Foto: Reuters / Sérgio Moraes

terça-feira, 30 de março de 2010

O que é pior? O abuso de drogas ou a guerra que ela proporciona?

Fonte da foto: Fórum Brasileiro de Segurança Pública
http://www.forumseguranca.org.br/artigos/drogas

A Herança Militarizada e o Engodo nas Guardas Municipais


As instituções Guardas Municipais, sofrem de um grande mal,a farsa pessoas que viveram uma vida profissional , com procedimentos militares e de combate ao inimigo, e ainda nos dias de hoje, insistem em ter seus cargos, nas instituições Guardas, enraizando os seus dogmas, não de hierarquia e disciplina, mas sim de coorporativismo e de estruturismo arcaico, que somente contempla a "quem não dá alteração", ou seja as Guardas Municipais são ainda muitas das vezes, com raras exceções, genericos de policia militar, com um pouco de açucar e falacias, enrola-se a população não oferecendo um serviço de excelencia em Segurança Publica. e ainda garantindo monetarimente uma aposentadoria do Estado, e mais um cargo em comissão na Prefeitura.


Ou muda-se completamente os sistema de gestão das GM's , e implanta-se além de uma cultura de paz ; todo o sistema de policia cidadã,para a eficacia e resultados bons e dignos para toda a sociedade, ou continuaremos vivendo uma realidade,aliada a uma mentira.


É presciso que a velha policia com grandes méritos mais cheia de vicios, entenda,que não se faz mais segurança publica de quatro em quatro anos,e que a Constituição Federal Brasileira preceitua segurança como Direito Fundamental.


Abraços

GM Fontana - São José Dos Pinhais /PR


Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública

O lucro da droga

O relatório mundial sobre drogas, divulgado no mês passado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), lança um pouco de luz sobre o problema dos entorpecentes em nosso país. Há hoje uma unanimidade entre pesquisadores e órgãos policiais de que é preciso melhorar o controle sobre nossas fronteiras. Sabe-se, por exemplo, que 80% das 40 toneladas de cocaína consumidas no Brasil anualmente provém da Bolívia; que cerca de 45 % das apreensões de maconha realizadas pela Polícia Federal ocorrem na divisa do Paraguai com Mato Grosso do Sul.
Por outro lado, levantamento realizado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) demonstra que, dos 13 crimes mais comuns em áreas de fronteiras, o tráfico de drogas desponta na liderança. Em segundo lugar, destacam-se o roubo de cargas e veículos. O estudo da SENASP aponta, ainda, que alguns delitos, como o tráfico de pessoas e a exploração sexual são mais localizados, assim como a evasão de divisas que, surpreendentemente, foi verificado apenas no Amapá e no Rio Grande do Sul. O relatório do UNODC alerta também para o fato de que praticamente a metade (48%) dos usuários de drogas injetáveis no país são portadores do vírus HIV. Os esforços policiais devem ser registrados: o Brasil está entre os países que mais apreendem cocaína (17 toneladas) e ecstasy (210 mil comprimidos apreendidos em 2007) no mundo. Por outro lado, a maconha, que tantos defendem levianamente a descriminalização, já é consumida por quase um décimo (7,7%) dos jovens entre 15 e 16 anos.
Essa disseminação da droga pode, entre outros fatores, ter explicação econômica. A pesquisa do escritório das Nações Unidas esclarece que a maconha, comprada no atacado (principalmente do Paraguai) por 150 dólares/quilo, chega a render 300 dólares após a venda pelos traficantes em média, ou seja, o dobro. O mesmo ocorre com o crack, cujo lucro triplica (de 2.000 a 6.000 dólares/quilo), e a cocaína, cuja “distribuição” (12.000 dólares) significa o quádruplo do preço de atacado (de 3.000 dólares/quilo).
* Texto originalmente publicado no Jornal de Brasília, de 19 de março de 2010, página 2.
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública
http://www.forumseguranca.org.br/artigos/o-lucro-da-droga

Um novo horizonte para a segurança pública

Tramitam pelo Congresso Nacional várias iniciativas visando alterar o sistema de segurança pública no país, mas poucas delas conseguem ser originais o suficiente para verdadeiramente alterar o caos em que o setor se encontra.
Há defensores ardorosos de algumas Instituições Policiais que pregam a supremacia de uma sobre a outra, bem como aqueles que entendem que quanto mais polícias melhor, o que é errado.
São Paulo é o Estado mais rico da Federação e nem por isso consegue cuidar da segurança pública a contento, seja por questões de planejamento ou alegada falta de recursos.
No entanto, é curioso como algumas situações nos mostram que a realidade das ruas dá o caminho a ser seguido e os políticos não percebem, da mesma forma que os técnicos do setor, obnubilados pela necessidade de apresentar resultados minimamente satisfatórios em curto espaço de tempo e de conseguir melhores condições de trabalho para seus efetivos.
Cito como exemplo as ações das guardas municipais da região metropolitana de Campinas/SP. Muito bem organizadas pelos seus municípios, elas mostraram vigor e capacidade ao realizarem uma operação conjunta bem sucedida ao final do ano passado, a ponto de haver preocupado o comando local da Polícia Militar.
Agora, o Governo do Estado envia a ROTA - Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar - para potencializar a capacidade de enfrentamento da PM ante a escalada do crime na região.Dessas duas situações, depreende-se, primeiro, que o efetivo da Polícia Militar é insuficiente e carece de policiais adaptados a confrontos mais enérgicos com a criminalidade, chegando-se ao ponto de se ouvir dizer que os "boinas pretas", denominação simpática dada aos integrantes da ROTA, impuseram mais respeito aos bandidos do que seus colegas que atuam em unidades normais.
A segunda idéia que surge é a de que não há tanta diferença, como alguns querem dizer, entre a atuação do policial militar e aquela desenvolvida pelo guarda municipal, injustamente relegado a segundo plano quando se fala em segurança pública.
A realidade grita e muitos são surdos ou assim se fazem diante dela. Estruturas megalíticas tendem a acabar pela necessidade de melhores resultados em curto espaço de tempo e de menores e criteriosos gastos para tanto.Acredito que o policiamento ostensivo comum deva ser realizado pelos guardas municipais, homens e mulheres que vivem a rotina da cidade, tendo nela suas famílias, formando um leque de relacionamentos, fato que alicerça uma responsabilidade muito maior para si.
A polícia militar deve ser restrita a grupos destinados a ações ostensivas especializadas, potencialmente mais perigosas e que exijam técnicas mais apuradas, atuando somente em casos graves, a pedido dos municípios.
É evidente que inúmeros municípios brasileiros não têm condições de manter um efetivo policial, incumbindo, neste caso, à União, Estados e Municípios repartirem a conta, como já está sendo sugerido no Congresso Nacional por meio das Propostas de Emenda à Constituição que tratam dos vencimentos dos policiais militares e civis.
Não se trata aqui de prestigiar esse ou aquele segmento, mas sim de tornar mais racional e moderno o sistema de segurança pública existente.
No mesmo caminho, algumas ocorrências de trânsito, bem como os chamados crimes de menor potencial lesivo poderiam ser objeto do trabalho dessa guarda civil remodelada, criando chance efetiva para que a celeridade do rito criado pela lei 9.099/95 seja atingida, diferente do que ocorre hoje nas Delegacias de Polícia.A Polícia Judiciária, ao lado da Científica, continuariam subordinadas aos Estados, mas teriam que ser remodeladas com menos carreiras policiais e melhor estrutura funcional, além de contemplar servidores administrativos exclusivamente para cuidar da burocracia administrativo-policial, de modo a impedir desvios de função.Nesse viés, os Corpos de Bombeiros devem perder seu caráter militar, mantendo-se na estrutura do Estado e assumindo o controle total da defesa civil em cada Ente da Federação.
São idéias polêmicas, que implicariam em uma revisão ampla da Constituição da República, remodelamento do sistema de custeio dessas estruturas, revisão da formação dada aos policiais, criação de novos métodos de gestão da segurança pública, e o mais difícil: uma mudança radical na atrasada, diria até pré-histórica, cultura policial.
É bom que a sociedade começe a discutir essas possibilidades para que possamos dar um passo real e firme rumo à manutenção da paz e segurança para nossas famílias.
José Vieira da Silva JuniorBacharel em Direito, Escrivão de Polícia2º Secretário da Associação dos Escrivães de Polícia do Estado de São Paulo - AEPESPDiretor Sindical do Diretório Municipal do PTB/Campinas/SP
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública

domingo, 28 de março de 2010


Diary of a call girl


Julianna came to Britain to work in the 'exotic' industry and fund her studies when she returned to Hungary. She may have been naive but few would have foreseen what happened to her


Julianna, a 19-year-old Hungarian, was desperate to fund her studies and escape from rural poverty. She came across an online advert titled simply "Erotic workers wanted". It promised thousands of pounds a week for sex work in a flat in London's Belsize Park. To Julianna, naive but keen to make her way, it seemed like a golden ticket. She had never done anything like this before, but, after just three weeks' work, she would be able to return home with enough money to secure her future.


To the extent that she had imagined her future at all, she saw herself as something akin to Julia Roberts in Pretty Woman. So she applied, and before she had a moment to reconsider, was booked on to a flight to England.


When she arrived she was terrified, repulsed by the work, abused and then forced to continue against her will. She also discovered 27-year-old Natalia, a mother of two from Hungary who'd been tricked into coming to the UK, had her passport seized and was locked away with no money at all.


Julianna soon realised her promised riches would never come, that she too had been trapped. After earning the trust of her employers she was given the keys to the flat and freed herself, Natalia and another sex worker, Rami.


Last week, thanks to the detailed diary she kept, her traffickers – Andrea "Betty" Novak and Joszef Budai – were sent to jail for eight years each. At the same time, the Metropolitan Police's Human Trafficking team – which gathered the vital evidence that jailed the traffickers – was shut down due to budget cuts.


This is the story of Julianna's ordeal in her own words.


The names of victims have been changed.


It all happened so quickly. After I replied to the advert Betty contacted me straight away and talked me through it. Before I knew it she'd bought the plane ticket and that was that.


I knew when I came what it was all about; that it was erotic work to give sexual services to men, and I thought I'd be able to do it. But I had no idea what it would be like. I had never done this sort of work before, and Betty knew that when she persuaded me to come to the UK.


I thought it would enable me to fulfil my dreams and that I would be able to cope. I was wrong.


Tuesday, 13 April 2009, London


Well now! I am here. I don't really know what to say. The three weeks will pass. I don't care how it will be. I won't be nervous and I won't be afraid. I WILL NOT BACK OUT!! And I won't be afraid of the fact that things are going the way I have decided they will go. I do this for my freedom.


According to Seneca, freedom is not when you do what you want. Freedom is when you don't do things you don't want. And he is right. I do this to achieve my dreams, not for the money. Even so, the money leads to my dreams.


I lived in respectable poverty, and it was not unbearable. But it deprived me of a lot of things. I am not prepared to tolerate it any more! I want these things! I want to fight for my dreams and I have no choice in the weapons.


I have just remembered the girls back home. My lies to them about what I am doing are tearing my heart apart. If they are really my friends they will stay with me no matter what, but I am afraid it will change what they think of me. If only they knew that I am the same person they love, honestly I am. This is not affecting me, and my personality is untouched. Agi knows, I told her and I have noticed that she looks at me differently. Even so, she told me that she is proud of me and there for me. She is not proud of me because she has a whore for a friend. "What an achievement!" No, she is proud of me because I am so determined and I make this SACRIFICE for my dreams.


Wednesday, 15 April


To write, or not to write ... I had my first guest. I cannot put my feelings into words. I only know that I am hurting. And I am feeling sick. Now, immediately, I would get on the first plane to go home. I would forget the whole thing. Just one bad dream...


When the phone starts ringing it means the client is coming. I am ageing fast with these minutes and my hair is turning grey. I hate men more as every minute passes. When God created man he wasn't concentrating on it properly. I bet 95 per cent of the male population of London goes out with whores. And they are so sick! Unbelievable!


I have to say my first guy was quite nice, not an Adonis but he told me what I was doing wrong, how I was putting on the condom. Maybe it didn't help that my hands were shaking and swinging around. But I am not shaking any more and I am not nervous. It would be better for me if they would come one after the other. Then I would not think about things and I would not write so much. I would be asleep while they were on top of me. At the moment let's leave it this way, that I am the Pretty Woman! Richard Gere hasn't arrived yet. I am really tired. I should sleep while I have time.


Everything will be OK, and when I go home I will buy my motorbike and I will take my driving test. I can pay for my education as well. But no matter how badly I am trying to explain this to myself it doesn't make me feel any better, and I do not feel it was worth it.


Thursday, 16 April


The clients are coming and going. I am totally drunk all the time. I don't eat, but drink, yes! Let me introduce you to my new best friends: Ouzo, Rosé (or any wine), Palinka, Vodka. I can't sleep. I cry every morning like someone fearing they would be beaten up. It has become so usual now I don't even notice it. I really miss Mum, Dad and Nan. I cry and beg for them every morning.


My stomach is not upset any more about the next client's arrival, I just don't want to do it, but this is not about what I want. I am afraid of the weekend. They say it is like a Russian invasion. I had my first shared client with Rami, it lasted for an hour. The one before him lasted for half an hour. I struggled to kick him out. He wanted me so badly that he did not want to understand that I had another client waiting for me. We managed to get rid of him, thank God.


I like to work with Rami. We can help each other and it is much better because it takes some weight off me. She is 19 like me; she started this when she was 16 and left school early. She says she doesn't like facing the man so he can't see her crying while she is having sex.


I wonder what will happen to her in 10 years' time but really it's not my problem.


I have to try to enjoy it otherwise it is unbelievably painful. I do not need to explain how bad that feels! This room always smells of men, you can't get rid of the smell. You can't possibly imagine the way I feel now; my tears are falling. I try not to cry, but it hurts too much. All I want is to go home.


Friday, 17 April


HANDCUFFS???!!! You should have seen my face when Betty told me. She wanted to put a pink one on me. I refused but they did not care, they said I looked cute to them. Oh, I think I will throw up. I can only laugh about it all in my agony. I can feel my brain functions slowly stopping. Maybe my IQ will drop back down to a plant's level. It would do me a favour because in these kinds of situations it is a burden if you are an intelligent women like I am.


A pink dolly and a secretary outfit. I will not add anything to this so you can laugh.
They give me a role of the dominator. This is it! This is how I will earn my money; by beating these bastards up. So God still exists.


This is my new world: the accoutrements of sex and stilettos with 30cm glass heels. I cannot even stand in them, let alone walk. Luckily (!) they have assured me that I only had to lie down in them. Isn't it great!


Yesterday, my eyes were red raw from crying and I was shaking. There was a porn king here. I don't really want to write about it. Then a horrible man came for half an hour. I told him I did not want to do the sort of sex he wanted. I told him it was painful but he did not want to listen. My tears were falling as I was lying there. Then he left. Betty [Andrea Novak] was preaching to me for an hour, then I went to sleep. I fell asleep like a clock when you take the batteries out. Since I have been here I have lost 12lbs in three days.


Betty just nicked my whole wages off me, £420. I had £40 left but I need that for my plane ticket back so I have nothing.


Poor Natalia, they make out that she is evil and she is not. They don't let her out; they don't let her go home; they don't even pay her. She is a nice girl and these bitches are maltreating her because their souls are rotten. They would kill their own mother not for £20 but for 20 pence. Natalia is 27 years old and has two children. Betty only has to click her fingers and spits chewing gum into her hand to throw it. I can't imagine that there are any others in this world like these revolting human beings.


Saturday, 18 April


Betty is basically a pimp, my pimp among others. She is really cross with me because I am not crying any more, I can sleep well and in general I pull myself together. She accused me of taking Xanax [tablets] and I can't prove her wrong. Well, I presume it is suspicious that simply my willpower was enough. I am happy because I know there are only two weeks and two days to go and I will be at home.


Sunday, 19 April


The first guest of the day departed. He had an extraordinary sexual appetite, and what he did made me nauseous and want to vomit. Yuck, it's gross. These fucking customers bidding down on the prices, they want us for free. This is not a charity!


Natalia has just said that she will escape tonight and asked me to go with her. I haven't achieved my goals yet. No matter what happens I cannot give up now halfway to the finish line.


We are trying to convince ourselves that this is not a prison, but of course it is. I am still such a child, and I will remain one, no matter what I do. This world is so contemptible. And this place is filthy. What we do is filthy. Life means two weeks now. Two more weeks in this Hell.


Girls! You, who plump for this, DON'T DO IT! Money, success, riches... illusions! You are greedy and blind. You may have to be born to do it, I don't really know. But what I know is that to sell one's body is the lowest form of existence. The comfort of money only gives an illusion of happiness for a little while.


Monday, 20 April


When you are trying to calculate how many men you have sex with, the result is irrational, scary and a waste of time anyway. I could describe it as something like trying to add up how many times you breathe in your life. The best thing is not to remember. No matter how powerful your memories are.


I went into Rami's room at 11 o'clock to wake her up and I could see her sniffing lines of powder up from a CD case using a pink straw. I think I will get something like this. Betty took Rami's phone yesterday. She said that we are working behind her back; of course it wasn't true.


Natalia opened the door on me a minute ago, and I nearly swallowed my notebook. I should not write. I am afraid to write. I have to hide my notes all the time, because if they found it, they would cut my throat and stuff me into the cupboard next to the vacuum cleaner. Natalia reassured me that they would not keep my body here, because of the guests, but they would dump it into the Thames. We had a good laugh, but this is not a game. I couldn't imagine this world, but now I am in it, breathing its heavy air. And it is different. Every move I make now I betray myself, it is not me any more, it is not what I would usually do. It is the action of another person. A whore.


Please God, not any more of them today ... I would really like to have a rest now. I am hurting inside. I mean my womb, all my female organs. I don't really understand how the girls put up with it ...


I wake up to the sound of the seagulls every morning. I look out of my window and I can see them flying above the houses. This is the first time I have seen a real-life seagull in the wild flying around. At least that's something.


Tuesday, 21 April


It is 9 o'clock at night and I am organising the escape. A good friend of mine in Hungary has a twin – Krisztina – who lives in Bristol. She's been there for four years and she said before I came out that if there was any need for help then I should contact her. When I rang her up I said, that's it, we have to get us all out.


Originally Betty and her boyfriend were living in the house with us, but I pretended to be a very good girl and soon they left Rami in charge. They still kept a very tight rein, but when Rami decided to go home, there was no alternative but to give me the key to the house because they thought they'd got to know me and that I was settled.


Rami assured me that they would not leave my pictures on the internet after I left and she said they won't look for me at home because they are not powerful enough to do so. Betty hasn't got any clearance in the country and the internet site where my pictures were can only be seen from London. They won't look for me at the airport or the embassy either. Betty got into trouble back home so she cannot go back.


We have agreed that we are going to take the telly – we can't possibly leave it here. Anyway, they have bought everything out of our wages. We will empty the house nicely so we can sell it and get some money for it.


In a few months' time, we will sit down together and laugh at the whole thing. I am not nervous about this, all three of us are going to escape tonight. I can't wait to sit on the plane home. I hope my friends can come and pick us up by car because we can't take the telly otherwise. I was thinking about taking the fridge as well, really we need a van to take the whole house. I am sure that the microwave is coming. I made about £1,000 for them... out of that amount I only received £300.


Wednesday, 22 April


Krisztina rang me and she said she could pick us up by car at 9am. It felt like winning the jackpot. I could feel something wasn't right and there is something wrong with this, no matter how hard I tried to look at things logically. Rami was packing, Natalia was very nervous and I was shaking.


I was expecting a van but it was a sports car, though we managed to put a three-bedroom flat in there. It was very exciting – freedom was just an arm's length away. I still wasn't sure about my decision. But no, my senses are right, this wasn't normal.


I was troubled because of the money, I was disappointed that I am free but poor and miles away from getting my motorbike.


I felt broken and ill. While I was among the girls, things like this were considered normal, it wasn't a problem that I was doing that kind of thing, we were all the same. We stopped at Asda to get some shopping. As we were walking up and down the aisles I could feel that people were looking at me because everyone knew that I was just a whore. I wasn't dressed like one. I looked like just any other ordinary girl, but still this feeling was torturing me.


I cried a little on the way to Bristol, I had no power over my tears but no one noticed, it was a terrible feeling. I was waiting for all this to end, but now I know there will never be an end to this because it will always be in my memories.


Fonte: Jornal Inglês "Independent"


quinta-feira, 25 de março de 2010

Guilhotina é exposta em Paris




A última guilhotina em bom estado na França foi colocada em exposição no Museu d'Orsay, em Paris. O instrumento de execuções foi muito usado durante a Revolução Francesa, em 1789. A última pessoa degolada em uma máquina como essa foi Hamida Djandoubi, condenado por tortura, estupro e assassinato em 1977, em Marselha. A pena de morte foi abolida na França em 1981.A guilhotina incluída na mostra sobre crime organizado e punição pode ser vista até o final de junho. Ela está entre as mais de 400 peças em exposição.

sexta-feira, 5 de março de 2010

André Silva/Artigo - Mulher, denuncie seu agressor!!

Nos dois primeiros meses de 2010 o Disque Direitos Humanos de Minas Gerais registrou um aumento de 150%, em relação aos dois primeiros meses de 2009, nas denúncias de violência contra a mulher. Segundo a matéria veiculada no Portal Uai do dia 04/03/10, esse disque denúncia tem sido usado com mais frequência pelas mulheres, especialmente após a iniciativa do governo mineiro de se empenhar na luta contra toda forma de violência contra a mulher lançando em 2008, a Campanha “Fala Mulher”.

Segundo o site da Anistia Internacional, em fevereiro três mulheres na Malásia foram açoitadas dentro da prisão com varas como castigo por terem cometido adultério. No Yemen, segundo um relatório também da Anistia Internacional do dia 25 de novembro de 2009, as mulheres sofrem sistemáticamente violência doméstica e descriminação. O relatório acusa as leis yemenses e a prática tribal local de considerar a mulher como segundo plano.

No mundo centenas de mulheres são vítimas das diversas formas de violência de gênero. Violências que vão da agressão psicológica à queimaduras com ácido, como acontece nas regiões tribais do Paquistão. Essa violência não se limita a níveis de escolaridade, níveis sociais, a países pobres, em desenvolvimento ou desenvolvidos. É uma violência, que como um câncer, está e todos os lugares.

O aumento de 150% nas denúncias de violência contra a mulher em Minas Gerais se deve especialmente à campanha “Fala Mulher”. Acredita-se que em reação à campanha veiculada e a confiança que a rede de proteção à mulher tem conquistado, as mulheres estão denunciando as agressões com confiança e esperança de uma solução. Devido às leis islamicas da sharia e os costumes tribais, as mulheres da Malásia e do Yemen não tem a oportunidade que a mulher brasileira, não somente a mineira, hoje possui de denunciar e se refugiar em estruturas estaduais e não-governamentais em busca de um fim para a violência que sofrem.

É bem certo que muito há o que se fazer para atender as regiões distantes do país, para prevenir a agressão, para impedir que o agressor cumpra as ameaças, mas nada comparado ao que as yemenses e malasianas estão sofrendo nesse momento. Para que a lei seja experimentada, para que possa haver mudanças e melhorias na luta contra toda a forma de violência contra a mulher, as brasileiras tem que denunciar seus agressores. Há que se estimular a consciência da não-tolarância a esse tipo de violência.

A violência doméstica, especialmente, é um ciclo que deve ser quebrado pela mundança de comportamento gerada pela mudança de pensamento. A mudança do olhar do homem-agressor sobre a mulher deve ser estimulada de forma a evitar a violência como opção na resolução de conflitos conjugais. O álcool e as drogas são, em certos agressores, tecla de acionamento dessa violência direcionada a mulher. Há muito o que se fazer mas se não houver a denúncia para que o Estado seja acionado haverá poucos avanços e o medo, a violência e a impunidade dos agressores ainda estarão presentes na vida de centenas de mulheres.

André Silva

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Artigo de Julita Lemgruber - Quando a polícia mata...

Publicado em O Globo, 10 de julho de 2008.
Em 2001 o condado de Los Angeles foi obrigado pela Justiça a pagar cerca de sete milhões de dólares em indenizações a vítimas de violência policial - que incluíam desde 12 pessoas mortas pela arma de um policial até 22 submetidas a "força excessiva", mesmo sem seqüelas duradouras, em alguma ação da polícia. Seis anos depois, o condado desembolsava em indenizações desse tipo cerca de três milhões de dólares, ou seja, menos da metade da quantia anterior. E as 5 vítimas letais da polícia em 2007 também representavam menos da metade do número registrado em 2001.
O que mudou ao longo desses anos? O governo de Los Angeles contratou os serviços de Merrick Bobb, conhecido e respeitado advogado, para atuar como auditor independente e monitorar as ações da polícia local. Desenvolveu-se no condado um sistema de controle do disparo de arma de fogo, em que cada policial deve registrar, ao final do dia, cada tiro disparado e até mesmo cada vez que a arma foi sacada do coldre. Tornou-se obrigatório relatar minuciosamente os fatos que motivaram o uso da arma, e também outros incidentes em que se avalie ter havido emprego excessivo da força, sendo tais relatórios revistos pelas chefias e discutidos com os policiais.
Na década de 1990 várias cidades norte-americanas tiveram de pagar indenizações milionárias a vítimas de violência policial. De Nova York a Filadélfia, de Detroit a Los Angeles, centenas de milhões de dólares dos contribuintes foram gastos com isso. Apenas como exemplo, uma pessoa mordida por um cão da polícia, recebeu indenização de 100 mil dólares. Como reconhecem estudiosos das polícias dos EUA, a sangria de recursos provocada por ações judiciais dessa natureza foi um estímulo decisivo à adoção, em várias partes do país, de estratégias de controle externo voltadas explicitamente para reduzir a violência e a corrupção policiais. O princípio que está por trás é muito simples: em cada episódio de abuso, excesso ou desvio, a culpa não recai apenas sobre os agentes diretamente envolvidos nem só sobre os seus superiores imediatos, mas também sobre o estado, município ou condado responsável pela polícia e pela política de segurança. Quando esse princípio se traduz em responsabilização judicial e em pesado ônus financeiro, cria-se uma forte motivação para que os governos invistam efetivamente na mudança de comportamento dos seus policiais.
A espantosa continuidade dos episódios de violência policial no Rio de Janeiro mostra a urgência de responsabilizarmos as autoridades fluminenses pelos resultados da sua opção por uma política de confronto como suposto método de redução da criminalidade. Não basta mais culpar apenas os policiais individualmente nem o seu treinamento precário. É preciso admitir que a morte de tantos inocentes, inclusive crianças pequenas - como Ramon, de 6 anos, na favela do Muquiço, e João Roberto, de 3, metralhado na Tijuca - decorre da mesma política que tem provocando centenas de mortes, nunca suficientemente investigadas, de reais ou pretensos bandidos.
Policiais devem imediatamente passar por treinamento intensivo em técnicas de abordagem e sua ação nas ruas deve começar urgentemente a ser monitorada nos moldes do que se começou a fazer em muitas cidades dos Estados Unidos e da Europa, por meio de mecanismos de controle externo independentes e autônomos. Mas, para que isso saia do discurso e chegue à prática, é necessário, entre outras coisas, responsabilizar judicialmente o estado, obrigando-o ao pagamento de altas indenizações, que não fiquem nas filas dos precatórios, pelas vítimas letais e não letais da violência que ele incentiva com a sua política belicista. Se considerarmos que a polícia fluminense matou, só no ano de 2007, 1330 pessoas em alegados confrontos, sem contar as que deixou seriamente feridas, poderemos imaginar o montante de indenizações a serem pagas caso essa polícia atuasse em Los Angeles.
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

As Melhores Forças Especiais do mundo - Navy Seals


Navy Seals
O United States Navy Sea, Air and Land, mais conhecidos como US NAVY SEALS, é uma Força de Operações Especiais da Marinha dos Estados Unidos, especializados na guerra não convencional, ação direta, antiterrorismo e reconhecimento. No Brasil poderiam ser equivalentes com o Grupo de Mergulhadores de Combate (GRUMEC) e em Portugal ao DAE.
Eles foram criados em 1962, por ordem do presidente John F. Kennedy. Desde então tem assumido papel importante no teatro de operações de Forças Especiais dos Estados Unidos. Entre os analistas militares, há muitos que dizem que são a melhor Força Especial do mundo, mas aí entra em discussão outras unidades como: 1SFOD-D ou Força Delta, SAS, SASR, Sayeret Matkal e Shayetet 13.
A Organização é dividida em 10 grupos, sendo que cada um tem responsabilidade por uma área no mundo,com exceção do SEALS TEAM SIX ou DEVGRU, que seria uma espécie de Força Delta dos Seals que tem como missão primordial o combate ao terrorismo no campo naval, empregando táticas de Close Quarters Battle.

As Melhores Forças Especiais do mundo - SAS - Serviço Aéreo Especial


SAS - Serviço Aéreo Especial
Serviço Aéreo Especial (SAS) (inglês: Special Air Service) é uma força especial britânica, conhecida pela sua alta capacidade em condições extremas. Inclusive, nos treinos, muitos recrutas morrem devido as terriveis e arduas tarefas a que são submetidos.
Pode ser considerada a primeira "SOF - Special Operation Force" e criadora das operações tipo "Destrua e Fuja".
De todas as Forças Especiais ela é a mais respeitada e muitas vezes considerada a mais eficiente do mundo.A SAS é a mentora de várias forças especiais do mundo como: Força Delta, Sayeret Matkal, GSG 9, Special Air Service Regiment, KSK, GIGN e etc.
Uma das maiores características dessa unidade é sua adaptabilidade por ter sido uma das pioneiras entre as forças especiais.
A "cartilha" SAS é atualmente usada por quase todos os comandos e forças especiais do mundo. Entre as inovações que criaram está:Táticas de Close Quarters Combat (Combate em Ambientes Confinados) criadas inicialmente para ações antiterrorismo.
Essas táticas ficaram famosas com a unidades SWAT da policia americana.Conceito de guerra não convencional aplicado à condução de Operações Especiais.
O conceito de Operações de Patrulha e Reconhecimento de Longo Alcance - até mesmo das chamadas operações móveis, em que um destacamento de forças especiais ataca e se movimento dentro do território inimigo levando o combate durante quilômetros e várias semanas.

As Melhores Forças Especiais do mundo - JTF2 - Joint Task Force 2

JTF2 - Joint Task Force 2
Joint Task Force 2 é uma unidade de Forças Armadas do Canadá responsável por operações anti-terroristas. JTF2 descreve sua missão como “prestar assistência armada na resolução de um incidente que afete, ou tenha o potencial de afetar o interesse nacional do Canadá.”
Os soldados são divididos em duas categorias:
Categoria A - Assalto de Operações Especiais (SOA) que são aqueles que chegam metendo o “pé na porta”, que possuem uma grande experiência tática em operações especiais de resgate, busca e apreensão.
E Categoria B - apoio e pessoal especializado para qualquer tipo de operação. Esta categoria inclui também a posição de timoneiro de operações especiais.
Na série de jogos de tiro Tom Clancy Rainbow Six um personagem chamado Roger McAllen, que fazia parte da antiga JTF, foi incorporado ao jogo por sua atuação na luta contra o terrorismo em 1993.

As Melhores Forças Especiais do mundo - Yamam - Unidade Especial de Polícia


Yamam - Unidade Especial de Polícia
A Yamam (em hebraico: ימ"מ), é abreviação de Unidade Especial de Polícia (יחידת משטרה מיוחדת, Yeḥidat Mishtara Meyuḥedet), unidade de elite do combate ao terrorismo da Guarda de Fronteira Israelense (Magav).
A Yamam é respeitada mundialmente por ser altamente profissional e apresentar um largo histórico de sucesso operacional. É uma força paramilitar especializada em operações de resgate de réfem, e, ofensivas contra alvos em areas civis. Sua ação militar é parecida com a SWAT mas age também em ações infiltradas.
A Yamam responde ao Comando da Guarda de Fronteira, e pertence ao braço civil das forças de segurança de Israel. Mesmo assim, todos seus oficiais são militares com experiência nas Forças de Defesa de Israel, e todos seus membros foram operadores das forças especiais israelenses.
Os soldados da Yamam treinam em todas as àreas militares, de forma que o grupo nunca fique deficiente numa determinada diligência. Eles tem que ser peritos em tiro de precisão, combate em locais urbanos, missões de reconhecimento urbano e de campo militar, desprogamação de bombas, e etc.
Além de treinar rapel, salto com queda livre militar, e mergulho autonômo.

As Melhores Forças Especiais do mundo - AFEUR - Agrupación de Fuerzas Especiales Antiterroristas Urbanas (Grupo de Forças Especiais Antiterroristas)


AFEUR - Agrupación de Fuerzas Especiales Antiterroristas Urbanas (Grupo de Forças Especiais Antiterroristas)
A AFEUR é uma unidade de elite do Exército colombiano, cuja principal missão é realizar operações de contra-terrorismo e resgate de reféns de forma rápida, coletiva e discreta.Proteção VIP é outra tarefa da unidade. Por exemplo, eles protegem o presidente colombiano, quando viaja, e também forneceram proteção para o grupo do presidente Bill Clinton’s e o presidente George W. Bush quando visitaram a Cartagena, em 2000, 2004, respectivamente. Eles também ajudaram na segurança da visita do Presidente Bush a Bogotá em 2007.

As Melhores Forças Especiais do mundo - SWAT - Special Weapons And Tactics (Armas e Táticas Especiais)


SWAT - Special Weapons And Tactics (Armas e Táticas Especiais)

A SWAT é uma unidade de elite tática da América e de alguns departamentos policiais internacionais. Eles são treinados para executar operações de alto risco que estão fora das habilidades de policiais comuns. Suas funções incluem a realização de resgates de reféns e operações anti-terrorismo, cumprir mandados de prisão de alto risco e mandados de busca, enfrentando suspeitos e criminosos fortemente armados. A SWAT é equipada com armas de fogo especial, incluindo fuzis, metralhadoras, espingardas, carabinas, granadas e super-rifles para franco-atiradores. Eles têm vários equipamentos eletrônicos, coletes reforçados, ferramentas para invasão e arrombamento, veículos blindados, óculos para visão noturna, e detectores de movimento para determinar secretamente as posições dos reféns e seqüestradores dentro de uma estrutura fechada.
Suas funções são: resgate de reféns, operações de luta contra o terrorismo e captura de criminosos violentos (como estupradores, assassinos em série ou gangues).
Algo interessante é que muito do armamento a curta-distância deles não são letais. São utilizados apenas para imobilizar e ferir os criminosos.

Fonte: http://forum.outerspace.terra.com.br/showthread.php?p=5630047

As Melhores Forças Especiais do mundo - BOPE


BOPE - Batalhão de Operações Policiais Especiais
Esse todos já sabem, mas ai vai uma pequena descrição. O BOPE é a unidade de elite das forças especiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.
É especializada em patrulhas, progressões e combates em ambientes confinados e restritos. Considerada a mais eficiente tropa de combate urbano do mundo. Atua em operações de risco extremo, seja no patrulhamento de locais de alto risco, combates em locais de difícil acesso, operações em montanhas, ocorrências com reféns localizados, ocorrências envolvendo explosivos, incursões em favelas e situações de confronto com traficantes de drogas.
O BOPE possui uma frota de veículos blindados de combate, que são conhecidos como “Caveirão”
Estes veículos são usados em operações nas favelas, onde o BOPE enfrenta intensos conflitos com traficantes de drogas. Devido às exigências de sua atuação em situações especiais, é disponibilizado um armamento diferenciado aos políciais que servem no BOPE, com fuzis, espingardas, pistolas, submetralhadoras, carabinas e explosivos.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Pagar tratamento de dependente químico devasta orçamento familiar

Marinella Castro - Estado de Minas
Tratar a dependência química não é mais uma decisão apenas do paciente, mas do quanto o orçamento doméstico é capaz de pagar. O tratamento, que pode custar mais de R$ 10 mil por mês nos centros especializados, consome não só o amor das famílias, mas as economias de vários anos, a paz e, em alguns casos, o patrimônio. Mesmo assim, o esforço de pais, avós e parentes costuma não ser suficiente para arcar com a conta do hospital. O peso deveria ser dividido com os planos de saúde, mas a cobertura para o tratamento ainda não é uma realidade ampla, apesar de ser garantida pelas normas do setor. O mais grave, contudo, é que a defasagem entre a pequena oferta das empresas frente à escalada da dependência química está transferindo a delicada decisão para a Justiça.
A dependência química é uma doença social descrita pela Organização Mundial de Saúde (OMS), com números que assustam o mundo. No país, estima-se que 11% da população tenham envolvimento com álcool e outras drogas. De acordo com a regulamentação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a internação, sem limite de tempo, é um direito de quem contratou um plano de saúde, desde que seja uma prescrição médica. Mas, na realidade, quando o tratamento não é feito na rede pública, ele acaba sendo bancado pelo orçamento doméstico. Os motivos variam desde a ausência de vagas na rede de tratamento conveniada até a baixa adesão dos planos aos convênios com centros de tratamento a médio prazo.
Um dia depois de descobrir que o filho adolescente R. havia se tornado usuário de cocaína, droga que, junto com colegas entre 13 e 16 anos descobriu na escola particular, Silvia (*) e o marido João deram início à fase mais difícil de suas vidas. Os dias se transformaram em uma batalha para salvar o filho, e agora a família se prepara para discutir, na Justiça, o direito à cobertura médica. R. é um garoto de classe média, que tem plano de saúde. Ele engrossa as estatísticas que apontam o crescimento do envolvimento de adolescentes com substâncias lícitas e ilícitas. Segundo os últimos dados do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas (Cebrid), 23,5% dos jovens entre 12 e 17 anos já experimentaram algum tipo de droga.
Aos 16 anos, o menino charmoso de sorriso manso tornou-se agressivo em casa, até mesmo com o pequeno L., o irmão de 8 anos. Quando sem controle e transtornado, avançou contra os pais com o propósito de agredi-los. Só foi contido em uma ação policial. Por determinação médica, e também como uma medida judicial de proteção, prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente, o menino deveria ser imediatamente internado, já que, naquele momento de surto, representava uma ameaça para si mesmo e para terceiros.
Apesar de a indicação médica e da Justiça, a vaga não foi liberada pelo plano de saúde. “Assim que descobrimos que nosso filho havia se envolvido com drogas, tentamos o tratamento ambulatorial e uma internação rápida, que não deu resultado. Ficamos desesperados. R. fugiu de uma clínica, ficou perdido por vários dias. Quando reapareceu, tornou-se extremamente agressivo em casa, e a Justiça determinou: ou a internação ou a cadeia”, conta, emocionada, a mãe do adolescente.
Como a família já havia vendido o carro, instrumento de trabalho do pai do garoto, para pagar a primeira internação de desintoxicação, decidiram acionar a Unimed-BH. “Foi aí que começou o nosso desespero. Precisamos internar R. com urgência e o plano, em um primeiro momento, disse que não tinha nenhum hospital credenciado”, lembra a mãe.
Depois de uma semana, a conversa avançou e a Unimed-BH ofereceu uma carta com a opção de duas instituições: o Hospital André Luiz e a Clínica Pinel, ambos para tratamento psiquiátrico. “Acontece que os dois hospitais se negaram a internar o meu filho, por ele ser menor. A Pinel, além de não trabalhar com crianças e adolescentes, também não interna involuntários, como era o nosso caso”, diz a mãe. O primeiro hospital entregou aos pais uma carta explicando a negativa de atendimento. A reportagem do Estado de Minas entrou em contato com a Pinel e recebeu a confirmação de que a instituição, de fato, não trabalha com menores.
(*) Os nomes dos personagens foram trocados para preservar a identidade das fontes
Fonte: Estado de Minas

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

ENTREVISTA EXCLUSIVA da cineasta e documentarista Geysa Chaves sobre o documentário "Ocupação" e "Se eu não tivesse amor"







André Silva - blog "Questão de Segurança Pública"


Em entrevista exclusiva concedida ao blog "Questão de Segurança Pública", a cineasta e documentarista Geysa Chaves fala sobre os documentários em fase de produção ,"Ocupação" e "Se eu não tivesse amor", e sobre os planos futuros de escrever um livro e produzir um longa de ficcão.

Advogada e estudante de Direção de Cinema da Escola de Cinema Darcy Ribeiro - Instituto Brasileiro do Áudiovisual, Geysa Chaves, que mora no Rio de Janeiro, aborda em seu trabalho "Ocupação" a falta de continuidade dos programas sociais após a ocupação da favela Tavares Bastos pelo Batalhão de Operações Especiais da PMRJ (Bope) que tem privado aquela comunidade de melhoria na qualidade de vida, oportunidades e dignidade.

O documentário "Se eu não tivesse amor" é uma bela abordagem sobre a realidade de cinco mulheres que cumprem pena no presídio Talavera Bruce no Rio de Janeiro. Geysa debate a questão da ressocialização, do preconceito e da valorização dos ser humano atravéz de uma abordagem humanizada da vida dessas personagens reais.

A cineasta também fala do projeto de escrever um livro e produzir um longa de ficção sobre o documentário "Se eu não tivesse amor" e diz estar aberta a propostas de EDITORAS para o livro e de TV´s abertas, fechadas para o documentário e produtores para o futuro longa de ficção.


André Silva: O que é o “Cinema Social”?

Geysa Chaves:
Na minha visão, é discutir temas sociais a partir do audiovisual. Existem temas que pela própria natureza os governos e a sociedade muitas vezes fingem quem não existem, então trazer tais temas à evidência é importante para as pessoas de uma maneira geral procurar fazer uma reflexão sobre eles e exigir mudanças de postura.

André Silva: O seus dois documentários “Ocupação” e “Se eu não tivesse amor” focam as questões sociais, a partir de quem momento você decidiu enquanto cineasta investir no Cinema Social e por que?

Geysa Chaves: Minha preocupação é com assuntos atuais. Assuntos que estão dia a dia no noticiário. Contudo, às vezes as mídias, em função do compromisso com a audiência, divulgam tais informações de uma maneira tendenciosa, e por isso acho importante que as pessoas possam conhecer os dois lados.

André Silva: Uma mulher á frente de uma equipe subindo em uma favela, ainda que considerada segura, e entrar em um presídio feminino para produzir um documentário, na sua opinião, representa uma conquista de espaço quanto às questões sociais das mulheres como um todo? Houve alguma dificuldade durante a produção dos dois documentários que você atribuiria ao preconceito de gênero?

Geysa Chaves: Acho que a mulher ainda é muito tímida. Sempre fui buscar a realização dos meus ideais. Nunca olhei se era mais propenso a homens. No caso desses dois trabalhos, não enfrentei qualquer tipo de preconceito, até porque na TAVARES BASTOS - QG do BOPE/RJ, muitas matérias já foram realizadas lá para TV´s do Brasil e do exterior e muitas as entrevistadoras em vários casos eram mulheres.

Quanto ao presídio, a minha experiência como advogada (embora eu nunca tenha atuado na área criminal) me ajudou muito. Por ser advogada e conhecer meus direitos fui menos hostilizada por funcionários da unidade, mas não escapei de pressão psicológica, tanto que em função de determinado abuso de autoridade tive que representar contra dois funcionários junto a Secretária de Estado de Administração Penitenciária e a Corregedoria local. Depois disso entendi porque só existem filmes de ficção acerca de temas relacionados a presídios. Documentários, se existem são poucos, mas desconheço, acho que não tem.

André Silva: Como surgiu a idéia de fazer o documentário “Ocupação” e o que pretende discutir?

Geysa Chaves: Fala-se muito em UPP´s – Unidade de Polícia Pacificadora. O Governo do Estado em 2009 lançou uma campanha em vídeo em que a polícia subia o morro correndo com a viatura e em seguida ocorria uma fusão de imagens com a realização de obras e o povo sorrindo, seguindo-se da imagem do policial no topo do morro sorrindo.

A leitura é: polícia invade, ocorrem obras e melhorias, povo feliz e polícia no topo, mandando.
Com base nisso resolvi visitar a TAVARES BASTOS – QG do BOPE/RJ que é a OCUPAÇÃO mais antiga e realizada no Governo ANTONY GAROTINHO.

A ocupação data de 09 anos, e depois disso, o único braço do Estado lá é a polícia, o BOPE, mas não tem 1 posto de saúde, não tem nenhuma escola municipal ou estadual, em fim, não tem nada e são 6.800 moradores.

Acho que seria legal o povo saber disso antes da eleição.

André Silva: No documentário “Ocupação”, você levanta questão da não continuidade das políticas sociais após a ocupação permanente da favela Tavares Bastos pelo Bope, como você avalia os efeitos dessa falta de continuidade na comunidade?

Geysa Chaves: Decepção. O morador sabe que a questão é política e se sente usado pelos políticos que sempre prometem e não cumprem nada. Essa consciência de que os políticos são sem caráter é forte lá. O morador mais velho já perdeu a esperança e o morador jovem sonha que ainda pode haver mudanças, mas também acha meio utópico sua forma de pensar, ante a tudo o que vê.

André Silva: O documentário “Ocupação”, que levanta questões sobre as políticas públicas não implementadas após pacificação com a instalação de um batalhão do Bope dentro do favela Tavares Bastos, traz um alerta sobre as Unidades de Polícia Pacificadora. Na sua opinião o que deveria ser feito para que as Unidades de Polícia Pacificadora não se torne somente mais uma política de ocupação?

Geysa Chaves: A experiência com o BOPE deu muito certo. A população local nem pensa na possibilidade do BOPE sair de lá, porque sabe que se eles saírem no dia seguinte volta o tráfico.

Contudo, existem lá projetos privados que chegaram a comunidade através do BOPE, por ser uma polícia respeitada, a mais respeitada, ou a única respeitada pela massa no RJ, então os jovens, as crianças ainda tem alguma coisa para fazer, como artes marciais, onde um policial do BOPE dá aula para os jovens e crianças.

A comunidade também recebe ajuda do BOPE em emergências médicas, e em função dessa ocupação do BOPE que gerou tranqüilidade, a comunidade passou a ser referência de locação para cinema nacional e internacional e também TV.

Lá foram filmados O INCRÍVEL HULK; A LEI E O CRIME; XUXA; VIDAS OPOSTAS, força tarefa, clipe do SNOOP DOG, e outros. Em função disso já teve projeto privado de escola de cinema com patrocínio da PETROBRÁS e também tem uma escolinha de VOLEY do BERNARDINHO com apoio do BANCO DO BRASIL, mas nada vindo do Governo do Estado, e isso tudo dito pelos próprios moradores.

Não adianta só a UPP. Para que a vida do morador de comunidade seja mudada é necessário investimento público em educação, cultura e toda área social, em especial oportunidades de trabalho dentro e fora da comunidade. Se não houver isso, o bandido sai de lá e vai aterrorizar em outro lugar. A polícia se instala e a vida do morador não muda, só passam a ter a garantia do sossego apenas.

André Silva: Após vários contatos com moradores da favela Tavares Bastos, na sua opinião, qual foi a percepção deles quanto a política de ocupação com a implantação do batalhão do Bope e a não continuidade das demais políticas sociais?

Geysa Chaves: Há quem goste do BOPE e há quem não goste. Quem não gosta é porque não gosta de ter que dar satisfação a ninguém, isto é, quer uma liberdade além dos limites de conivência social normal. Mas a maioria ver a presença do BOPE lá como fundamental, se orgulham disso, de viver numa favela tranqüila onde podem dormir com janelas abertas, etc. Mas lamentam o fato do Estado e da Prefeitura não fazer nada por eles em termos de saúde, educação e cultura. Se sentem abandonados pelo poder público. É a mais perfeita definição dos DOIS MUNDOS que falo na narrativa do documentário.

André Silva: Como surgiu a idéia de fazer o documentário “Se eu não tivesse amor” que retrata o drama e os conflitos vividos a por cinco mulheres que cumprem pena no presídio Talavera Bruce no Rio de Janeiro?

Geysa Chaves: Vinha acompanhando notícias quase que diárias de mulheres sendo presas porque o namorado, marido ou companheiro era do mundo do crime, e as mulheres eram envolvidas nos crimes dos mesmos.

Passado um tempo, fui convidada por um pastor evangélico para ir num evento nessa unidade prisional ver o trabalho dele de evangelização com elas.

Chegando lá, me surpreendi com uma cadeia que nunca me mostraram, com fábricas, cursos, escola de primeiro e segundo grau e acesso ao vestibular/ENEM, reunindo todas as condições de ressocialização do detento. Não havia superlotação. As celas são individuais, e as poucas coletivas são para 8 ou 32 detentas, mas cada uma com sua cama e suas coisas pessoais.

PENSEI: Por que ninguém jamais mostrou isso tudo?

Passei a ir algumas outras vezes com ele e resolvi registrar tudo numa espécie de diário que vai virar livro.

Quando decidi que queria mostrar aquele tipo de cadeia, pense: Quero contar essa história, mas preciso de personagens porque não posso falar só da cadeia porque senão é uma mera reportagem.

Decidi que o foco dramático seria mulheres que foram condenadas em função dos relacionamentos amorosos com homens do mundo do crime, já que conversando com 10 mulheres, 9 se diziam lá em função dos crimes desses homens.

André Silva: Você escolheu cinco mulheres como personagens do documentário “Se eu não tivesse amor”. Quais foram os critérios que fizeram dessas mulheres personagens?

Geysa Chaves:

1 – Mulheres fortes, dispostas a contar suas histórias para seus futuros espectadores ou telespectadores sem se fazer passar por coitadinhas, assumindo seus atos;

2- Mulheres bonitas, fora do esteriótipo de cadeia, para que a sociedade possa se identificar com elas e assim prestar atenção no problema social vivido por essas moças, e por muitas outras que não estão presas, ainda;

3 – Moças que fossem capazes de convencer pelas próprias histórias e comportamento na prisão, que todo ser humano merece nova oportunidade, e que são capazes de mudar, mas dependem da oportunidade dada pela sociedade.

André Silva: No seu documentário “Se eu não tivesse amor”, você realizou uma abordagem humana, que valorizasse as mulheres e não os seus crimes. Na sua opinião, o que mais dificulta quanto a ressocialização?

Geysa Chaves: O preconceito da sociedade. Por não dar oportunidades ao detento ou ao ex-detento, a sociedade criou para essa população uma pena de prisão perpétua que a nossa Constituição da República não estabeleceu.

Embora Constituição diga que “não há pena sem prévia cominação legal”, a sociedade condena essa população carcerária a terminar os seus dias no cárcere. Sim, porque se você não dá oportunidades de uma nova inserção social, o que a pessoa que já tem uma espécie de rótulo eterno de ex-presidiário vai fazer da vida?

Enquanto esse preconceito não for quebrado, essa ressocialização se torna mais difícil. Valorizar mais o ser humano que o crime nesse documentário faz a sociedade ver de forma diferente. O fato delas serem bonitas e novas também faz a sociedade ter interesse em ajuda-las e entender seus problemas. Quebra esse esteriótipo de população carcerária faz quebrar um pouco do preconceito.

Veja a campanha do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Eles também saíram do esteriótipo de cadeia senão as pessoas desligam a TV na hora do comercial ou mudam de canal.

André Silva: No seu blog (www.geysachaves.blogspot.com) você registra momentos em que as detentas participaram de concursos de beleza, desfiles e seção de fotos. O que o documentário “Se eu não tivesse amor” pretende dizer nessa abordagem humanizada?

Geysa Chaves: Esse bloco será o da ressocialização. Pretendo que as pessoas entendam com isso que valorizar a auto-estima do preso é fazer dele uma pessoa melhor, que se sente valorizada, amado, respeitado em sua dignidade. Eles já foram julgados e estão lá cumprindo suas penas. Ajudar a se sentirem como seres humanos normais como outro qualquer, que são, faz com que o preso tenha vontade de provar para a sociedade que ele é capaz de mudar, que se arrepende de seu erro, mas que quer uma oportunidade.

No dia do ensaio fotográfico eu tive uma das meninas que chorou demais. Ela nunca havia usado uma roupa nova, sempre coisa usada. Jamais pode imaginar que justamente na cadeia, um dia entraria num casaco de pele VERSACE com uma bota Fórum que também foi recentemente usada pela atriz TAÍS ARAÚJO em campanha publicitária.

André Silva: Quanto aos problemas e imagem do Sistema Penitenciário Brasileiro e dos dententos, desenvolver um trabalho no presídio Talavera Bruce/RJ foi uma quebra de preconceito para a Geysa?

Geysa Chaves: Um dos filmes que mais adoro é CARANDIRÚ. Ele trás de uma forma magnífica e real o lado sórdido da cadeia. Mesmo numa cadeia tranqüila, sem super lotação e com a garantia de dignidade ao preso, como é o Talavera Bruce, esse lado sórdido existe, mas é disfarçado. No início você não sabe quem é quem, mas depois, se você for uma pessoa ligada logo percebe de onde partem certas pressões e por que.

Na minha cabeça, cadeia era lugar sujo, lotado, lugar de gente que não faz nada e só trama coisa contra os cidadãos, mas depois desse trabalho tive que rever meus conceitos.

Hoje quando passo num sinal de trânsito e vejo um jovem vendendo balas, penso que por trás daquele jovem existe uma mãe da LUCIANA.

Hoje quando vejo alguém falando que o preso faz isso ou aquilo, penso que um ser humano que é tratado como bicho é difícil sair de lá e não descontar toda humilhação em alguém aqui fora, mesmo que essa pessoa não tenha culpa de nada e sequer imagine o que ele passou lá. Isso é uma forma de punir o Estado e a população é que paga com a vida na maioria das vezes.
Penso que todo o trabalho realizado pelo JUDICIÁRIO e pela SECRETARIA DE ADM PENITENCIÁRIA será em vão, se não prepararem psicologicamente funcionários do sistema carcerário para trabalhar com o preso. Poucos são preparados. Só humano pode trabalhar nessa função. HUMANO.

André Silva: Quanto ao projeto de escrever um livro sobre o documentário “Se eu não tivesse amor”, como surgiu a idéia e qual é a proposta do livro?

Geysa Chaves: Em 1h ou 1h e 10 min não dá para você contar essas histórias e revelar tudo. Por isso resolvi fazer o livro.

O livro começa com o por que do documentário, passa pelas histórias delas, que por serem densas e grandes não vai dar pra mostrar tudo no documentário e também fala das filmagens, as dificuldades encontradas, de outras histórias que não estão no filme mas que conhecemos no presídio. Fala muita coisa.

O livro serviu de base para um roteiro de longa de ficção baseado em fatos reais. É o próximo projeto.

N documentário procurarei colocar as imagens que não vou dramatizar no longa de ficção no futuro, e que as pessoas só terão conhecimento lendo o livro e imaginando como será o filme que pretendo captar recursos públicos e privados e outras parcerias para filma-lo no futuro.

Depois que finalizar o documentário e o livro começo a mexer no roteiro de ficção que já está registrado, mas pretendo alterá-lo com a colaboração de um roteirista mais experiente em ficção.


*TRECHOS DA ENTREVISTA COM JENNIFER CLAUDE SALAGNAC


“...De repente, entrou uma moça loura e muito bonita porta a dentro. Ela estava com um uniforme verde e uma bota branca tipo bota de pião que tira leite de vacas. É o uniforme da padaria em que trabalha dentro da Unidade Prisional Talavera Bruce. Essa padaria produz o pão consumido por todo o sistema carcerário do Estado.


O que me chamou a atenção é que ela estava com os cílios bem maquiados com máscara de cílios (rímel) preta e pó facial que deixavam suas bochechas mais rosadas, mais bronzeadas.

Ela me disse que nasceu no MARROCOS, mas foi para a FRANÇA com 01 ano de idade e que seus pais são franceses. Ela é francesa, então.

Fiquei surpresa porque ela em tão pouco tempo fala muito bem o português. Aliás, todas as presas do pavilhão das estrangeiras aprendem a falar rapidamente o português...”

TRECHOS DA ENTREVISTA COM DIONE NORMANDO PIRES

“...Quando soube das sentenças, inicialmente caiu em depressão, quis se matar, se mutilou, mas depois virou bicho. Era muito rebelde e queria realmente virar o bicho que a polícia lhe taxou. Já dentro do presídio, em regime de cumprimento de penas, quis realmente ser a LOURA**, a chefe do bando, então tatuou no Cóccis uma AK-47, símbolo do 157 (assalto a mão armada), “bonde” (comboio de carros roubados com bandidos armados) “pesadão” (fortemente armado). Estava irada porque antes dos assaltos nunca teve ficha suja, nunca cometeu outros crimes e teve a pena maior que os demais comparsas e nunca foi CHEFE de nada, e isso tudo foi um devaneio da polícia e imprensa naturalmente por falso testemunho dos comparsas contra ela.
**Na época dos assaltos a caminhões de cargas, DIONE usava cabelos louros.
DIONE diz com tristeza no olhar que não se orgulha dessa história. Que 01 ano na vida do crime lhe rendeu 41 anos de prisão...”.

*TRECHOS DA ENTREVISTA COM JESSICA BORGES CABEÇO

“...Pressionada, e com medo de ser pega, além do medo de perder seu grande amor, JÉSSICA pondera com X, que não abre mão de que ela leve a droga, e insiste com JÉSSICA dizendo: “Amor, sei que você está com medo, mas fica tranqüila, põe na rosadinha (partes íntimas/vagina) que você consegue passar”, e JÉSSICA acaba levando a droga e sendo presa”.


*TRECHOS DA ENTREVISTA COM JAQUELINE RODRIGUES

“...Dona de lindos olhos azuis, LADY, é o vulgo (apelido) que lhe foi dado pelo Delegado que efetuou sua prisão. Ela só assaltava residências de luxo vestida como uma LADY. Sua especialidade era jóias, dinheiro e moeda estrangeira. Nada de bagatela. Ela tinha pavor de ser presa por causa de um vale transporte e uma carteira de velhinhos com “merreca” dentro.
Mulher forte e altamente persuasiva. Prende sua atenção, e para de falar se você divide sua atenção com outros”.

*TRECHOS DA ENTREVISTA COM LUCIANA CAMPOS TAVARES

“...LUCIANA me disse a seguinte frase: “Senhora, a gente não deita de baixo de um homem sem saber o que ele faz, sem saber da vida dele. Pode quem quiser falar, mas não acredito porque eles falam. Posso dizer que o meu relacionamento com ele me apresentou o mundo do crime, porque eu não usava drogas e ele me ensinou a fumar maconha. Eu não cheirava pó porque fere o nariz, mas usei todo tipo de outras drogas – ecstasi, crak, loló, mas eu fui ser traficante por desejo próprio. Eu queria ter PODER”.
...
Pensei também que DEUS olhava muito por LUCIANA, porque ela escapou de 3 sentenças de morte, salvo se eu tiver contado errado: Escapou dos tiros dentro do mato, escapou do julgamento do tráfico e escapou de ser entregue ao “alemães” (inimigos de facção contrária). Qual seria a próxima sentença de morte de LUCIANA?
....
LUCIANA me disse que a vida lhe tirou quase tudo, mas teve um momento em especial que o seu mundo desabou, foi quando ela descobriu ....”

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Há um esforço de setores da sociedade em apagar a ditadura da história do país, diz filósofo em entrevista.

Safatle: O esforço para apagar a ditadura
Há um esforço de setores da sociedade em apagar a ditadura da história do país, diz filósofo
Gilberto Costa - Repórter da Agência Brasil
Brasília - Após a Segunda Guerra Mundial, os judeus sobreviventes revelaram que seus carrascos asseguravam que ninguém acreditaria no que havia ocorrido nos campos de concentração. A história, no entanto, não cumpriu o destino previsto pelos nazistas, muitos foram condenados e o episódio marca a pior lembrança da humanidade.
Crimes cometidos em outros momentos de exceção também levaram violadores de direitos humanos a serem interrogados em comissões da verdade e punidos por tribunais, como na África do Sul, em Ruanda, na Argentina, no Uruguai e Paraguai.
Para filósofo Vladimir Safatle, professor da Universidade de São Paulo (USP), há um lugar que resiste à memória do horror e a fazer justiça às vítimas: o Brasil. Nenhum agente do Estado ditatorial (1964-1985), envolvido em crimes como sequestro, tortura, estupro e assassinato de dissidentes políticos, foi a julgamento e preso.Em março, será lançado o livro O Que Resta da Ditadura (editora Boitemço), organizado por Safatle e Edson Teles. A obra tenta entender como a impunidade se forma e se alimenta no Brasil. Para Safatle, o Brasil continua uma democracia imperfeita por resistir a uma reavaliação do período da ditadura militar (1964-1985) e por manter uma relação complicada entre os Três Poderes.
Agência Brasil: O Brasil tem alguma dificuldade com o seu passado?
Vladimir Safatle: Existe um esforço de vários setores da sociedade em apagar a ditadura, quase como se ela não tivesse existido. Há leituras que tentam reduzir o período à vigência do AI-5 [Ato Institucional nº 5], de 1968 a 1979. E o resto seria uma espécie de democracia imperfeita, que não se poderia tecnicamente chamar de ditadura. Ou seja, existe mesmo no Brasil um esforço muito diferente de outros países da América Latina, que passaram por situações semelhantes, que era a confrontação com os crimes do passado. É a ideia de anular simplesmente o caráter criminoso de um certo passado da nossa história.
ABr: Há quem diga que o Brasil não teve de fato uma ditadura clássica depois de 1964, mas sim uma "ditabranda" se comparada à da Argentina e a do Uruguai, por exemplo.
Safatle: Essa leitura é do mais clássico cinismo. É inadmissível para qualquer pessoa que respeite um pouco a história nacional. Afirmar que uma ditadura se conta pela quantidade de mortes que consegue empilhar numa montanha é desconhecer de uma maneira fundamental o que significa uma ditadura para a vida nacional. A princípio, a quantidade de mortes no Brasil é muito menor do que na Argentina. Mas é preciso notar como a ditadura brasileira se perpetuou. O Brasil é o único país da América Latina onde os casos de tortura aumentaram após o regime militar. Tortura-se mais hoje do que durante aquele regime. Isso demostra uma perenidade dos hábitos herdados da ditadura militar, que é muito mais nociva do que a simples contagem de mortes.
ABr: Qual o reflexo disso?
Safatle: Significa um bloqueio fundamental do desenvolvimento social e político do país. Por outro lado, existe um dado relevante: a ditadura de certa maneira é uma exceção. Ela inaugurou um regime extremamente perverso que consiste em utilizar a aparência da legalidade para encobrir o mais claro arbítrio. Tudo era feito de forma a dar a aparência de legalidade. Quando o regime queria de fato assassinar alguém, suspender a lei, embaralhava a distinção entre estar dentro e fora da lei. Fazia isso sem o menor problema. Todos viviam sob um arbítrio implacável que minava e corroía completamente a ideia de legalidade. É um dos defeitos mais perversos e nocivos que uma ditadura pode ter. Isso, de uma maneira muito peculiar, continua.
ABr: Então, a semente da violência atual do aparato policial foi plantada na ditadura?
Safatle: Não é difícil fazer essa associação, pois nunca houve uma depuração da estrutura policial brasileira. É muito fácil encontrar delegados que tiveram participação ativa na ditadura militar, ainda em atividade. No estado de São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin indicou um delegado que era alguém que fez parte do DOI-Codi [Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna]. Teve toda uma discussão, mas esse debate não serviu sequer para ele voltasse atrás na nomeação. Se você levar em conta esse tipo de perenidade dos próprios agentes que atuaram no processo repressivo, não é difícil entender por que as práticas não mudaram.
ABr: Estamos atrás de outros países, como Argentina e África do Sul, na investigação e julgamento de crimes cometidos pelo Estado?
Safatle: Estamos aquém de todos os países da América Latina. Nosso problema não é só não ter constituído uma comissão de verdade e justiça, mas é o de que ninguém do regime militar foi preso. Não há nenhum processo. O único processo aceito foi o da família Teles contra o coronel [Carlos Alberto Brilhante] Ustra, que foi uma declaração simplesmente de crime. Ninguém está pedindo um julgamento e sim uma declaração de que houve um crime. Legalmente, sequer existiram casos de tortura, já que não há nenhum processo legal. E levando em conta o fato de que o Brasil tinha assinado na mesma época tratados internacionais, condenando a tortura, nossa situação é uma aberração não só em relação à Argentina e à África do Sul, mas em relação ao Chile, ao Paraguai e ao Uruguai.
ABr: Que expectativa o senhor tem quanto ao funcionamento da Comissão Nacional da Verdade, prevista no Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), para apurar crimes da ditadura?
Safatle: Uma atitude como essa é a mais louvável que poderia ter acontecido e merece ser defendida custe o que custar. O trabalho feito pelo ministro Paulo Vannuchi [secretário dos Direitos Humanos, da Presidência da República] e pela Comissão de Direitos Humanos é da mais alta relevância nacional. Acho que é muito difícil falar o que vai acontecer. A gente está entrando numa dimensão onde a memória nacional, a política atual e o destino do nosso futuro se entrelaçam. Existe uma frase no livro 1984, de George Orwell, que diz: “Quem controla o passado controla o futuro”. Mexer com esse tipo de coisa é algo que não diz respeito só à maneira que o dever de memória vai ser institucionalizado na vida nacional, mas à maneira com que o nosso futuro vai ser decidido.
ABr: Mas, antes mesmo da criação da Comissão da Verdade, os debates já estão muito acalorados.
Safatle: O melhor que poderia acontecer é que se acirrassem de fato as posições e cada um dissesse muito claramente de que lado está. O país está dividido desde o início. Veja a questão da Lei da Anistia. O programa do governo [PNDH 3] em momento algum sugeriu uma forma de revisão ou suspensão da lei. O que ele sugeriu foi que se abrisse espaço para a discussão sobre a interpretação da letra da lei. Porque a anistia não vale para crimes de sequestro e atentados pessoais. A confusão que se criou demonstra muito claramente como a sociedade brasileira precisa de um debate dessa natureza, o mais rápido possível. Não dá para suportar que certos segmentos da sociedade chamem pessoas foram ligadas a esses tipos de atividades de “terroristas”. É sempre bom lembrar que no interior da noção liberal de democracia, desde John Locke [filósofo inglês do século 17], se aceita que o cidadão tem um direito a se contrapor de forma violenta contra um Estado ilegal. Alguns estados nos Estados Unidos também preveem essa situação.
ABr: O termo “terrorista” é usado por historiadores que não têm qualquer ligação com os militares e até mesmo por pessoas que participaram da luta armada. Usar a palavra é errado?
Safatle: Completamente. É inaceitável esse uso que visa a criminalizar profundamente esse tipo de atividade que aconteceu na época. A ditadura foi um estado ilegal que se impôs através da institucionalização de uma situação ilegal. Foi resultado de um golpe que suspendeu eleições, criou eleições de fachada com múltiplos casuísmos. Podemos contar as vezes que o Congresso Nacional foi fechado porque o Executivo não admitia certas leis. O fato de ter aparência de democracia porque tinham algumas eleições pontuais, marcadas por milhões de casuísmos, não significa nada. No Leste Europeu também existiam eleições que eram marcadas desta mesma maneira.Um Estado que entra numa posição ilegal não tem direito, em hipótese alguma, de criminalizar aqueles que lutam contra a ilegalidade. Por trás dessa discussão, existe a tentativa de desqualificar a distinção clara entre direito e Justiça. Em certas situações, as exigências de Justiça não encontram lugar nas estruturas do Direito tal como ele aparecia na ditadura militar. Agora, existem certos setores que tentam aproximar o que aconteceu no Brasil do que houve na mesma época na Europa, com os grupos armados na Itália e na Alemanha. As situações são totalmente diferentes porque nenhum desses países era um Estado ilegal. E não há casos no Brasil de atentado contra a população civil. Todos os alvos foram ligados ao governo.
ABr: Os assaltos a banco não seriam atentados às pessoas comuns que estavam nas agências?
Safatle: Todos os que participaram a atentados a bancos não foram contemplados pela Lei da Anistia e continuaram presos depois de 1979. Pagaram pelo crime. Isso não pode ser utilizado para bloquear a discussão. Dentro de um processo de legalidade, de maneira alguma o Estado pode tentar esconder aquilo que foi feito por cidadãos contra eles, como se fossem todos crimes ordinários. Se um assalto a banco é um crime ordinário, eu diria que a luta armada, a luta contra o aparato do Estado ilegal, não é. Isso faz parte da nossa noção liberal de democracia.
ABr: Que democracia é a nossa que tem dificuldades de olhar o passado?
Safatle: É uma democracia imperfeita ou, se quisermos, uma semidemocracia. O Brasil não pode ser considerado um país de democracia plena. Existe uma certa teoria política que consiste em pensar de maneira binária, como se existissem só duas categorias: ditadura ou democracia. É uma análise incorreta. Seria necessário acrescentar pelo menos uma terceira categoria: as democracias imperfeitas.
ABr: O que isso significa?
Safatle: Consiste em dizer basicamente o seguinte: não há uma situação totalitária de estrutura, mas há bloqueios no processo de aperfeiçoamento democrático, bloqueios brutais e muito visíveis. Existe uma versão relativamente difundida de que a Nova República é um período de consolidação da democracia brasileira. Diria que não é verdade. É um período muito evidente que demonstra como a democracia brasileira repete os seus impasses a todo momento. O primeiro presidente eleito recebeu um impeachment, o segundo subornou o Congresso para poder passar um emenda de reeleição e seu procurador-geral da República era conhecido por todos como “engavetador-geral”, que levou a uma série de casos de corrupção que nunca foram relativizados. O terceiro presidente eleito muito provavelmente continuou processos de negociação com o Legislativo mais ou menos nas mesmas bases. Chamar isso de consolidação da estrutura democrática nacional é um absurdo. Os poderes mantêm uma relação problemática, uma interferência do poder econômico privado nas decisões de governo. Um sistema de financiamento de campanhas eleitorais que todos sabem que é totalmente ilegal e é utilizado por todos os partidos sem exceção.
Edição: Enio Vieira
Fonte: Site Vi o Mundo

Oficiais aposentados da polícia de NY confessam que foram pressionados a manipular estatísticas criminais

Photo: James Estrin for The New York Times
Rudolph W. Giuliani in 1995 with William J. Bratton, left, who instituted CompStat. A police spokesman criticized a survey of hundreds of retired police officials.
Retired Officers Raise Questions on Crime Data

By WILLIAM K. RASHBAUM



More than a hundred retired New York Police Department captains and higher-ranking officers said in a survey that the intense pressure to produce annual crime reductions led some supervisors and precinct commanders to manipulate crime statistics, according to two criminologists studying the department.


The retired members of the force reported that they were aware over the years of instances of “ethically inappropriate” changes to complaints of crimes in the seven categories measured by the department’s signature CompStat program, according to a summary of the results of the survey and interviews with the researchers who conducted it.


The totals for those seven so-called major index crimes are provided to the F.B.I., whose reports on crime trends have been used by Mayor Michael R. Bloomberg and his predecessor, Rudolph W. Giuliani, to favorably compare New York to other cities and to portray it as a profoundly safer place, an assessment that the summary does not contradict.


In interviews with the criminologists, other retired senior officers cited examples of what the researchers believe was a periodic practice among some precinct commanders and supervisors: checking eBay, other Web sites, catalogs or other sources to find prices for items that had been reported stolen that were lower than the value provided by the crime victim. They would then use the lower values to reduce reported grand larcenies — felony thefts valued at more than $1,000, which are recorded as index crimes under CompStat — to misdemeanors, which are not, the researchers said.


Others also said that precinct commanders or aides they dispatched sometimes went to crime scenes to persuade victims not to file complaints or to urge them to change their accounts in ways that could result in the downgrading of offenses to lesser crimes, the researchers said.


“Those people in the CompStat era felt enormous pressure to downgrade index crime, which determines the crime rate, and at the same time they felt less pressure to maintain the integrity of the crime statistics,” said John A. Eterno, one of the researchers and a retired New York City police captain.


His colleague, Eli B. Silverman, added, “As one person said, the system provides an incentive for pushing the envelope.”

The Police Department disputed the survey’s findings, questioned its methodology and pointed to other reviews of the CompStat process that it said supported its position.


The survey, which involved an anonymous questionnaire, was done in coordination with the union representing most of the senior officers in the department. The questionnaires were sent to 1,200 retired captains and more-senior officers; 491 responded, including 323 who retired from the department after 1995, the first full year that the agency, then under William J. Bratton, used CompStat. It is based on the scrupulous tracking of crime complaints and a mix of mapping crime trends, identifying trouble spots and holding precinct commanders directly responsible for attacking those problems.


The survey has its limitations. It is unclear exactly when the retired senior officers left the department, making it impossible to say whether any alleged manipulations came early on or had developed over years and across more than one mayoral administration. The CompStat approach has been widely replicated across the country and has been credited with improving police work in many cities.


Also, the questionnaires did not set out to measure the frequency of any manipulation. None of the respondents were asked to identify specific acts of misconduct, and none admitted to having done it themselves. In addition, it was unclear whether the officials who said they were aware of unethical conduct had firsthand knowledge.


But the survey asked provocative questions and clearly elicited disturbing answers. The retired members of the force were asked whether they were aware of changes to crime reports. Of the 160 who indicated that they were, more than three-quarters said the changes were unethical.


Paul J. Browne, the Police Department’s chief spokesman, who was provided a copy of the survey’s summary Thursday, said that two other significant, independent and more comprehensive studies had been done in recent years analyzing the integrity of the city’s crime statistics — one in 2006 by a New York University professor and another by the state comptroller’s office — and that he had found them to be reliable and sound.


The report by the N.Y.U. professor, Dennis C. Smith, contained this assessment: “We conclude, as did the state comptroller five years ago, that the city and department officials, and the public can be reasonably assured that the N.Y.P.D. data are accurate, complete and reliable.”


The researchers in the new survey emphasized that the responses — the questionnaires were mailed in September 2008 and returned in early 2009 — showed that most of the senior officers believed that CompStat had been a valuable management innovation. And even few department critics would seriously dispute that the city is much safer than it was in the early 1990s, with murders cut by nearly 80 percent and with neighborhoods, from the notoriously violent to the largely affluent, transformed.


The CompStat system was put in place by Mr. Bratton, Mr. Giuliani’s first of three police commissioners. Versions of the system have been franchised to hundreds of police departments. It was adopted, and in some cases modified, by Mr. Bratton’s successors under Mr. Giuliani, Howard Safir and Bernard B. Kerik, and by Mr. Bloomberg’s commissioner, Raymond W. Kelly.


But as the city annually reported reductions in crime, skepticism emerged in certain quarters — several police unions other than the one that assisted with this survey, elected officials, residents in some neighborhoods — about whether the department’s books were being “cooked.”


Concerns over crime statistics are not unique to New York. Police departments have faced accusations of tampering in Atlanta, Baltimore, Dallas, New Orleans and Washington.


Mr. Kelly, for his part, has said that he instituted a rigorous auditing system to maintain the integrity of the crime reporting operation. And Mr. Browne said Friday that every precinct’s books were audited twice a year, “and where errors are discovered, they are corrected and reflected in revised crime statistics.” He added, “In cases where it is determined that the errors were the result of intentional manipulation, the personnel responsible are disciplined.”


Mr. Browne said that Mr. Kelly had meted out discipline in 11 cases, 4 involving precinct commanders. One of them, he said, was demoted and three others lost their commands. Last week the department confirmed in an article in The Daily News that it was investigating whether the commanding officer in the 81st Precinct in Brooklyn downgraded crimes or refused to take complaints from complainants to artificially reduce serious-crime statistics.


Mr. Browne criticized numerous aspects of the survey, suggesting, for instance, that many of the respondents might simply have been repeating what they had heard or learned from news reports about the “relatively rare instances that gained notoriety.”

“The survey’s biggest flaw is that a hundred respondents may be recalling the same lone incident everyone was talking about when they said they knew of instances when crime reports were manipulated,” he said. “Further, anonymously supplied answers are problematic because it’s hard to assess whether they originate from retirees who felt they were unfairly denied promotion or have some other ax to grind.”

Mr. Browne said that only 37 of the 323 retired senior officers surveyed had served as precinct commanders, arguing that only they would have firsthand CompStat experience. But the researchers said the survey included responses from aides to precinct commanders and higher-ranking officers who oversaw the work of the commanders.


Professor Eterno said the suggestion that 100 former officials might be talking about the same incident was “ludicrous,” and Professor Silverman said the department’s criticism of the use of an anonymous survey indicated a limited understanding of social science methodology.


The seven-page summary of the survey certainly indicates that many of the retired officers believe the system has gone significantly wrong.


Indeed, the researchers said the responses supported longstanding concerns voiced by some critics about the potential problems inherent in CompStat. The former officers indicate that it was the intense pressure brought to bear on the commanders of the city’s 76 precincts in twice-weekly CompStat meetings — where they are grilled, and sometimes humiliated, before their peers and subordinates, and where careers and promotions can be made or lost — that drove some to make “unethical” and “highly unethical” alterations to crime reports.


Mr. Browne said that when Mr. Kelly took over the department in 2002, he barred spectators from CompStat meetings in light of complaints from some commanders that they had been ridiculed in the forum in front of outsiders. He said Mr. Kelly believed that the presence of outsiders “demeaned the process and was unprofessional.”


The two researchers are writing a book scheduled for publication this summer based in part on the survey; it is tentatively titled “Unveiling CompStat: The Naked Truth.” They provided a copy of the summary and the survey questions to The New York Times. They declined, however, to provide a full report until the head of the union with which they worked had shared it with the Police Department.


When Professor Eterno retired as a captain from the Police Department in 2004, he was working in its crime analysis and program planning section. He is now the director of graduate criminal justice studies at Molloy College on Long Island, which financed the study. Professor Silverman wrote a book about CompStat in 1999 before retiring from the John Jay College of Criminal Justice in 2003.


Roy T. Richter, president of the Captains Endowment Association, which represents the retired officials, said the challenges that his retired members had faced — and his active members still face — were significant, as crime continues to decline and precinct commanders must continue to beat their previous year’s performance despite a force with thousands fewer officers.


He called the survey results “troubling,” and said that while CompStat can be an effective tool, to the extent that it is “used as a sword to subject a commander to humiliation before his peers, I don’t think it’s an effective management tool.”

More than a year before Professor Smith of N.Y.U. published his study praising CompStat in 2006, a city commission created to monitor the Police Department’s effort to fight corruption sought to examine the integrity of the department’s statistics. But while the department cooperated with the professor, it refused to comply with the commission.


And despite the efforts of its chairman, Mark F. Pomerantz, a respected former federal prosecutor, the commission could not win subpoena power, and it was not able to examine allegations that crime complaints were downgraded.


The department had argued that those allegations did not fall under the panel’s mandate because the matters did not constitute corruption.


Fonte: New York Times