato demonstra toda a falha ou falência e a necessidade urgente de reforma do sistema criminal, penitênciário e policial brasileiro.

A segunda notícia está relacionada ao ataque a policiais militares cariocas por grupos armados (bem armados) para roubar fuzis. Esse fato demonsta um alto poder de organização criminosa diante da economia do crime. Segundo a reportagem, devido à repressão da Polícia Federal ao tráfico de armas, sobretudo na fronteira do Paraguai, o preço do fuzil teria aumentado, dobrado, pela falta do produto no mercado negro brasileiro. O ataque a instituições militares e policiais seria para adquirir esse tipo de armamento.

A triste realidade de que policiais mal remunerados, mal treinados, mal equipados e altamente exigidos estão sendo mortos pela economia do crime demonstra além da novamente falência de todo o sistema criminal, prisional e policial dita antes, o poder dos tubarões de manter as instituições de Segurança Pública acoada e a sociedade refém do medo. Talvez devessemos lutar por uma reforma política para que então possamos alcançar níveis satisfatórios de justiça, igualdade social e qualidade de vida.

Os tubarões estão sagrando deus todos os dias e a culpa é de quem? Quem pode oferecer proteção enquanto sangra nas turbulentas águas da segurança pública e luta contra grandes e pequenos tubarões que seguem o rastro?

André Silva 

PELAS COSTAS: A covarde agressão à lei


PM recém-formada foi golpeada com uma barra de ferro na nuca por homem que roubou sua arma

A covarde agressão à lei

PM recém-formada foi golpeada com uma barra de ferro na nuca por homem que roubou sua armaDesde jovem fascinada por filmes policiais, Patrícia Wrubleski tem um irmão soldado e um tio sargento, ambos no Exército. Natural que a mescla polícia e farda, tão presente na sua vida, induzisse a jovem a abraçar a profissão de PM. Sonho que virou drama ontem, quando a recruta recentemente promovida a soldado foi vitimada pela faceta mais brutal da carreira. Aconteceu à luz do dia, no centro de uma Porto Alegre cada vez mais violenta. Surpreendida pelas costas, Patrícia, fardada, foi agredida na nuca com uma barra de ferro empunhada por um assaltante, que a acertou para roubar sua pistola.

Poderia ser fim de linha. Mas a policial, com 21 anos recém-completados, resolveu mostrar que é dura na queda. Apesar da dor de cabeça intensa e das ânsias de vômito, Patrícia ajudou com uma descrição a identificar o suspeito. E não fala em desistir do ofício de combater o crime.

– Se pudesse, convencia ela a voltar para casa e procurar outra profissão. Mas também não posso me intrometer na vida da guria – diz a mãe, Mariloni, que ontem chorou “o que tinha de chorar” e espera Patrícia, neste fim de semana, com a comida predileta e o carinho familiar.

Agressor havia passado por ela sem levantar suspeitas e a pegou pelas costas

Casa, para Patrícia, é sinônimo de Ijuí, de onde saiu ano passado para fazer o curso de PM em Porto Alegre. Escolheu a Capital porque nela existiam 1,1 mil vagas para soldado, contra algumas dezenas na sua terra natal. Loira, Patrícia é chamada de Polaca por colegas, mas é de descendência russa. Nascida e criada na região missioneira, é a filha mais velha de um torneiro mecânico e de uma dona de casa. Uma vida sem privações, mas também sem muito conforto. Trabalha desde os 18 anos e até pensava em ser enfermeira, diz a mãe. Foi quando atuava como secretária numa fábrica de cosméticos, recém-formada no Ensino Médio, que Patrícia pensou pela primeira vez em se tornar policial.

Contribuiu para isso, além das fardas do irmão e do tio, a escolha do noivo, que atuava como PM temporário. Os dois se inscreveram no concurso da BM, foram aprovados e se deslocaram juntos para Porto Alegre para os seis meses de curso – aquele, que acaba de incorporar 3,5 mil novos soldados à BM. Foram tempos de muito sanduíche, muita ordem unida e continência batida, muito sol a pino enfrentado dentro de uniforme quente. Formados, viraram orgulho das famílias. Em tempos de soldo baixo e poucos rendimentos, revela a mãe de Patrícia, a PM e o noivo moram nos respectivos quartéis (ela, no 9º Batalhão de Polícia Militar, ele numa unidade dos bombeiros).

A ficha funcional de Patrícia mostra que ela fez uma detenção em janeiro, quando estava no treinamento. Foi na Rua Voluntários da Pátria, onde surpreendeu um vendedor de CDs piratas. É a rotina no Centro: vistoriar camelôs ilegais, correr atrás de batedores de carteira, auxiliar gente perdida, apartar briga. Mas ontem o crime mostrou à soldado seu lado cruel.

Sozinha, patrulhava a Avenida Farrapos, quase na esquina com a Rua Barros Cassal, quando foi atingida por uma pancada na nuca. Eram 9h30min e, conforme ela relatou a colegas, o golpe com uma barra de ferro foi desferido por um homem que havia passado por ela sem levantar suspeitas e a pegou pelas costas. Patrícia desmaiou na hora. O desconhecido, um moreno baixo e com calvície avançada, roubou a pistola Taurus calibre .40 com 15 projéteis no carregador e fugiu.

– Foi uma agressão covarde – desabafa o comandante do 9º BPM, tenente-coronel Rogério Maciel.

Maciel não acredita em falhas por parte de Patrícia. Ele diz que agressões pelas costas podem vitimar um civil, um PM novato ou um policial com 30 anos de carreira.

PMs encontraram na Barros Cassal o cano de ferro, recheado com terra para ficar mais pesado, que foi usado pelo criminoso. Tem 40 cm de comprimento e, segundo testemunhas, estava escondido numa manga do casaco usado pelo agressor.

Suspeito de cometer o crime saiu em março de um albergue prisional

O assaltante em fuga tentou parar um táxi, que o evitou. Aí ele entrou num lotação, percorreu duas quadras em direção ao bairro Floresta e desembarcou. O suspeito é um conhecido assaltante que saiu em março de um albergue prisional.

Socorrida por um colega que formava dupla com ela, Patrícia foi levada para o Hospital de Pronto Socorro (HPS). Vai levar como recordação seis pontos na nuca, um dia inteiro com ânsias de vômito, saudade de casa e a sensação de que a farda é para os fortes. Qualidade que, os colegas garantem, ela tem de sobra.

Colaborou Carolina Rocha

HUMBERTO TREZZI

Fonte: Zero Hora
http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2919700.xml&template=3898.dwt&edition=14783§ion=1001

Preço alto de fuzis leva traficantes a atacarem a polícia no Rio


Traficantes do Rio de Janeiro passaram a atacar PMs nas ruas para reforçar seus arsenais ou repor estoque perdido durante operações policiais e confrontos com quadrilhas rivais. O ataques, segundo policiais ouvidos pelo R7, têm relação com o preço do armamento. No mercado negro, um fuzil sai por até R$ 60 mil no Rio de Janeiro.

Na última quarta-feira (26), criminosos metralharam uma base da PM em Anchieta, na zona norte, e roubaram três fuzis. Um policial morreu na hora e outros dois ficaram feridos. Os suspeitos foram perseguidos e acabaram mortos. As armas foram recuperadas. Segundo um capitão do serviço reservado do batalhão de Bangu, na zona oeste, o ataque foi motivado por "dinheiro fácil" para a obtenção dos fuzis.

Os criminosos eram da favela de Manguinhos, na zona norte, e pertenciam a uma das quadrilhas mais bem armadas do Rio, com cerca de 150 armas desse tipo. Segundo um agente da Drae (Delegacia de Repressão às Armas e Explosivos), armeiros que trazem fuzis de países vizinhos, como o Paraguai e a Bolívia, cobram R$ 40 mil pelo modelo russo AR-15 e, de R$ 50 mil a R$ 60 mil, pelos dos tipos AK-47, Fal ou G-3, os mais usados pelos criminosos cariocas. De janeiro de 1999 a setembro do ano passado, de acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), 2.099 fuzis foram apreendidos no Rio - média de pouco mais de 200 por ano.

O agente diz o criminoso que perde um fuzil em operação da PM tem de recuperá-lo ou então pagar por ele. Desse modo, muitos tentam roubar as armas. Ao ataque desta semana se somam outros cujo objetivo foi roubar armas. Um deles ocorreu no dia 17 de janeiro quando bandidos atacaram PMs que estavam parados na avenida Paulo de Frontim, no Rio Comprido, na zona norte. Um policial acabou morto e uma carabina foi roubada.

'Fuzis inflacionados'

O chefe da Divisão de Repressão às Armas da PF (Polícia Federal), delegado Marcus Vinicius Dantas, afirmou ao R7 que, com repressão mais rigorosa ao tráfico de armas no país, o preço dos fuzis chega a ser o dobro do cobrado no Paraguai, de onde vem a maior parte das armas que abastecem os criminosos. Segundo ele, um fuzil calibre 556, como é o caso do AR-15, sai por R$ 15 mil no país vizinho, enquanto que os de calibre 762, como o AK-47 e G-3. custam de R$ 20 mil a R$ 30 mil. - Ficamos sabendo que, em São Paulo, por exemplo, o fuzil que custava R$ 5 mil passou a sair por R$ 20 mil em razão dessa repressão que estamos fazendo. De acordo com Dantas, uma metralhadora ponto 30 ou ponto 50 custa R$ 150 mil no Paraguai mas, quando vai para o Rio de Janeiro, sai pelo dobro do preço. Ele afirmou que a dificuldade de se obter o armamento tem se refletido em todo o Brasil em ataques a quartéis das Forças Armadas e a unidades da Polícia Militar. Para ilustrar, Dantas cita o caso da invasão a um quartel da PM em Salgueiro (PE), em outubro do ano passado, quando foram roubadas 58 armas, entre fuzis e pistolas.

Postado por Sgt Barbosa bo blog "Segurança Cidadania e Dignidade"
http://segurancacidadaniaedignidade.blogspot.com/2010/05/preco-alto-de-fuzis-leva-traficantes.html

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Esse é um posto policial de Ugnada, na África



Essa realidade dura é da segurança pública no país africano de Uganda. Qual será a realidade da Segurança Pública no Brasil na sua essência? Lembraria essa foto?

Fonte da foto: Anistía Internacional
http://www.amnesty.org/en/news-and-updates/report/victims-rape-and-sexual-violence-denied-justice-uganda-2010-04-06

Deputados querem que só polícia investigue polícia

Conselho formado principalmente por delegados ficaria responsável por[br]regular ação de policiais em todo o País; para MP, vai crescer a impunidade

Denise Madueño / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Proposta de emenda constitucional aprovada ontem pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara acaba com o controle externo da atividade policial pelo Ministério Público e cria o Conselho Nacional de Polícia. O novo órgão, formado em sua maioria por policiais, acumulará poderes. Será responsável por elaborar a regulamentação da atividade, apurar denúncias contra policiais e abrir processos disciplinares.

A votação na comissão teve momentos tensos. O deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), delegado da Polícia Federal e um dos principais defensores da proposta, iniciou um bate-boca com o deputado José Genoino (PT-SP). Visivelmente alterado, Itagiba se levantou da cadeira e, aos berros, em direção a Genoino, mandou o deputado, que o interrompera, "calar a boca!". Itagiba ouviu de volta: "Cala a boca, o quê!? Aqui você não é delegado, não!", reagiu Genoino. A sala estava tomada por delegados que pressionavam pela aprovação da proposta.

Contrário ao projeto, Genoino argumentou que o conselho fere o pacto federativo, porque tira o controle da polícia hoje exercido pelos governadores. A indicação para o conselho é do presidente da República e, além disso, o relatório anual sobre a situação das polícias no País passará a ser encaminhado ao Congresso Nacional pelo presidente da República. "A polícia não é um poder autônomo, mas comandado por um poder civil eleito pelo povo. A polícia tem o poder do uso da arma", afirmou Genoino.

O deputado Flávio Dino (PCdoB-MA) afirmou que a proposta retira o poder hierárquico do governador sobre a polícia, que ficará submetida apenas ao conselho. "Teremos uma instituição de Estado (polícia) sem nenhum controle externo", afirmou Dino. Entre as consequências, o deputado aponta que o delegado ficará "senhor absoluto de todo o processo". O Conselho Nacional de Polícia, segundo o projeto, será formado por 17 integrantes, 10 deles delegados de polícia.

Ministério Público. O presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), César Mattar Júnior, afirmou que a mudança aumentará a impunidade de policiais infratores. Ele aponta a aprovação da proposta como uma reação à atuação do Ministério Público, que vem punindo os policiais que cometem irregularidades. "A polícia não quer se submeter ao controle de ninguém. O controle deixará de ser externo, passará a ser interno e quem perde é a sociedade", afirmou Mattar Júnior.

O presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol), Carlos Eduardo Benito Jorge, criticou o controle externo da polícia feito pelo Ministério Público que, segundo ele, "só apura o que tem holofote, o que tem repercussão". Ele argumentou ainda que o controle a ser exercido pelo conselho será mais abrangente porque haverá representantes da sociedade. "O fato de a maioria ser de delegado não quer dizer que o conselho será corporativista", disse.

Partidos. A proposta, do deputado Régis de Oliveira (PSC-SP), foi aprovada com o apoio do PMDB, do PSDB, do PSB, do PP e do PSC. Genoino, Dino e o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) tentaram adiar a votação, mas foram derrotados. "O conselho é para reprimir o abuso de delegados de polícia", disse Oliveira.

REAÇÕES

Janice Ascari
Procuradora da República em São Paulo

"A polícia não quer e nunca quis o controle externo. O que esse projeto busca é diminuir o poder do Ministério Público, a exemplo de outros 1.200 projetos e emendas em tramitação"


Marilda Pansonato
Presidente da Associação dos Delegados de SP

"Ainda é o início de um processo, mas para nós essa aprovação já representa uma vitória. Não somos contra o controle, só não concordamos com a forma como ele é feito"


Carlos Alberto Camargo
Ex-comandante da PM de São Paulo

"Vejo com muita preocupação essas tentativas de burlar controles. Esse contexto "baicharelesco" da polícia só existe no Brasil. Isso precisa acabar"

Fonte: O Estadão

Comentário do blog:

Toda instituição em um Estado Democrático de Direito deve se submeter ao controle externo da sociedade. Dentro do contexto da necessidade de uma reforma na Segurança Pública é importante que se encontre formas de exercer esse controle social que não monopolize somente no Ministério Público nas também não se feche somente na própria polícia que já possui seu órgão corregedor que deve prestar contas (accountability) à sociedade. Está aí o desafio...

André Silva

Esse fala de Marina Silva para jornal "O Globo" pode consagrar ela como candidata dos profissionais de segurança pública do Brasil (e seus milhares de familiares)



"Não adianta ficar propondo puxadinho em cima de uma base que está completamente deteriorada. Defendo uma reforma na segurança pública para termos uma segurança de qualidade, baseada no princípio de defesa da vida" - Marina Silva, Candidata a Presidência da República do Brasil


Fonte: Jornal O Globo
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2010/05/26/marina-defende-integracao-entre-pm-policia-civil-volta-criticar-blairo-maggi-916700604.asp

SEM DIREITOS HUMANOS: Anistia Internacional critica polícia no Brasil


No relatório anual de violações de direitos humanos no planeta divulgado ontem pela Anistia Internacional, o Brasil foi alvo de críticas à atuação da polícia. O documento diz que os policiais usam força excessiva, praticam execuções extrajudiciais e torturas com impunidade, além das prisões do país exibirem “condições cruéis, desumanas e degradantes”.

A organização não governamental reconhece que o Brasil tem feito, nos últimos anos, reformas na segurança pública, embora entenda que o alcance tem sido limitado, até porque a área teria sido negligenciada pelos governos durante muito tempo, de acordo com o organismo. A polícia, de uma forma geral, continuaria hostil, tendo oficiais envolvidos com o crime organizado e com grupos de extermínio.

– Essa é uma situação antiga e mal combatida no Brasil – disse Tim Cahill, especialista da Anistia.

Outro alvo de críticas da organização foi o comportamento do governo brasileiro em relação aos crimes praticados durante o período da ditadura militar (1964-1985).

“Diferentemente de muitos países da região, o Brasil não levou à Justiça nenhum dos acusados de grotescas violações dos direitos humanos cometidas durante os períodos anteriores de regime militar”, afirmou a entidade.

A referência enfática à necessidade de investigar os crimes da ditadura fez com que a Anistia Internacional encaminhasse cartas aos presidenciáveis José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) pedindo investigação.

Fonte: Blog da Renata
 
Cometário do blog:
 
Até a Anistia Internacional reconhece a necessidade de uma reforma no sistema de segurança pública brasileiro...e os nossos políticos? e o Lula?
É difícil aceitar que alguém, conforme rumores na mídia, deseje estar a frente de um organismo como a ONU e um mundo em guerra se quando na frente de um país com profundos problemas de violência e criminalidade, com mortes superiores a regiões em conflito bélico, é adepto da inércia e amante do regresso.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Temer encerra reunião ‘secreta’ após vazamento pelo Twitter



Deputado publicou posts sobre discussões e desagradou a colegas.
‘Isso é coisa de araponga’, reclamou presidente da Câmara.

Eduardo Bresciani
Do G1, em Brasília


O uso do Twitter por um deputado causou polêmica em uma reunião de líderes da Câmara dos deputados nesta terça-feira (25). Nessas reuniões, até assessores de parlamentares são proibidos de entrar. O vazamento da reunião na internet provocou bate-boca dentro da sala e a reunião foi encerrada subitamente pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP).

O tema em debate na reunião era a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que propõe a criação de um piso nacional para os policiais de todo o país. O impasse ocorre porque um grupo ligado à categoria deseja escrever na Constituição em valores o rendimento mínimo da categoria. A proposta foi aprovada em primeiro turno, mas resta ainda a votação de destaques, como o que retira o valor do texto constitucional. Estava em discussão na reunião a proposta de criação de uma comissão para se tentar um acordo.

Enquanto o debate corria solto entre as lideranças no Congresso, o deputado Capitão Assumção (PSB-ES) resolveu “twittar” as discussões. Ele escreveu coisas como “temer, sepultando a PEC, quer criar 1 comissão” e “vaccarezza diz que lula já dá a bolsa formação. é de rir”.
Quando os parlamentares descobriram a “transmissão” que o colega estava fazendo da reunião, a situação ficou tensa. A reunião foi encerrada e não foi fechado um acordo para a votação do tema desejado por Assumção.

O primeiro a sair da sala foi o líder do PSDB, João Almeida (BA), que atribuiu a Assumção o encerramento da decisão sem acordo. “Nós tínhamos em discussão a proposta de criar uma comissão, mas o mau comportamento de alguns acabou encerrando a reunião.” O líder do PT, Fernando Ferro (PE), também se irritou com o colega. “A reunião terminou por causa do comportamento deplorável de um deputado.”

O presidente da Câmara também saiu da reunião criticando a ação do parlamentar. Ele afirmou que divulgar reuniões como essa “não é útil para a Casa”. Questionado se em uma próxima reunião seria possível reter os celulares dos deputados já na entrada, Temer respondeu que o uso do celular é permitido, mas transmitir a reunião, não. “Isso é coisa de araponga”, disse o peemedebista.

Capitão Assumção disse que começou a twittar durante a reunião ao perceber que se estava "procrastinando" [adiando] a votação da PEC. Ele declarou não acreditar em qualquer possibilidade de punição pelo ato. "Passei 25 anos nas ruas. Vou me preocupar com isso? O que eu fiz é uma forma democrática de expor o meu pensamento", afirmou.

No fim, o impasse sobre o tema continua. Temer afirmou que vai mesmo criar a comissão com três membros indicados pelo governo e outros três pela oposição para tentar construir um acordo sobre este tema. Não há data ainda para a volta do tema ao plenário.

Fonte: Portal G1
http://g1.globo.com/politica/noticia/2010/05/temer-encerra-reuniao-secreta-apos-vazamento-pelo-twitter.html

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Os profissionais da Segurança Pública Brasileira diz NÃO a Dilma, Lula, PT.... e com razão!!

NÚMERO DE PM's EM TRATAMENTO PSICOLÓGICO SOBE 46% EM SÃO PAULO

O número de policiais militares afastados do serviço para a realização de tratamento psicológico subiu 46% no estado de São Paulo em 2010. De acordo com dados da Corregedoria da Polícia Militar, 907 policiais foram encaminhados para o Programa de Acompanhamento e Apoio ao PM - aproximadamente 10 baixas por dia. No mesmo período de 2009, foram 622 - sete a cada dia. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.


O programa psicológico da PM é destinado principalmente para policiais envolvidos em "ocorrências de alto risco", quando ocorrem trocas de tiros

O crescimento da entrada dos policiais no programa psicológico coincide com o aumento do número de mortes provocadas por ações da PM. No primeiro trimestre de 2010, foram 146 mortes, contra 104 no mesmo período do ano passado - alta de 40%.
 
FONTE: JB Online por Blog Blog da Soldado Glaucia
http://sdglaucia.blogspot.com/2010/05/numero-de-pms-em-tratamento-psicologico.html

Candidatos fardados




Eleições 2010

Em 15 Estados, militares quebram o silêncio dos quartéis e se organizam para formar uma bancada no Congresso Nacional

Por: Hugo Marques

Um quarto de século após o fim da última ditadura militar que comandou o País, um grupo de oficiais e soldados das Forças Armadas se prepara para tentar voltar ao poder. Dessa vez não pensam no executivo e muito menos em armas e tanques: querem chegar ao Congresso Nacional por meio das urnas. Eles formulam nos bastidores a estratégia para eleger uma bancada de deputados e vão testar nas urnas nomes da caserna em pelo menos 15 estados. O objetivo é ter poder de voz para discutir no Parlamento temas como o reaparelhamento das Forças Armadas e a revisão da rígida legislação disciplinar. Nessa fase de pré-campanha, muitos candidatos ainda se escondem atrás de suas iniciais para pedir votos, como o “capitão A.J.”, do Rio, ou o “sargento S.L.”, de Pernambuco. Mas alguns militares ouvidos por ISTOÉ, mesmo sendo da ativa, já estão em franca campanha rumo às urnas em outubro. “Há um número considerável de candidatos”, diz o presidente do Clube Militar, general Gilberto Barbosa de Figueiredo. “O problema todo é que eles não são do ramo e não têm dinheiro”. Por exigências constitucionais, os militares só podem se filiar a partidos em julho, mês das convenções oficiais.

Na prática, a falta de dinheiro não chega a ser um entrave. Basta ver o exemplo do capitão do Exército Luiz Fernando Ribeiro de Sousa, do Arsenal de Guerra de General Câmara (RS), que usa a internet para fazer sua campanha a deputado federal pelo Rio Grande do Sul pelo PT. Em sua página, ele exibe fotos ao lado de políticos famosos e alimenta debates do interesse das Forças Armadas. Ele diz que faz parte de um movimento coordenado entre os militares para lançar candidatos dispostos a lutar por mudanças nos quartéis. “A livre manifestação do pensamento, dentre outros direitos absolutos, absurdamente ainda não vale para os militares brasileiros”, critica o capitão Luiz Fernando. “Eles conseguem manter a tropa numa rédea curta, sem alguns dos direitos fundamentais.” Com vários amigos no MST e outros movimentos sociais, o capitão diz que já respondeu a inquéritos militares por externar opiniões. “Já fui punido diversas vezes, sem direito de ser ouvido pela autoridade que me puniu, sem direito de me defender”. Em 2006, ele foi candidato a deputado federal no Rio, mas não passou de 1724 votos.

Outro que recorre à internet é o subtenente Gilson Gomes, do 61º Batalhão de Infantaria de Selva, de Cruzeiro do Sul (AC). Convidado para concorrer a deputado federal pelo PSDC e o PV, o subtenente é presidente do Diretório dos Estudantes da Universidade Federal do Acre, onde cursa Letras. “Nossa proposta é traçar um plano para reaparelhar o Exército. Nossos equipamentos na selva estão ultrapassados, precisamos de recursos para patrulhas na fronteira”, diz o subtenente. “Queremos é lançar candidatos militares em todo o País, mas há muita resistência do Exército”. Em sua página em um dos sites de relacionamento, Gilson critica o governo pelo desmatamento. “Faltam ações, falta vergonha na cara do governo para mudar”, diz o subtenente na internet. Em 2006, ele também não teve sucesso na tentativa de se eleger deputado estadual. Diz que faltou verba para a campanha.

“Com uma bancada de dez deputados, passaremos a
exercer o poder de veto em quase todas as comissões”
Jair Bolsonaro, deputado federal (PP-RJ)
 
Apesar dos limites impostos pelo Exército, o cabo Walfredo Rodrigues, do Comando da 4ª Região Militar, em Minas, também vai disputar um mandato. Ele é presidente da Rede Mineira de Cidadania, que capacita jovens. Sua grande bandeira eleitoral, além dos projetos sociais, é a criação de um fundo de garantia para os militares. “Estou com 22 anos de serviços prestados e, se eu sair hoje, não recebo nada”, diz Walfredo. “Meu projeto é também voltado pos atiradores de tiro-de-guerra, que não tIem nenhuma remuneração”. Ele será candidato a deputado federal por Minas.
 
O coronel da reserva do Exército Arno Schneider, de Santa Catarina, considera que a Câmara dos Deputados é o palco ideal para discutir o reaparelhamento das Forças Armadas. “Infelizmente, não vi nada de efetivo na Estratégia Nacional de Defesa”, critica Arno. “A compra dos jatos supersônicos é outro projeto que se arrasta há dois governos”. Além dos votos dos militares, o coronel busca eleitores nos serviços de inteligência. Arno é pai do analista da ABIN Christian Schneider. Outro coronel da reserva que vai tentar vaga de deputado federal é Sérgio Sparta, presidente regional do PRP no Rio Grande do Sul. “O voto classista é um voto difícil. Os militares são avessos à política”, diz o coronel Sparta. “Mas as pessoas estão procurando valorizar quem representa valores cultuados pela classe militar”.
 
Veterano na política, o capitão da reserva e deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) concorrerá ao sexto mandato este ano. Ele incentiva a caserna a defender seus interesses nas urnas. “Os militares começam a entender que não adianta só um trabalho disciplinado no quartel porque você é esquecido nas casas legislativas”, diz Bolsonaro. “Com uma bancada de dez deputados, passaremos a exercer o poder de veto em quase todas as comissões”. Bolsonaro tem uma mala direta com cerca de 80 mil militares da ativa e diz que a grande preocupação nas Forças Armadas hoje é com alguns projetos que podem mudar a configuração da estrutura do Ministério da Defesa, como o que cria 700 cargos comissionados para civis. Como se vê, a tropa está unida e coesa e o horário eleitoral pode ganhar um tom verde-oliva.

Fonte: Revista IstoÉ - Editora Três

Fonte: FENAPEF
http://www.fenapef.org.br/fenapef/noticia/index/28131

Bogotá combinou repressão com urbanismo e educação



Luiz Angel Blandon, 38, ex-guerrilheiro das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), tem entre suas funções distribuir gratuitamente livros em pontos de ônibus de Bogotá. É um projeto chamado "Livros que voam": o beneficiário precisa se comprometer a passar o livro adiante e exigir que o próximo a recebê-lo não interrompa a corrente literária. "Não fazia mais sentido ficar guerreando", explica. Personagens como Blandon são uma das explicações da redução da violência em Bogotá. De 1993 até este ano, a taxa de homicídios da cidade caiu quase 80% e está em 17 por 100 mil habitantes, quase igual à da cidade de São Paulo, o que significa dizer que, apesar do notável avanço, ainda está longe do satisfatório. Como aceitou deixar as armas, Blandon entrou em um programa público de reinserção. Ganha um salário para ajudar a melhorar Bogotá, promovendo, entre outras tarefas, a corrente literária. Além desse ex-guerrilheiro, os livros também ajudam a explicar o avanço na segurança. "A cidade investiu, além do aprimoramento da repressão, em urbanismo combinado com educação", afirma o sociólogo Jairo Arboleda, responsável no Banco Mundial, na Colômbia, pelo estímulo a parcerias comunitárias com o setor público. Bogotá criou nos últimos anos uma rede de gigantescas bibliotecas em bairros mais pobres, cujo papel primordial é recuperar o espaço público deteriorado e facilitar a convivência. O impacto visual dessas construções é semelhante ao dos CEUs, as modernas e amplas escolas públicas na periferia de São Paulo. O acesso à rede de bibliotecas é facilitado por uma ciclovia de 305 quilômetros e, mais importante, por um corredor de ônibus batizado de TransMilênio. A prefeitura se inspirou em Curitiba, com seus bi-articulados e o pagamento antecipado do bilhete feito em imensas e transparentes cabines na rua. A diferença é que, em Bogotá, o corredor não só levou transporte rápido e de qualidade às áreas mais distantes como se transformou em imensos calçadões para pedestres, alguns deles ajardinados ou com fontes de água. "É impressionante como o TransMilênio subiu a auto-estima dos moradores. Virou um motivo de orgulho coletivo", afirma Arboleda. Os projetos urbanísticos recuperaram a região central de Bogotá, tão deteriorada como as das grandes cidades brasileiras -e isso atraiu mais pessoas para as ruas. Praças foram criadas ou reformadas. Aos domingos, as principais vias são fechadas ao trânsito, agora exclusivas para pedestres e ciclistas. Assim com em Medellín o epicentro da violência estava na Comuna 13, em Bogotá a concentração se repetia num bairro com o sugestivo nome de Cartucho -a versão ainda mais piorada da Cracolândia, em São Paulo. Avaliou-se que ali já não havia mais jeito. O poder municipal transformou toda aquela área em um imenso parque e tratou de encaminhar seus moradores para outros locais. Para preencher essas regiões recuperadas, a prefeitura decidiu promover constantes shows de música, entre várias outras ações culturais como festivais de teatro e de dança. Os efeitos dessas iniciativas eram vistos no surgimento de uma nova vida noturna, antes limitada porque as famílias tinham medo de sair de casa. Evidentemente essas medidas seriam frágeis se não tivessem aumentado o número de policiais e aprimorado seu treinamento -passaram a receber cursos na universidade-, não fossem implantados núcleos de policiamento comunitário e não se sofisticassem os controles na prisão para reduzir a força do crime organizado. Houve um treinamento específico para os carcereiros. Foi fundamental o esforço dos governantes em tentar desarmar a guerrilha e os paramilitares. Mas a engenharia social de Bogotá é ainda mais complexa, e, como em Medellín, motivada por um trauma coletivo. É a sensação de um colapso provocado pela generalização da violência estimulada pela junção de narcotraficantes, paramilitares, guerrilheiros e quadrilhas. Tudo isso se potencializava nos bairros pobres, com seus jovens desempregados, baixa escolaridade, desestrutura familiar, violência doméstica, falta de opções de lazer, gravidez precoce. "Sentíamos que não tínhamos tempo a perder. Tudo parecia urgente", conta a jornalista colombiana especializada em violência Bibiana Mercado, agora na ONU. Estavam em Bogotá muitos dos alvos dos cartéis de Cali e, especialmente, de Medellín. Políticos, promotores, juízes, jornalistas eram mortos rotineiramente. Diante do emaranhado de fontes de violência, apenas uma ofensiva simultânea em vários flancos teria alguma chance de funcionar, a começar de um pacto político com as forças clandestinas. O chefe de Luiz Blandon, o ex-combatente das Farc, hoje com seus livros distribuídos em pontos de ônibus, é o advogado Darío Villamizar, ex-guerrilheiro do M-19. No passado, o M-19 destruiu o prédio da Suprema Corte e matou 70 pessoas, entre elas 11 juizes. "Aprendemos que a paz era o melhor caminho", conta Villamizar, responsável pela inserção na sociedade de ex-guerrilheiros e paramilitares que abandonaram as armas. "O que fazemos é transformá-los em empreendedores para que toquem sua vida." Depois de abandonar as armas, líderes do M-19 montaram o "Observatório da Paz". Um de seus programas, dirigido por Vera Grabe, é disseminar a cultura do entendimento e do diálogo nos bairros mais violentos. "Sabemos o impacto positivo que se alcança quando aproximamos as crianças e os jovens da cultura. A música, a dança, o teatro, as artes plásticas, a comunicação prestam-se como fonte de realização e vacina contra a marginalidade", diz. Para ajudar a disseminar esse tipo de ação, o Unicef sedia um projeto chamado "Aliança para a Paz". Coletam-se as mais diversas experiências, que são sistematizadas, formando um banco de êxitos a ser compartilhado nos diferentes níveis de governo. A Secretaria de Educação de Bogotá, por exemplo, mantém um laboratório de pedagogia comunitária, cuja missão é transferir todo esse conhecimento para a rede de ensino -ela integra a lista de entidades associadas da "Aliança para a Paz". Melhorar a educação formal foi um dos ingredientes do plano amplo contra a violência. O poder público se empenhou em aumentar a matrícula, reduzir a evasão e, através do treinamento para os professores, oferecer melhor qualidade de ensino. Bogotá é o epicentro, na América Latina, da idéia de Cidade Educadora, segundo a qual todos os serviços públicos e privados da cidade devem estar conectados às escolas. Os empresários de Bogotá acreditaram que poderiam fazer a diferença na questão educacional, interessados diretos na questão da segurança, afinal viviam ameaçados, e na produção de mão-de-obra qualificada. "Nossa contribuição foi focada na gestão, que é o que mais entendemos", afirma Guilhermo Carvajalino, principal executivo do movimento "Empresários pela educação". Os últimos cinco prefeitos eleitos de Bogotá - antes eram indicados- tiveram a assessoria ininterrupta dos técnicos indicados pelo grupo de empresários. Isso explica, em parte, por que o nível educacional da cidade, medido em testes, é o mais elevado do país.

Fonte: Portal Aprendiz - Artigo de Gilberto Dimenstein e blog Pensar Crominológico

quinta-feira, 20 de maio de 2010